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Alunos de escola de Blumenau simularam por uma semana a experiência de cuidados com uma criança

Estudantes do oitavo ano da Escola Adventista de Blumenau fizeram parte do projeto Bebê de Arroz 

17/05/2017 - 05h35 - Atualizada em: 17/05/2017 - 06h00

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Por Redação NSC
Bebês ganharam registro de nascimento feito pelos alunos em sala de aula
Bebês ganharam registro de nascimento feito pelos alunos em sala de aula
(Foto: )

Com olheiras no rosto e braços cansados, os 16 alunos do oitavo ano da Escola Adventista de Blumenau encerraram ontem a aventura de cuidar, acalmar, alimentar e trocar a fralda de uma criança de cinco quilos. Não foram apenas noites mal dormidas e o peso da responsabilidade que os alunos guardarão na memória com o projeto Bebê de Arroz — que nasceu em Curitiba (PR) —, mas também o aprendizado de quem simulou as consequências de uma gravidez precoce e a importância dos pais no cuidado dos filhos.

O experimento de levar para lá e para cá um saco de arroz de cinco quilos serviu para que a turma aprendesse sobre os cuidados necessários durante os primeiros meses de uma criança. Além de administrar o orçamento familiar, puderam aprender sobre as vacinas necessárias para a faixa etária, o registro de nascimento do bebê e o abandono de menor — lição aprendida depois que eles deixaram os bebês na sala de aula enquanto foram para a Educação Física.

Projeto aborda a gravidez na adolescência

Aliás, não foram só os alunos que participaram do projeto, os pais foram incentivadores nesta ão, como conta a diretora da escola Marina Schwants, mãe de Matheus, que também passou pela experiência dentro e fora da sala de aula:

— Tivemos casos de pais que acordavam o filho durante à noite como se o bebê estivesse chorando, para ele cuidar. Eles realmente compraram a ideia, doaram o arroz e providenciaram roupas e fraldas.

A aluna Maria Fernanda Moretti, 13 anos, afirma que a experiência mudou a visão dela sobre maternidade
A aluna Maria Fernanda Moretti, 13 anos, afirma que a experiência mudou a visão dela sobre maternidade
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Ao passar 24 horas cuidando do bebê de arroz — feito por eles durante a aula de Artes —, as crianças sentiram na pele o olhar e a curiosidade das pessoas na rua. Algumas vivenciaram episódios curiosos, como o de Rayanara Vitória da Silva:

— Eu estava no ônibus segurando o bebê e uma senhora me ofereceu o lugar para sentar. Tive que explicar que era um projeto da escola e que não era um bebê de verdade — conta a aluna de 13 anos.

Para os estudantes da Escola Adventista foram apenas nove dias intermináveis, mas de absoluto faz de conta, que para muitas mães e pais adolescentes são realidade. De acordo com dados do DataSUS, dos 3 milhões de bebês nascidos no Brasil em 2015, 18% (546,5 mil) foram de mães adolescentes. O maior índice de gravidez, 520 mil ocorreu na faixa etária entre 15 e 19 anos.

— Além de todo o aprendizado com a criança, a questão da conscientização é o ponto principal do projeto. Falar sobre maturidade e consciência do que é ser pai nessa idade. Esta turma é a mais crítica, pois os índices estão relacionadas justamente nesta idade, entre 13 e 14 anos. Como neste ano a reprodução humana faz parte do conteúdo, a interdisciplinaridade foi possível — comenta Marina Schwants, diretora da escola, onde o projeto ocorre pela primeira vez e deve se repetir nos próximos anos.

A aluna Maria Fernanda Moretti, 13 anos, afirma que a experiência mudou a visão dela sobre maternidade. Ela conta que sonhava em ser mãe no futuro, mas diz que agora, ao sentir na pele, percebe a grandesponsabilidade de ter filhos:

— Tudo deve acontecer no seu tempo — finaliza.

O material usado na proposta pedagógica — arroz, roupas e fraldas — será doado ao Centro de Educação Infantil Professora Teresa Raquel Sabel de Araújo, no bairro Ribeirão Fresco, próximo à escola.

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