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Quem é o nome da Fazenda na transição do governo Moisés

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Por Upiara Boschi
07/11/2018 - 16h11 - Atualizada em: 07/11/2018 - 16h52
No canto da mesa nos governos Colombo, Wanderlei Neves tem tudo para ganhar destaque com Moisés. Foto: Júlio Cavalheiro, Divulgação
No canto da mesa nos governos Colombo, Wanderlei Neves tem tudo para ganhar destaque com Moisés. Foto: Júlio Cavalheiro, Divulgação

Durante todo o segundo turno, o maior e mais relevante questionamento ao governador eleito Carlos Moisés da Silva (PSL) era se teria conhecimento suficiente da máquina e equipe para administrar o Estado. O coronel da reserva prometia eliminar funções políticas para privilegiar servidores de carreira. Passados 10 dias da vitória, Moisés apresentou um time de transição que indica essa disposição.

Veja os nomes da equipe de transição

Vou me ater aqui à minha maior curiosidade em relação ao governo do comandante. 29 de outubro, dia seguinte à vitória, perguntei a Moisés se ele já tinha seu Paulo Guedes - referência ao economista que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) apresentou como futuro ministro ainda antes da campanha eleitoral. O catarinense não tinha.

Nesta quarta-feira, a relação dos indicados para formar a equipe de transição trazia o nome de Wanderlei Pereira da Neves, atual diretor da Dívida Pública na Secretaria da Fazenda. Se essa escolha for um indicativo de que ele pode ser o novo secretário, Moisés premiará um dos mais elogiados integrantes do quadro de carreira da pasta.

O volume da dívida pública é um dos maiores desafios que o governo Moisés terá de enfrentar e poucos conhecem tão bem esse quadro quanto Wanderlei. Foi ele quem levantou a tese de que a União cobrava juros sobre juros na correção da dívida com os Estados - o que tornara a débito quase impagável ao longo dos anos. Foi essa tese que permitiu ao Estado judicializar a questão e forçar o governo federal a renegociar a dívida, dando fôlego de quase dois anos aos cofres do Estado. A chamada Tese de Santa Catarina fez com que o Supremo Tribunal Federal, em vez de julgar a causa, desse um prazo para União e Estados chegarem a um acordo.

Wanderlei atuou sob diversos secretários, especialmente no governo de Raimundo Colombo (PSD). É elogiado por todos - Antonio Gavazzoni (PSD era um dos que incensava o diretor. Ao mesmo tempo, é admirado em setores que rejeitavam a condução de Gavazzoni na Fazenda. Seu nome foi sugerido por técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), sinalizando melhora das relações entre a Fazenda e o órgão - tensas nos anos Colombo.

Se Wanderlei for mesmo o Paulo Guedes de Moisés e se tornar secretário, vai ser interessante perceber como funciona a pasta com uma condução técnica ou se vai faltar a ele o traquejo político que tanto se exige de quem tem a chave do cofre. Como diretor da dívida, ele deu aval aos financiamentos contraídos por Colombo. Sabia, no entanto, até onde a decisão era técnica ou política.

Era o caso do financiamento de R$ 1,5 bilhão junto ao Banco do Brasil e ao BNDES para obras e uma nova edição do Fundo de Desenvolvimento dos Municípios. Ao conversar com ele sobre como esse novo financiamento seria assimilado nas contas do Estado, saí com a clara impressão de que Wanderlei estava contrariado por uma decisão política. Se passar de homem da Fazenda na transição para secretário da pasta, terá a missão de fazer funcionar o governo dos não-políticos.

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