A morte do advogado criminalista Carlos Eduardo Martins Lima, de 31 anos, do Rio Grande do Sul, foi esclarecida pela Polícia Civil, nesta sexta-feira (01). Os policiais prenderam o sexto suspeito pela morte, em Lages, na Serra. A investigação mostrou que o homem foi torturado e morto após ir até um fornecedor de drogas no bairro Rio Vermelho, em Florianópolis. 

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O corpo de Lima foi encontrado em Florianópolis, em 2 de março. A investigação apontou que o advogado foi atraído até a casa de um fornecedor de drogas no Norte da Ilha. Conforme a Polícia Civil, após Lima ser “violentamente torturado e morto”, ele foi colocado pelos suspeitos em seu carro, que foi abandonado em via pública, no mesmo bairro. 

Segundo a polícia, depois de deixar o corpo do advogado no carro, os suspeitos retornaram ao apartamento onde estava a companheira de Lima, ​Janaína Ribeiro, de 44 anos. De acordo com a investigação, ela teria recebido os suspeitos sem estranhar a falta do marido. Após conversar com a esposa da vítima, o grupo foi para o banheiro da casa trocar roupas sujas de sangue por outras que Janaína teria oferecido. Depois disso, eles abandonaram o carro de Lima em meio a uma plantação de pinus, próximo à Barra da Lagoa.

As diligências complementares prosseguem visando melhor esclarecimento dos fatos e a conclusão do inquérito policial, que, em breve, será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário da Capital.

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Seis suspeitos foram presos

Nesta sexta-feira, a polícia prendeu o sexto suspeito de envolvimento na morteo do advogado. A esposa e o segurança do advogado se acusam da autoria do homicídio.

O possível envolvimento de Janaína, que foi presa nesta semana, no crime foi apontado por outro suspeito: Alan Batista, de 26 anos, segurança particular do advogado, e que acabou preso logo no dia seguinte ao encontro do corpo de Lima. Ele afirma que Janaína teria sido a mandante do homicídio.

Em janeiro deste ano, Carlos Eduardo teve decretada sua prisão preventiva em Gravataí, no Rio Grande do Sul, onde ele e a esposa viviam, por descumprir uma medida protetiva a favor de Janaína, que afirmava ter sido vítima de violência doméstica por parte dele em diversas vezes.

Ele ficou foragido por cinco dias na ocasião, até que a esposa retirou o pedido, o que só se deu após ameaças de Carlos Eduardo, segundo o advogado Mateus Marques, que defende Janaína agora em meio à investigação de homicídio

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Uma semana depois, no entanto, após o casal ter reatado a relação, as agressões voltaram a ocorrer, e a esposa passou a ser mantida em cárcere privado a mando de Carlos Eduardo e sob vigia de Alan, ainda segundo o advogado de Janaína.

Já a advogada de Alan, Luíza Lopes Bandeira, também em entrevista à reportagem, afirma desconhecer esse fato. Ela diz que isso não foi sequer relatado em dois depoimentos à Polícia Civil pela empregada doméstica do casal, que seria eventual testemunha caso algo do tipo tivesse ocorrido envolvendo Janaína e Alan.

A defesa da esposa diz que, na ida a Florianópolis em que acabou morto, durante o Carnaval, Carlos Eduardo havia viajado inicialmente com outra mulher, que também teria sido agredida. O gaúcho pediu então que Janaína fosse à capital catarinense, o que ela acatou. O casal, Alan e mais um grupo ficaram na mesma pousada.

Carlos Eduardo e Alan teriam saído então da pousada acompanhados de mais três suspeitos que Janaína não conhecia para comprar drogas, segundo a defesa dela. O trio que não teve nome revelado pela Polícia Civil também cumpre prisão temporária.

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Suspeita de “relatialiação policial” foi descartada

A investigação descartou a possibilidade de “retaliação policial”. Duas semanas antes do ocorrido, Carlos Eduardo publicou vídeo no Instagram em que dizia ter passado a sofrer perseguição policial por conta de sua atuação profissional. Segundo o delegado Ênio Mattos, à frente da apuração, essas acusações se tratariam de uma paranoia do advogado gaúcho devido ao uso de drogas.

No vídeo em questão, Carlos Eduardo afirma que passou a sofrer abordagens ostensivas de policiais após ter sido parte em uma ação que corria em segredo de Justiça — ele não cita o teor dela, mas tratava-se da medida protetiva mobilizada por Janaína.

O advogado também afirma ter sido alvo de um flagrante de porte de drogas forjado por policiais, o que fez ele ser conduzido a uma delegacia na ocasião.

— Eu vou enfrentar vocês, vocês não vão conseguir derrubar esse advogado combativo colocando buchinha de cocaína dentro do meu carro, p****. Vocês têm que entender que eu sou advogado, que o patrimônio que eu tenho foi conquistado com trabalho — afirmou.

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Vida de ostentação

Ativo nas redes sociais, o advogado criminalista se referia a si mesmo como “Showman” e costumava compartilhar registros de sua rotina profissional, o que incluía a defesa de acusados de tráfico de drogas e sustentações orais entusiasmadas.

Ele também exibia um estilo de vida fitness e hábitos luxuosos, com ostentação de joias de ouro e viagens frequentes de lazer ao litoral catarinense. Na última delas, para Florianópolis, o corpo do advogado, já morto, acabou encontrado com perfurações na área da cintura em uma servidão do bairro Rio Vermelho.

Ainda no dia do ocorrido, o carro dele, uma BMW branca, que o advogado também costumava exibir nas redes sociais, foi encontrado por policiais no mesmo bairro onde estava o corpo, no Norte da Ilha, o que pesou contra eventual suspeita de latrocínio.

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Mesmo após a morte dele, o perfil do advogado permanecia acessível no Instagram até a publicação desta reportagem, com lamentos de alguns seguidores e críticas de outra parte dos usuários da rede nos comentários das publicações.

Relembre o caso

Carlos Eduardo tinha 31 anos, era natural do Rio Grande do Sul e foi encontrado morto, com perfurações na área da cintura, no bairro Rio Vermelho. De acordo com a Polícia Civil, a causa da morte, segundo o médico legista que examinou o corpo, foi politraumatismo causado por múltiplos ferimentos com objeto perfurante.

O carro do advogado, uma BMW branca, foi achado por policiais no mesmo bairro onde estava o corpo, em uma região de mata, próximo ao terminal lacustre do Rio Vermelho.

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