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Volta seria na Ilha

Amy Winehouse escolheu Florianópolis para retomar a carreira

Depois de dois anos afastada dos palcos, a primeira apresentação da cantora foi em SC

23/07/2012 - 10h42 - Atualizada em: 23/07/2012 - 11h20

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Por Redação NSC
Pouco mais de uma hora de show, 20 canções e uma voz poderosa
Pouco mais de uma hora de show, 20 canções e uma voz poderosa
(Foto: )

A vinda de Amy Winehouse ao Brasil fez parte de uma tentativa de dar a volta por cima. Depois de chegar ao topo com Back to Black e ganhar quatro Grammy, inclusive o de artista revelação, álbum e música do ano, Amy foi destaque das páginas policiais de jornais e tabloides, que não se cansavam de noticiar os escândalos da cantora.

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Ela foi filmada usando crack, mostrou fotos suas fazendo sexo para repórteres da revista Rolling Stone. No Rock in Rio Lisboa, em maio de 2008, chegou ao show atrasada e se apresentou praticamente sem voz, bêbada e com marcas roxas no pescoço. Admitiu que sua voz estava "uma droga" e disse que devia ter cancelado o show. Em junho do mesmo ano, foi diagnosticada com enfisema pulmonar. O motivo seria o excesso de crack e cigarro. A pergunta era: Amy Winehouse voltará a cantar um dia? Parecia o fim.

Apesar de Rehab ser um hino contra a reabilitação, Amy foi internada em uma clínica e pelos próximos dois anos foi vista em meia dúzia de apresentações esporádicas e que decepcionaram o público. A vinda ao Brasil era a grande chance de tocar para fãs que nunca tinha visto uma performance sua.

A Mondo Entretenimento disputou com várias outras produtoras a chance de trazer Amy ao Brasil. Segundo Anne Francis Crunfli, diretora da Mondo na época, Amy, que sempre foi gentil e educada ao telefone, estava ansiosa para voltar a se apresentar ao vivo. Quando ficou acertada a vinda ao Brasil, se interessou pelo Summer Soul Festival, em Florianópolis, principalmente pelo conceito do festival de verão e aprovou as demais atrações da noite: Janelle Monae, Mayer Hawtrone e Seu Jorge. A imprensa do mundo inteiro veio à Floripa acompanhar a volta de Amy aos palcos.

A equipe da cantora selecionou pessoalmente os jornalistas que teriam acesso ao show, negaram uma série de credenciais. Mesmo assim, mais de 80 profissionais estiveram presentes. Ao chegar ao Brasil, Amy foi direto para o Hotel Santa Teresa, no Rio de Janeiro, e pediu equipamentos para ginástica. Teria feito seções de ioga e pilates, surpreendendo a todos.

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"Sou superfã de Amy Winehouse e sempre serei. É uma daquelas cantoras que aparecem só a cada 50 anos. Depois do que se viu em outras cidades, o show de Florianópolis foi o melhor. Já se via que havia algo de errado com ela, o que só piorou nos outros espetáculos. Na hora, achei que ela não acompanhou o ambiente criado pela plateia, mas fiquei satisfeito. Fiquei impressionado com a voz dela. Se estivesse viva, não sei se voltaria a um show, mas continuaria um grande admirador de sua arte. Amy tinha graves conflitos existenciais, mas conseguia traduzi-los, todos, em pura emoção, através de sua música. Do nível dela, até hoje, só ouvi Billie Holiday."

Raí, ex-jogador de futebol

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"Ela cambaleou boa parte do show, não parecia estar sóbria. Dava para ver que tentava sorrir e não conseguia, tentava dançar e não conseguia. Ela caiu no palco e o pessoal da banda a amparou. Quando foi cantar Rehab, errou o final da letra. Parecia que todo mundo estava esperando isso acontecer. As pessoas perceberam, comentaram, mas aplaudiram mesmo assim. Acho que não cabe a nós julgar os problemas da Amy. Foi admirável a vontade dela de levar o show até o final e a qualidade vocal que ela apresentou foi incrível. Infelizmente deu para perceber ali que ela não ia durar muito."

Eddie Prim, arquiteto

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"Eu era e continuo sendo muito fã de Amy. Havia uma grande expectativa para o show, ela estava voltando de um período em que tinha passado por poucas e boas. Eu adorei a apresentação. Ela não estava 100%, mas por ser o primeiro show dela no país acho que estava mais descansada. A gente escuta o disco, vê o DVD e dá para ver que aquele não era o melhor dela. Fiquei até com um pouco de pena de vê-la no show. Parecia que ela não estava preparada física e emocionalmente para estar ali. Às vezes ela pecava pela presença de palco, algumas pessoas diziam que ela estava bêbada ou drogada, acho que era só despreparo mesmo. Minha vontade era dizer para ela 'cara, relaxa, não precisa provar nada para ninguém.'"

Emilia Carmona, cantora

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"Acredito que fui a única pessoa a ser apresentada a Amy em Florianópolis. Foi antes do show. Ela chegou de carro e foi direto para o camarim. Ela estava rodeada de pessoas que tinha trazido com ela, já maquiada e com o cabelo arrumado naquele coque imenso. Me agradeceu pela produção do show, eu também agradeci a ela por ter vindo para a cidade. Desejei um bom show e foi isso, uma conversa rápida. Ela foi simpática, mas me pareceu bem piradinha. Com um copo de uísque na mão, ficava olhando para os lados, desconfiada. Era baixinha e bem magrinha. Retocou a maquiagem e foi para o palco."

Rafael Brogni, o Anjinho, gerente do complexo Music Park

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