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Mudanças climáticas

Bairros de Joinville, Tubarão e Tijucas podem ser atingidos pela alta do nível do mar 

Projeção de ONG internacional atualizou riscos de inundações no mundo e mostra áreas afetadas em Santa Catarina nas próximas décadas 

18/11/2019 - 14h57 - Atualizada em: 20/11/2019 - 09h48

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Lucas
Por Lucas Paraizo
Por Ângela Prestes
Inundações causadas pela maré alta podem ser mais frequentes em áreas cada vez mais populosas da costa catarinense, inclusive alagando bairros inteiros
Inundações causadas pela maré alta podem ser mais frequentes em áreas cada vez mais populosas da costa catarinense, inclusive alagando bairros inteiros de algumas cidades
(Foto: )

A alta do nível do mar acelerada pelas mudanças climáticas e pelo aquecimento global pode colocar em risco catarinenses que moram em costas, com riscos de inundações em bairros inteiros de cidades como Joinville, Tubarão e Tijucas. O aviso vem de uma pesquisa divulgada na revista científica Nature Communications com base na ferramenta de risco costeiro do Climate Central, uma ONG de pesquisadores e jornalistas do mundo inteiro que estudam mudanças climáticas.

Os pesquisadores utilizaram inteligência artificial para atualizar informações de satélite da Nasa e corrigir detalhes de elevação e nível do solo no mundo inteiro. Esses dados foram cruzados com novas projeções de aumento do nível dos oceanos.

O resultado mostra em nível global que terras onde vivem 300 milhões de pessoas no mundo estarão sob risco de inundações frequentes e que, somente no Brasil, ao menos 1 milhão de pessoas vivem atualmente em terras que poderão ser totalmente engolidas pelo mar.

No estudo completo e nas imagens atualizadas das projeções, é possível ver que grandes áreas da costa catarinense também estão em risco. Previsões para 2050, por exemplo, mostram uma larga área costeira das cidades de Joinville, São Francisco do Sul e Araquari, no Norte de SC, em risco de inundações constantes. Bairros da cidade mais populosa do Estado como Jardim Iririú, Comasa e até os arredores do Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola teriam áreas atingidas pelo avanço do nível do mar.

Navegue nos mapas para ver as áreas de risco

Deslize as imagens para ver as projeções. No lado esquerdo está a previsão de riscos antiga, e na imagem da direita o mapa atualizado. Em vermelho estão as terras que correm risco de inundações frequentes ou que estarão permanentemente inundadas até 2050.

Joinville e região

Tijucas e região

Tubarão e região

Situações parecidas como a de Joinville são vistas no mapa do Climate Central para cidades como Tijucas, Laguna e Tubarão. Em escala menor, terras habitadas em Itajaí e Balneário Camboriú também aparecem na zona de risco, assim como praias da Ilha de Florianópolis como Morro das Pedras, Matadeiro, Daniela e Ponta das Canas.

Os mapas mostram áreas que, conforme as estimativas, em 2050 estariam abaixo da linha média de inundações. Na prática, representam terras que ficariam totalmente submersas com o avanço do nível do mar ou teriam inundações frequentes de acordo com a influência de marés, ciclones e outros efeitos.

As novas projeções vão ao encontro de um outro estudo complementar do World Resources Institute (WRI), que projeta para Santa Catarina um total de quase 400 mil pessoas afetadas por inundações anualmente em 2030 caso as proteções contra cheias sejam iguais às atuais.

Defesa Civil investe em sistemas de alerta

Assim como os alertas de chuva ou risco de deslizamento que a Defesa Civil emite em Santa Catarina — especialmente após a tragédia de 2008 no Vale do Itajaí —, sistemas voltados para avisos marítimos são apontados como o principal trabalho do Estado atualmente frente às previsões de inundações mais comuns nas próximas décadas.

— Esse estudo mostra que existem algumas áreas críticas onde deve aumentar a frequência de inundações em Santa Catarina. Que podemos esperar que inundações costeiras serão mais frequentes. Para isso a Defesa Civil tem trabalhado muito na parte dos avisos de mar, alertas provocados pela maré. Isso tem melhorado muito, com a ajuda da Epagri também. Pelo tamanho da costa, Santa Catarina é um dos Estados do país com marégrafos (sistemas que medem variações em águas profundas). O que falta ser mais preciso ainda é a parte da previsão — aponta o oceanógrafo e coordenador de monitoramento e alerta da Defesa Civil catarinense, Frederico de Moraes Rudorff.

Atualmente, Frederico explica também que o governo do Estado mantém parcerias com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na linha do monitoramento costeiro. No entanto, todos os projetos seguem ainda em fase de prospecção de atividades para redução de risco.

Mais eventos extremos

A área costeira de Santa Catarina também é pesquisada nacionalmente por previsões de eventos climáticos extremos. A edição mais recente do Relatório Especial do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, de 2017, traz um capítulo sobre a costa catarinense.

O documento, que tem a participação de órgãos do Brasil inteiro, aponta que “cidades com extensas instalações portuárias e indústrias são especialmente vulneráveis aos riscos do aumento de inundações, como no caso da cidade de Santos, na costa de São Paulo e Itajaí na costa de Santa Catarina”, e que previsões relacionadas aos efeitos das mudanças climáticas globais indicam que as tempestades costeiras devem ficar mais intensas nos próximos anos.

O relatório dos pesquisadores deixa claro: “a melhor forma de se adaptar às mudanças climáticas é se desenvolver de maneira sustentável”, e aponta a importância de que governos atualizem avaliações de risco nas cidades costeiras. Com mais informações, é possível avaliar alternativas de realocação para populações em locais de risco, ou medidas que tornem as situações aceitáveis.

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