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Anvisa recolhe 185 lotes de remédios para pressão alta por causa de impurezas

Entre esses remédios estão a losartana, segundo mais vendido do país, e a valsartana, também amplamente usada

09/05/2019 - 22h01 - Atualizada em: 09/05/2019 - 22h03

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Por Folhapress
Remédios
Ao todo, 30 milhões de brasileiros têm hipertensão arterial
(Foto: )

*Por Natália Cancian

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu recolher 185 lotes de medicamentos usados para tratamento de hipertensão arterial devido à presença de impurezas associadas a um potencial risco de câncer. Entre esses remédios estão a losartana, segundo mais vendido do país, e a valsartana, também amplamente usada. Ao todo, 30 milhões de brasileiros têm hipertensão arterial.

As medidas, porém, envolvem apenas lotes e empresas específicas. A lista completa está no site da agência. A Anvisa também publicou uma nota com várias informações sobre o tema para esclarecer e orientar a população.

Os recolhimentos tiveram início em fevereiro deste ano e seguem medidas adotadas em outros países. A agência diz que a iniciativa é preventiva e nega riscos aos pacientes. A orientação é que quem fizer uso do remédio mantenha o tratamento até avaliação com um médico para possível troca do produto.

— A terapia da hipertensão é mais importante do que isso. Se uma pessoa para de usar o medicamento, ela pode ter consequências sérias para a saúde, até no mesmo dia — afirma o gerente-geral de inspeção e fiscalização sanitária, Ronaldo Gomes.

As impurezas detectadas são as nitrosaminas, substâncias encontradas em pequenas quantidades na água e em alguns alimentos, mas que, em altos níveis e com consumo prologando, podem levar ao risco de câncer.

A suspeita de contaminação de insumos usados para fabricação dos remédios foi detectada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em julho de 2018. De lá para cá, agências de diferentes países iniciaram inspeções. Segundo a Anvisa, até o momento, não foram encontrados altos níveis de nitrosaminas nos medicamentos usados no Brasil – daí considerar o risco ao paciente como baixo.

— O paciente que ingerir o medicamento vai ter câncer? Não. As chances são ínfimas — afirma Gomes. — Essa impureza está presente em níveis muito baixos. Até que consiga verificar com seu médico, o paciente pode continuar ingerindo o medicamento, que continua a ser eficaz.

Pelos cálculos da agência europeia, o risco estaria presente apenas em casos de ingestão, ao longo de cinco anos, de medicamentos com o nível máximo de nitrosamina já descoberto até o momento. Neste caso, o cálculo seria de um caso extra de câncer a cada 6.000 pacientes. Para comparação, no Brasil, a incidência atual de câncer é de 600 mil casos ao ano, ou um caso a cada 333 brasileiros.

Como assegurar que novos lotes de medicamentos a serem produzidos não tenham essas impurezas?

Segundo a Anvisa, diversas ações estão sendo adotadas. Entre elas, estão a suspensão da importação, comercialização e uso de insumos farmacêuticos ativos de fabricantes com indícios e evidências de presença dessas impurezas.

Ao todo, já foram suspensos três insumos (valsartana, losartana e irbesartana) de dez fabricantes internacionais.

Agora, a agência finaliza uma proposta de resolução que estabelece limites seguros para a presença de nitrosaminas, impõe novas medidas de controle e dá prazo de dois anos para eliminação completa das impurezas. O órgão justifica o prazo devido à necessidade de mudanças na produção. O mesmo período foi adotado pela Europa.

O que fazer se seu remédio estiver na lista

1 - Continue tomando, a menos que tenha sido aconselhado pelo seu médico a parar. A hipertensão é uma doença grave, cuja interrupção do tratamento pode gerar problemas à saúde;

2 - Nem todo medicamento contém impurezas. Se o medicamento que toma foi suspenso e recolhido, procure seu médico ou farmacêutico. Existem outras opções no mercado que podem ser prescritas e adquiridas;

3 - Somente troque de medicamento quando já tiver um novo em mãos, pois a interrupção do tratamento pode produzir malefícios instantâneos, inclusive risco de morte por derrame, ataques cardíacos e insuficiência renal;

4 - Para trocar o medicamento sem custo, o paciente pode também ligar ao serviço de atendimento ao consumidor da empresa fabricante. Neste caso, a empresa deve indicar em qual farmácia ocorrerá a troca.

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