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    90% das cidades de Santa Catarina não têm sala de cinema 

    “Democratização do acesso ao cinema no Brasil” foi tema da redação do Enem. Dados da Ancine comprovam que pontos de cultura estão distribuídos longe do interior 

    04/11/2019 - 12h15 - Atualizada em: 04/11/2019 - 15h57

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    Lucas
    Por Lucas Paraizo
    Sala de cinema
    Segundo a Ancine, Santa Catarina é o sexto Estado do Brasil com mais salas de cinema
    (Foto: )

    O acesso à cultura e, especialmente, ao cinema, ganhou atenção na pauta nacional ao ser tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste domingo (3). Com o assunto "Democratização do acesso ao cinema no Brasil", a redação trouxe aos alunos a chance de debater a situação cultural do país em vários cenários, do acesso físico ao cinema, da questão social em relação aos preços e centralização dos espaços, e das poucas telas para as obras nacionais ou fora do circuito de grandes produções hollywoodianas.

    Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine) em um levantamento com informações de 2018 mostram que o acesso aos espaços culturais é uma dificuldade no Brasil inteiro. Conforme a pesquisa, Santa Catarina é o sexto Estado do país com mais salas de cinema, mas, mesmo assim, cerca de 90% das cidades catarinenses não têm sequer uma sala de projeção. Ao todo, existem 148 salas de cinema em Santa Catarina — o que representa 18% de todo o país, mas os espaços estão concentrados em 30 municípios.

    Com base na população catarinense, o resultado são duas salas de cinema para cada 100 mil habitantes do Estado. O detalhamento desses espaços para os filmes mostra também que 37% dos cinemas estão localizados no Centro das cidades

    Para o professor de Produção Audiovisual da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e especialista em economia da cultura, Pedro Bughay Aceti, a situação do cinema repete um cenário da cultura em geral no Brasil e em Santa Catarina: a falta de políticas públicas de incentivo:

    — Se o número de salas de cinema é baixo, o de teatro é menor ainda. Deve ser falado em acesso à cultura, a filmes, livros, peças de teatro, museus. Em Santa Catarina temos a questão da falta de telas para a produção nacional, o que é importante para a questão da identidade nacional. Eu moro em Balneário Camboriú, por exemplo, e Bacurau (filme brasileiro vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2019) não passou em nenhuma sala da região. O filme da Hebe, selecionado para o Festival de Gramado, ficou uma semana em cartaz. Falta incentivo, cota de telas para essas produções, e o governo não faz questão — afirma.

    Pedro cita também a centralização das salas de cinema nos grandes centros, com projetos de interiorização pontuais em algumas regiões do Brasil:

    — Em São Paulo teve uma política de descentralização, construíram salas de cinema na periferia. No Rio Grande do Sul faziam caravanas levando produções locais e nacionais para o interior, em Pernambuco tem uma um edital da fundação cultural voltado à produção no interior. Assim como tudo no Brasil, saúde, educação, falta essa descentralização da cultura.

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