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Entrevista

"Árbitro não é inimigo", diz Daronco, eleito o melhor do Brasileirão 2015

Gaúcho de Santa Maria fala sobre a temporada, a forte relação com a cidade natal, a expectativa por uma Libertadores inédita e relembra a partida que marcou o seu ano

08/12/2015 - 17h14 - Atualizada em: 08/12/2015 - 17h18

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Por Redação NSC
Em Santa Maria desde o final da tarde desta terça-feira, Daronco exibe o troféu de melhor árbitro do Brasileirão
Em Santa Maria desde o final da tarde desta terça-feira, Daronco exibe o troféu de melhor árbitro do Brasileirão
(Foto: )

De volta à sua terra natal e no convívio da família, Anderson Daronco se mostra uma pessoa realizada. Ainda nesta terça-feira, ele concedeu uma entrevista ao "Diário". O santa-mariense de 34 anos, formado em Educação Física pela UFSM, foi eleito o melhor árbitro do Brasileirão 2015.

Uma conquista inédita para o seu promissor currículo. A premiação foi divulgada na noite de segunda-feira, no programa "Bem, Amigos!", do canal Sportv. Os melhores assistentes do campeonato foram Alessandro Rocha de Matos, da Bahia, e Guilherme Dias Camilo, de Minas Gerais.

Daronco é eleito o melhor árbitro do Brasileirão 2015

Em seu melhor momento na carreira, o árbitro Fifa encerra o ano como o mais escalado em competições nacionais. Foram 28 jogos na Série A (um como quarto árbitro), dois na Série B e três pela Copa do Brasil - se forem somadas as partidas do Gauchão e da Copa Sul-Americana, o número ultrapassa 50 escalações em 2015.

Prestígio que traz ainda mais responsabilidades em 2016. Confira, abaixo, a entrevista de Daronco. Nela, ele fala sobre a temporada, a expectativa por apitar uma Libertadores e uma Copa do Mundo, o jogo que marcou o seu ano, os elogios de Tite e os fortes laços com Santa Maria e a sua família.

A melhor temporada

"Sempre quis chegar neste momento. O 2015 foi muito bom. Escolhido o melhor árbitro gaúcho e brasileiro. É fantástico. Estreei em competições internacionais em jogos na Copa Sul-Americana em La Paz, na Bolívia, e na Argentina. Tenho só a agradecer a Deus por este ano. Mas, daqui para frente, a responsabilidade só aumenta."

Libertadores da América em 2016

"Era sabedor que, no primeiro ano como árbitro Fifa, era muito difícil já sair apitando uma Libertadores. Acredito que o ano de 2015, com a Copa Sul-Americana, foi uma espécie de preparação. Creio que seja bem possível ser escalado no ano que vem. Se for escalado em apenas uma partida, já fico bem feliz. Temos 10 árbitros brasileiros no quadro da Fifa. Então, as escalas não devem ser tão frequentes."

Copa do Mundo em 2018

"Existem outros nomes antes de mim nesse processo de Copa do Mundo. Trabalho para inserir meu nome nessa lista. A Fifa já vem observando outros árbitros. Se não for na próxima Copa do Mundo (na Rússia), quero colocar pelo menos uma pulga atrás da orelha deles para que pensem em mim na próxima Copa (em 2022, no Catar)."

O jogo que marcou 2015

"Aquele Vasco x Corinthians (em São Januário, no Rio de Janeiro, quando o Corinthians garantiu o título de forma matemática em 19 de novembro ao empatar em 1 a 1), que definiu o campeão brasileiro. Daqui a 20 anos, vão lembrar que o campeão do Brasileirão 2015 saiu naquela partida. E o árbitro era eu. Isso me enche de orgulho."

Elogios de Tite

"Ele é um excelente profissional e conhece muito o futebol. Fico muito honrado pela lembrança dele (em uma coletiva em 2015, o técnico do Corinthians, Tite, elogiou o desempenho de Daronco no Brasileirão)."

A forte relação com Santa Maria

"As pessoas me abordam na rua, amigos me ligam. É algo que motiva. Apito por todos que torcem por mim. É Santa Maria e o Rio Grande do Sul que estão em campo comigo. Muito santa-mariense me diz que jamais pensou que torceria por um árbitro na frente da televisão. Tento mostrar, aos poucos, que o árbitro não é inimigo. Gosto de morar em Santa Maria. É onde estão a minha família e as pessoas que eu gosto."

A importância da família

"Tenho que aproveitar da melhor forma possível o tempo que passo com eles (mulher e os dois filhos). São eles que estão comigo nas horas boas e ruins. É difícil para eles, às vezes, compreenderem a minha ausência. Por isso, tento ser justo com eles no tempo que estou em casa."

Intimidade preservada

"Em função da exposição, as pessoas te olham com desconfiança. Não basta ser honesto, tem de parecer honesto. Prefiro ficar resguardado na vida social para preservar a minha família. O futebol trabalha muito com o emocional do torcedor."

Breve descanso e pré-temporada

"Agora, vou curtir o Natal e o final de ano com a família. Depois, recomeça a preparação e a nossa pré-temporada (22 a 24 de janeiro) e o Gauchão (31 de janeiro)."

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