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Censo 2010

Atalanta, no Vale do Itajaí, é a cidade do Estado com mais moradores nascidos em Santa Catarina

Além de Atalanta, Bela Visto do Toldo, São Joaquim, Cerro Negro e Agronômica são os municípios com mais catarinenses

28/04/2012 - 03h32

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Por Redação NSC
Maria da Rosa e o neto Jaime nasceram em São Joaquim e não pensam em se mudar
Maria da Rosa e o neto Jaime nasceram em São Joaquim e não pensam em se mudar
(Foto: )

Bela Visto do Toldo, no Planalto Norte; São Joaquim e Cerro Negro, na Serra; e Atalanta e Agronômica, no Alto Vale do Itajaí, são cidades de Santa Catarina que cultivam as suas raízes. As cinco são apontadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como as que mais têm moradores nativos, seja dos próprios municípios ou do Estado.

Dos seis mil moradores de Bela Vista do Toldo, 88,94% são naturais do município. Se considerados todos os nascidos em SC, independente do lugar, o percentual sobe para 99,23%. Em São Joaquim, dos 25 mil habitantes, 87,9% são joaquinenses natos. E dos quase quatro mil moradores de Cerro Negro, 86,85% nasceram por ali mesmo.

Atalanta é a primeira do Estado com o maior percentual de moradores nascidos em Santa Catarina, independente da cidade. Dos pouco mais de três mil habitantes, 99,43% são catarinenses. Em seguida vem Agronômica, com 99,26% dos cinco mil moradores.

Gente que nasce e morre no mesmo lugar

Em São Joaquim, a dona de casa Maria da Rosa, 74 anos, é um exemplo de quão grande é a parcela de joaquinenses que passam a vida toda na cidade. Desde os avós dela, todos os parentes nasceram no município. E a tendência é que as futuras gerações só aprofundem as raízes da família em São Joaquim, como Jaime, de sete anos, um dos 10 netos de Maria e que, apesar de ainda não saber o que vai ser quando crescer, quer ficar em São Joaquim.

O que levou Maria a sempre ficar na mesma cidade é o que parece motivar a maioria das pessoas que fazem o mesmo. No caso de São Joaquim, o trabalho rural, o clima ameno, o tradicionalismo e aquela coisa gostosa de conhecer todo mundo e ter com quem contar.

- Toda a nossa família cresceu na lavoura. Gosto muito de viver aqui. É um lugar sadio, o frio me faz bem, os vizinhos se ajudam e você não fica muito tempo sem ver algum conhecido na rua. Dá até para comprar fiado na venda da esquina sem problema nenhum -, brinca Maria.

A professora aposentada Ecilda Schlichting Hugen, de 70 anos, é filha de joaquinenses e também nasceu em São Joaquim. A vida toda ela estudou muito, tem uma irmã historiadora, e concorda com a dona de casa Maria da Rosa quanto aos motivos que levam quase toda a população nativa de São Joaquim a permanecer no município.

Ainda que sobre pobreza e faltem indústrias, universidades, empregos e oportunidades, o povo prefere ficar na sua terra natal devido aos laços históricos e culturais. As tradições, a agricultura e a fruticultura familiares, que passam de pai para filhos e netos, estão entre os motivos mais fortes para a procriação das gerações em solo joaquinense.

- Fui enfermeira e rodei o Brasil inteiro treinando profissionais para o Programa Saúde da Família (PSF). Pude ficar no Ministério da Saúde, mas preferi voltar para São Joaquim. É aqui o meu lugar. O povo se ajuda, quando há previsão de muito frio a comunidade se reúne para ajudar a quem precisa, a relação entre as pessoas é olho no olho e de muita confiança. Tudo isso faz com que, quem vive aqui, nunca queira sair.

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que é em solo catarinense onde 174 mil pessoas escolheram fixar moradia entre 2005 e 2010, o maior crescimento no número de imigrantes dos últimos dez anos do país.

Censo também revelou que Santa Catarina é o estado com o menor número de crianças entre 6 e 14 anos fora da escola.

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