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    Adeus a Feijão, um fomentador da cultura de Florianópolis

    Edenaldo Lisboa da Cunha, o Feijão de Santo Antônio de Lisboa, morreu nesta quarta-feira aos 56 anos

    04/09/2019 - 12h07 - Atualizada em: 04/09/2019 - 15h09

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    Por Ângela Bastos
    Edenaldo Lisboa da Cunha, o Feijão de Santo Antônio de Lisboa
    Edenaldo Lisboa da Cunha, o Feijão de Santo Antônio de Lisboa
    (Foto: )

    O amanhecer cinzento desta quarta-feira (4), trouxe uma notícia triste para familiares e amigos de Edenaldo Lisboa da Cunha, o Feijão. Fomentador da cultura local muito conhecido em Florianópolis, ele morreu aos 56 anos durante a madrugada. Estava internado há quase três meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Baía Sul devido a problemas causados pela diabetes, mas o quadro se agravou nos últimos dias.

    Os pulmões do homem de tanto fôlego a lutar pela cultura da cidade pararam de funcionar. De acordo com a viúva Neide Pacheco da Cunha, ao longo dos meses hospitalizado Feijão teria contraído quatro bactérias. Chegou a passar por uma traqueostomia e vinha sendo tratado com antibiótico.

    A vida de Feijão teve como palco o bairro Santo Antônio de Lisboa. Nascido em 14 de fevereiro de 1962, era filho dos manezinhos Manoel Nascimento Pires da Cunha e de Suely Lisboa da Cunha. Foi justamente através da herança dos pais, o Armazém Suely, que o lado do comerciante considerado pelos clientes como bom de papo despertou.

    Porém foi à frente do Clube Avante e no comando do Gambarzeira, na Rua Cônego Serpa, que ele se consolidou como um importante fomentador da cultura local. Imagem que já se moldava na década de 1990, quando idealizou o Carnaval Comunitário de Santo Antônio de Lisboa.

    A iniciativa se tornou um dos maiores eventos da folia na Ilha, e a cada ano arrasta uma multidão pelas ruas de casarões históricos. Com isso, ajudou a retomar bailes de salão e fez surgir blocos de rua. Feijão transitava entre o sacro e o profano: era também um dos mais envolvidos nos festejos do Divino Espírito Santo.

    Amante da música brasileira, especialmente de samba e chorinho, Feijão fez da rua um ponto de encontro para músicos locais e apreciadores da boa música. Ele ocupou um espaço importante, que é a rua, colocando mesas e cadeiras na calçada para que os artistas e público pudessem estar juntos.

    A iniciativa servia para agrupar as pessoas em torno das manifestações culturais, como resposta à falta de políticas públicas nesta área. Sua partida deixa dúvidas sobre a continuidade do Carnaval de Santo Lisboa. Quem tenta se mover contra o ostracismo cultural da cidade perde um aliado com a partida.

    Em 2014, Feijão esteve envolvido na operação Ave de Rapina, pela PF, que focou a administração pública de Florianópolis e empresas. Chegou a ser conduzido acerca de repasses para uma empresa que montou a estrutura e segurança do Carnaval. Disse desconhecer denúncias de superfaturamento e desvio de recursos repassados pela prefeitura para a Associação Recreativa Cultural Esportiva Avante, que dirigia.

    Era torcedor apaixonado do Figueirense. Em 1988, se casou com Neide Pacheco da Cunha. Teve um filho, Lucas Lisboa Pacheco da Cunha, uma filha, Lisiane Lisboa Pacheco da Cunha, e um neto, Bernardo. O velório de Feijão ocorre na sede do Clube Avante de Santo Antônio. O sepultamento está previso para as 17h30min no cemitério da Irmandade de Santo Antônio.

    Depois da partida recente de Zé do Cacupé, e do jornalista Celso Martins, do site Sambaqui na Rede, em outubro do ano passado, a morte de Feijão de Santo Antônio de Lisboa empobrece a valorização da história e dos costumes daquela importante região da cidade.

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