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    70% das propriedades rurais de SC utilizam agrotóxicos; índice é o maior do Brasil

    Segundo a nova edição do Censo Agro, do IBGE, 70,7% dos estabelecimentos agrícolas de SC usam agrotóxicos. A média nacional é de 33,1%. Pesquisa mostra o perfil da produção catarinense 

    25/10/2019 - 11h54 - Atualizada em: 25/10/2019 - 14h47

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    Por Lucas Paraizo
    Em 11 anos, o número de fazendas que declararam usar agrotóxicos cresceu 20% no país
    Em 11 anos, o número de fazendas que declararam usar agrotóxicos cresceu 20% no país
    (Foto: )

    Nenhum Estado do Brasil tem um percentual maior que Santa Catarina quando o assunto é o uso de agrotóxicos na produção agrícola. A informação faz parte do novo Censo Agro divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (25), com informações referentes ao ano de 2017. Conforme a pesquisa, 70,7% dos estabelecimentos agrícolas de Santa Catarina utilizam agrotóxicos, enquanto a média no Brasil fica em 33,1%.

    O crescimento no uso de agrotóxicos também foi notado no Brasil, onde houve um aumento de 20% em relação ao último Censo Agro, de 2006. Em 11 anos, o número de fazendas que declararam usar agrotóxicos cresceu 20% no país, alcançando a marca de 1,7 milhão em 2017.

    Diretor de cooperativismo e agronegócios da secretaria de Estado de Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural, Athos de Almeida Lopes Filho faz algumas ressalvas em relação ao dado. Ele aponta que Santa Catarina possui lavouras mais produtivas que o outros Estados do Brasil e uma produção mais tecnificada, com mais acesso aos agrotóxicos.

    — Em contrapartida a pesquisa mostra que entre os agricultores que usaram defensivos o percentual que recebeu orientação técnica é de 70% [SC é o segundo Estado do Brasil com maior proporção de fazendeiros que recebem orientação técnica] e a taxa de alfabetização do agricultor catarinense é a maior do Brasil. Então mostra que o uso de defensivos aqui não é sem regulação, é bem orientado, são atendidos com assistência — explica.

    Para a presidente da Epagri, Edilene Steinwandter, há também a questão de cultivos tradicionais e grandes em SC que demandam um uso maior de agrotóxicos, como cebola, maçã, alho, tomate, entre outros.

    — Esse número não significa que o catarinense é quem mais consome agrotóxicos — analisa Steinwandter.

    O uso de agrotóxicos na lavoura catarinense foi um dos temas mais polêmicos do ano. Gerou irritação no agronegócio a decisão do governador Carlos Moisés (PSL) de aumentar a tributação de impostos sobre os agrotóxicos, indo na contramão das políticas nacionais do presidente Bolsonaro, do mesmo partido.

    Em agosto, o governo do Estado se reuniu com diversas entidades e decidiu o plano para os agrotóxicos em SC, com a isenção de ICMS para os defensivos mantida até 31 de dezembro e uma tributação escalonada, de acordo com o potencial agressivo de cada produto ao meio ambiente, a partir de janeiro de 2020.

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