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Lição de vida

Arante tornou restaurante do Pântano do Sul conhecido no outro lado do mundo

Fundador era conhecido por receber bem o clientes e pela decoração do local com bilhetes deixados pelos turistas

26/12/2012 - 21h59 - Atualizada em: 26/12/2012 - 22h46

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Por Redação NSC

Entre os milhares de bilhetes que disputam cada centímetro das paredes do Bar e Restaurante do Arante, não está a caligrafia do próprio fundador do estabelecimento. Arante José Monteiro, que faleceu na última terça-feira, aos 77 anos (75 no registro), preferia deixar o recurso apenas para os clientes do restaurante do Pântano do Sul, no Sul da Ilha. Mas os registros comprovam que Seu Arante descobriu uma fórmula de sucesso, fazendo uma casa simples, especializada em frutos do mar, se tornar uma referência da gastronomia em Florianópolis, com fama até do outro lado do mundo.

Um diferencial que faça um local ser lembrado está entre as características de uma empresa bem-sucedida, como explica Rogério Alves, diretor de criação da agência de publicidade Propague. Aliar a proposta dessa empresa a elementos tradicionais, além de oferecer atendimento e produtos de qualidade, ajudam a alavancar uma marca. Apenas pela sensibilidade, Arante reuniu todos esses princípios de marketing no restaurante que funciona à beira da praia desde 1960. Arante Monteiro Filho, o Arantinho, conta que o pai via o bar como a própria casa. A propaganda ele mesmo fazia, acolhendo quem chegasse ao bar e em excursões pela cidade.

- Ele recebia bem todo mundo e gostava de passear. Saía de ônibus, carro, carona e conversava com as pessoas. Era amado por todos - diz o amigo Daniel Zappia, 54 anos.

Astral que ficou no bar

O restaurante foi sendo associado à figura do seu dono. Outra propaganda poderosa foi criada com os bilhetinhos do bar. O hábito começou na década de 1970, quando mochileiros passaram a deixar recados para avisar onde estavam acampados. Das gavetas, os bilhetes ganharam as paredes e se tornaram um atrativo para os clientes que registram a passagem pelo local. Recados de políticos, atores e visitantes de todas as partes do mundo compõem os mais de 100 mil bilhetes.

- O importante era o alto astral do meu pai, e isso, com certeza, ficou no bar - afirma Arantinho.

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