Uma auditoria realizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) revela repasses de dinheiro a militantes do PDT catarinense por parte de uma entidade contratada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A denúncia é do jornal Estado de S. Paulo desta quarta -feira. A lista inclui o ex-presidente da juventude do partido em Santa Catarina, John Sievers Dias, que disse em entrevista que o ministro Manoel Dias (PDT-SC) montou esquema para que funcionários da legenda recebessem recursos da Agência de Desenvolvimento do Vale do Rio Tijucas e Rio Itajaí Mirim (ADRVale).

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Relatório obtido pelo jornal aponta que a entidade não comprovou a contratação de 55 profissionais para atividades ligadas aos cursos oferecidos. Entre esses contratados, aparece como beneficiário Roger Minotto, irmão do chefe de gabinete de Manoel Dias, Rodrigo Minotto.

As pessoas aparecem com vínculos como vigilantes, auxiliares de serviços gerais, instrutores e coordenadores. Sievers aparece em documentos fornecidos pela ADRVale como “assistente de programação”. Ele próprio admitiu ao jornal que trabalhava para a Universidade Leonel Brizola, responsável pea formação da militância do PDT.

O convênio foi fiscalizado em 2007 pela Controladoria-Geral da União. Por meio do acordo firmado com o ministério, a entidade recebeu R$6,9 milhões para qualificação de trabalhadores. De acordo os auditores da CGU, o fato de a ADRVale não comprovar o vínculo empregatício dessas pessoas com o curso “impossibilita evidenciar que os valores pagos a esses profissionais contratados estejam amparados em documentação idônea ou que os mesmos tenham efetivamente prestado seus serviços.”

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:: Coincidências

A lista completa desses profissionais tem mais coincidências com o quadro de militantes do PDT. Seriam 17 os filiados em Santa Catarina que constam na relação.

Além de Sievers, aparece como “auxiliar administrativo” Fábio da Silva Pereira, outro filiado ao partido.

Roger Minotto aparece como “encarregado” de um núcleo. André Tomé Igreja, também filiado, ocupa hoje o cargo de coordenador-geral de Parcerias Empresariais no Ministério do Trabalho.

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Há até ex-candidatos, como Caubi dos Santos Pinheiro, que concorreu a uma vaga de vereador em Guaramirim (SC) no ano passado. Ele é citado como “vigilante”.

:: Contraponto

Dias e Minotto disseram, em resposta ao jornal, que “não havia fontes de recursos” para Sievers, porque o trabalho dele era “de militante”. Em nota, alegaram que a ADRVale não tinha nenhuma relação com o PDT.

Mas, de acordo com o Estadão, a agência era dirigida por dois filiados ao partido em Santa Catarina, Osmar Boos e Militino Angioletti, que se desvincularam da sigla em julho.

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O Ministério do Trabalho firmou ao todo seis convênios com a entidade, que recebeu R$ 11,3 milhões em recursos. As parcerias são do período em que Carlos Lupi (PDT-RJ) comandava a pasta.

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