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Chuvas no Norte

"Agora vamos dormir no chão e comer com as mãos", lamenta moradora de Joinville atingida por enxurrada

Bairro Vila Nova, onde Margaret e Altair moram, foi um dos mais atingidos pela chuva da noite de terça-feira e madrugada de quarta

18/01/2018 - 10h58 - Atualizada em: 18/01/2018 - 12h22

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Por Redação NSC

Sofás e guarda-roupas molhados estão espalhados pelos quintais das casas do Bairro Vila Nova, em Joinville. Aos poucos, se tornam uma amontoado de materiais perdidos. A água chegou na noite de terça-feira, mas demorou para sair das casas. Até a manhã desta quinta-feira ainda havia residências e ruas inundadas. No Vila Nova, o casal Altair e Margaret Silva usaram a manhã de sol para contabilizar o que sobrou. E foi pouco.

— Acho que vai dá pra salvar o colchão e a geladeira — lamenta a esposa.

Cena comum no Vila Nova nesta quinta-feira: móveis colocados ao sol na tentativa de salvar alguma coisa
Cena comum no Vila Nova nesta quinta-feira: móveis colocados ao sol na tentativa de salvar alguma coisa
(Foto: )

Depois da última enxurrada, em 2008, Altair fez uma pequena mureta na frente das portas e janelas. Mas dessa vez elas não foram suficientes. A água atingiu um metro e deixou marcas nas paredes. Margaret estava em casa com um filho deficiente físico na madrugada de quarta-feira quando a chuva apertou e invadiu a casa. À pressas, subiu com ele para a laje.

— Agora vamos dormir no chão e comer com as mãos. Vamos ter que voltar 33 anos — recorda Margaret do tempo em que o casal começou a construir a família.

Com as perdas, a família agora precisará mudar os planos. O projeto de construir uma casa na praia ficará em segundo plano. A prioridade será a construção de um segundo andar na residência para enfrentar futuras enchentes.

Perto dali, também na Rua Bento Torquato da Rocha, outras famílias recolhem o que sobrou. O rio Águas Vemelhas baixou e deu sossego aos moradores. Cláudio Oliveira Cubas recorda quando a água veio como uma correnteza. Invadiu o terreno e depois o primeiro andar da casa dele. Ao empurrar o sofá destruído para fora, não se deixava abater:

— Sobraram geladeira, fogão e algumas roupas. O resto perdemos. Mas essas coisas a gente recupera. Não é fácil, mas vamos conseguir. O importante é que estamos bem.

Helen da Silva começa a limpar a casa, que fica na rua Bento Torquato Rocha, no Vila Nova
Helen da Silva começa a limpar a casa, que fica na rua Bento Torquato Rocha, no Vila Nova
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Durante a noite passada, Cláudio abrigou outra família que perdeu praticamente tudo. Helen da Silva e outras cinco pessoas moram no Vila Nova há quatro anos. Dentro da casa só algumas roupas ficaram intactas. O piso branco está marrom. Os móveis molhados cederam.

— A gente já tinha pouco e agora sobrou quase nada. Somos em seis pessoas, é difícil — resume Helen.

A chuva foi embora há horas, mas os estragos ainda vão demorar para serem absorvidos.

O sol predomina na cidade desde cedo. No final da madrugada algumas regiões ainda tiveram chuva fraca. A Defesa Civil abriu dois abrigos. Um fica no Bairro Vila. Vinte pessoas ocupam o espaço. No Jardim Sofia, outro local abriga um morador das proximidades. Essas duas regiões, junto com a comunidade do Jativoca, no Bairro Nova Brasília, foram os mais afetados pela enxurrada. No Jativoca e no Jardim Sofia ainda havia água em alguns pontos nesta quinta-feira.

Cláudio Cubas começa a tirar os móveis destruídos com o alagamento no Vila Nova
Cláudio Cubas começa a tirar os móveis destruídos com o alagamento no Vila Nova
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