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Cidadania

Apadrinhamento afetivo ajuda crianças e jovens afastados da família a criarem vínculos, em Joinville 

Conheça a história de uma adolescente joinvilense que, há quase três anos fazendo parte de um abrigo, pôde ser apadrinhada por uma família voluntária

17/06/2019 - 17h00

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Patrícia
Por Patrícia Della Justina
(Foto: )

Há quase três anos fazendo parte do Abrigo Infantojuvenil de Joinville, Juliana*, de 17 anos, não tinha muito contato com quem não fosse da equipe multiprofissional da associação.

Ela teve de ser afastada do convívio familiar por decisões judiciais e, ao mesmo tempo em que a família faz o acompanhamento com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), a jovem recebe suporte técnico por parte da instituição.

Essa realidade ganhou um pouco mais de brilho a partir de um projeto que nasceu em 2016: Apadrinhamento Afetivo Aquarela – colorindo a vida com amor. Depois que a associação o estruturou legalmente e pôs em prática, junto com a prefeitura de Joinville, Juliana foi uma das integrantes que teve a chance de ser recebida e se tornar afilhada de uma família. Por meio da ação, a menina, assim como outras crianças e adolescentes, têm a possibilidade de construir vínculos afetivos individualizados e duradouros com madrinhas e padrinhos e voluntários. Como resultado, a rede de apoio afetivo, social e comunitário, é ampliada para além do abrigo. De acordo com a instituição, foram efetivados 15 núcleos de apadrinhamento durante os três anos do projeto. Em 2016 foram três adolescentes apadrinhados, sete em 2017 e cinco em 2018, dentre eles, a Juliana.

Clique aqui e saiba como funciona o processo.

A consultora de sistemas, Elaine Cristina Pickler, 39 anos, e o supervisor de produção, Thiago Salles do Nascimento 34, têm dois filhos biológicos de cinco e oito anos. Eles contam que sempre conversaram sobre adotar mais uma criança em algum momento, mas isso exigiria mais estabilidade por parte do casal, portanto, não seria a melhor decisão naquele período. Foi quando eles conheceram o apadrinhamento afetivo.

– Esse projeto apareceu na hora certa. Quando conhecemos, vimos que era isso que precisávamos e queríamos naquele instante. Podíamos realizar o desejo de fazer o bem, dentro das condições que tínhamos – diz ela.

O principal desejo do casal era transcender a zona de conforto e impactar alguma vida positivamente. O resultado não podia ser diferente; basta perceber o largo sorriso estampado no rosto dos padrinhos e da afilhada que, a todo o momento, os retribui com beijos e abraços. Juliana conta os dias para visitar a família.

Por meio do apadrinhamento afetivo, Juliana teve a possibilidade de criar laços com uma família joinvilense
Por meio do apadrinhamento afetivo, Juliana teve a possibilidade de criar laços com uma família joinvilense
(Foto: )

– Eu gosto muito de vir aqui, conversar, assistir à televisão, brincar com os pequenos e ouvir o que meus padrinhos têm a dizer – pontua a adolescente.

Em 2018, quando o casal decidiu entrar no programa, eles passaram por uma série de etapas que os participantes devem cumprir. São ações seletivas com ciclo de qualificação, palestras, conversas, entrevistas, apresentações e visitas.

Isso porque, além de preencher os requisitos, é necessário que os padrinhos compreendam as diferenças entre apadrinhar e adotar, e é necessário estar preparado para isso.

– O apadrinhamento é uma possibilidade de resgatar o direito da convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes que estão no abrigo, que não podem voltar para a família durante um determinado período, e também não têm a chance de adoção. O contato com os padrinhos é geralmente feito em um dia ou fim e semana.

O objetivo desse projeto não é o de adoção – explica o psicólogo do abrigo, Gean Carlos Ramos.

*O nome foi preservado conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.

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