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Santa Catarina: dois governadores, uma caneta

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Por Upiara Boschi
16/02/2018 - 18h53 - Atualizada em: 16/02/2018 - 20h17
Eduardo Pinho Moreira e Raimundo Colombo alinhados na posse do peemebebista
Eduardo Pinho Moreira e Raimundo Colombo alinhados na posse do peemebebista
(Foto: )

Acostume-se, leitor, às expressões “governador licenciado” e “governador em exercício”. Santa Catarina passou a ser, desde a tarde desta sexta-feira e até abril, terra de dois governadores de fato e direito. Continua, no entanto, com apenas uma caneta oficial para assinar os atos de governo. Raimundo Colombo (PSD), o licenciado, deixou muito claro em sua fala que Eduardo Pinho Moreira (PMDB), o em exercício, é o novo dono desta caneta.

O tom de fim de governo foi inegável na festa que o PMDB armou em Florianópolis, reunindo 3 mil lideranças e militantes no CentroSul em plena tarde de sexta. Colombo abriu o discurso dizendo considerar encerrada a missão à frente do governo estadual, colocou-se à disposição de Pinho Moreira para ajudar e aconselhar, recebeu presentes e elogios, emocionou-se.

Vai cuidar agora de sua eleição ao Senado, da construção de uma aliança política para outubro, de acompanhar mais de perto o rumo do inquérito no Superior Tribunal de Justiça que investiga suposto recebimento de recursos para campanhas eleitorais da Odebrecht e da JBS em troca da privatização da Casan. Pede a caneta de volta apenas para assinar a nova edição do Fundo de Desenvolvimento dos Municípios (Fundam), a quatro mãos com o peemedebista, antes da renúncia em abril.

O PMDB mostrou força no auditório lotado. Pinho Moreira chegou com uma verdadeira tropa de choque: o presidente estadual Mauro Mariani, pré-candidato oficial do partido ao governo, o prefeito florianopolitano Gean Loureiro e o ministro Carlos Marum, da Casa Civil. O ministro veio representar o presidente Michel Temer (PMDB), sinal de um alinhamento nas relações. Ao contrário de Mariani, que tem votado contra o Planalto e o próprio Temer, o governador em exercício é alguém que pode receber as bênçãos e as benesses da cúpula nacional do partido na hora de fechar os acordos de governo e eleitorais.

Outro pré-candidato peemedebista ao governo, o prefeito joinvilense Udo Döhler, foi mais discreto. Chegou um pouco antes da tropa de choque entrar. Teve um encontro franco com Colombo para falar das finanças do Estado e do cenário eleitoral. Voltou a defender o diálogo para reconstruir a aliança com PSD e PMDB e se colocou à disposição para liderar o comboio. Trabalha contra a ideia corrente entre os defensores da aliança de que perdeu o timing para lançar-se pré-candidato. Garante estar no jogo.

O que se viu ontem, no CentroSul, no entanto, é que Pinho Moreira é mais candidato do que nunca. O que se percebeu é que o PMDB vai usar o peso de Brasília sobre as composições estaduais para viabilizar uma aliança - seja a velha tríplice ou parcerias apenas com PSD ou PSDB. O que se ouviu naqueles amplos corredores é que, em ambos os casos, o vice viria de Blumenau.

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