publicidade

De volta a 1931

Aberta cápsula do tempo enterrada há 88 anos no RS

Agora, o objeto será enviado à Universidade Federal de Pelotas, onde será restaurado, terá seu conteúdo exposto e, dentro do possível, recuperado

14/05/2019 - 17h44

Compartilhe

Por GaúchaZH
Caixa estava cheia de água acumulada da chuva, na qual boiavam pedaços de folhas de jornais e documentos
Caixa estava cheia de água acumulada da chuva, na qual boiavam pedaços de folhas de jornais e documentos
(Foto: )

A cidade de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, viajou 88 anos ao passado nesta terça-feira (14). A cápsula do tempo enterrada em 1931 e encontrada uma semana atrás, durante escavações na Praça Pedro Osório, no centro, finalmente teve o conteúdo revelado. No seu interior, muita água acumulada durante quase 90 anos de chuva e umidade, na qual boiavam retalhos de folhas de jornais e documentos, o que corroborou as expectativas dos pesquisadores de que a caixa traria exemplares de jornais e atas da ocasião.

Agora, a cápsula será enviada à Universidade Federal de Pelotas (UFP), aos cuidados do Curso de Conservação e Restauro, onde será restaurada, terá seu conteúdo exposto e, dentro do possível, recuperado, o que ainda não tem prazo para ocorrer.

A urna foi encontrada na terça-feira passada (8), ao pé do monumento dedicado à modelo pelotense Yolanda Pereira (1910-2001), que foi miss Brasil e miss universo (antes de a competição se tornar oficial), em 1930. Historiadores acreditam que o objeto tenha sido colocado no local em 1931 para ser aberto 50 anos depois (em 1981), mas teria sido esquecido.

Desde que foi localizada, a caixa passou por limpeza, remoção da oxidação, análises e registro fotográfico. Na sexta-feira (10), os pesquisadores haviam colocado a cápsula em um aparelho de raio x para tentar ver o seu interior e o mecanismo de fechadura.

O exame mostrou que estava inundada, o que reforçou o receio de que não houvesse sobrado nenhum objeto inteiro lá dentro.

O procedimento também revelou como funcionava o sistema de abertura da caixa, fortemente danificado por ferrugem. O sistema era acionado por uma fechadura, e a chave estava junto da caixa quando a encontraram. Entretanto, foi preciso chamar um chaveiro especializado em cofres para acessar a urna sem danificar ainda mais o material.

Uma ata das homenagens feitas à Yolanda na época dizia que a cápsula tinha exemplares de jornais e uma foto autografada da modelo pelotense, moldes de moedas de prata com a efígie de Yolanda, possivelmente de gesso ou de cerâmica.

A hipótese de haver uma cápsula do tempo no local foi levantada em 2012, ano do bicentenário de Pelotas, pelo pesquisador Guilherme Pinto da Almeida, no livro "Almanaque do Bicentenário de Pelotas". Ele fundamentou a pesquisa ao encontrar uma menção à capsula no Almanaque de Pelotas de 1931.

Cápsula do tempo em Pelotas
(Foto: )

Deixe seu comentário:

publicidade