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Em Florianópolis

Banco Mundial aponta estratégias para retomada do crescimento no país

Santa Catarina, que foi escolhida para sediar a apresentação, tem parceria firmada com a cooperativa na área da economia rural

18/08/2016 - 10h25 - Atualizada em: 18/08/2016 - 12h37

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Por Redação NSC
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Na busca por diminuir as diferenças e ajudar estados e municípios a se desenvolverem, o Banco Mundial (Bird) para o Brasil apresentou na manhã desta quinta-feira, em Florianópolis, um estudo sobre como retomar o crescimento do país de maneira sustentável. Paralelo a divulgação do estudo, o secretário da Fazenda, Antonio Gavazzoni, fez uma apresentação destacando os pontos da analise nacional que possuem conexão com a economia catarinense. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, e o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, também participaram do evento.

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Escolhida para sediar a reunião deste ano, Santa Catarina tem parceria firmada com cooperativa na área do agronegócio. Essa tradição foi um dos motivos deste evento ser realizado no Estado. De acordo com Gavazzoni SC está em uma posição um pouco menos desconfortável em relação à crise que atinge os demais Estados.

— Sabemos quais são os problemas mas continuamos complacentes. Falta apoio social para as reformas profundas. [No entanto] ainda temos condições de enfrentar a crise sem aumentar impostos, por exemplo — afirmou.

Principais propostas destinadas ao Brasil

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Com 54 apontamentos, a análise "Retomando o caminho para a inclusão, o crescimento e a sustentabilidade" apresentada pelo diretor do Bird, Martin Raiser, consiste em um relatório de diagnóstico sistemático do Brasil e aborda as principais conquistas alcançadas pelo país e os desafios para garantir a sustentabilidade desses avanços e o desenvolvimento.

Conforme apontou o estudo, os primeiros passos para construção das novas estratégias de crescimento perpassam pelo ajuste das verbas públicas, crescimento na economiasustentável, maiores avanços sociais e a redução das diferenças de renda no Brasil. De acordo com o documento, 30% do gasto dos governos - mais do que educação e saúde somados - são destinados para quem não é pobre.

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Ainda, como argumenta a instituição, para vencer a desaceleração é necessário a criação de "reformas e ajustes em dimensões políticas bem-sucedidas, como, por exemplo, políticas agrícolas e ambientais" e a ampliação dos programas de assistência social. Leia o documento completo aqui.

*Com informações do www.worldbank.org

Em entrevista ao Diário Catarinense, o secretário da Fazenda de SC, Antonio Gavazzoni, falou sobre o evento e sobre o desempenho catarinense no cenário econômico nacional. Confira os principais trechos:

Além da agricultura, que foi um dos setores que fizeram SC sediar esse evento, quais outras áreas fazem com que o Estado não sofra tanto com a crise?

Nosso vínculo com o Banco Mundial existe por conta do SC Rural, que é um programa de excelência, mas toda a gestão fiscal do Estado pesa para conseguirmos financiamentos como este. Acredito que boa parte do fôlego de SC se deve a ações permanentes iniciadas lá atrás, em tempos de vacas gordas. Essa disciplina fiscal nos permitiu chegar mais preparados na crise – o que não quer dizer que não tenhamos sido duramente afetados por ela.

Além de termos programas de gestão fiscal de ponta, realizamos algumas mudanças que nos ajudaram a chegar mais fortes até aqui. Desarmamos uma bomba prestes a explodir ao aprovar a Reforma da Previdência, garantindo que servidores e o próprio Estado contribuam mais para essa conta que é paga pelos catarinenses. Criamos ainda a SC Prev, modelo voltado aos novos servidores.

Em outra frente, diminuímos o número de cargos, enxugamos estruturas. Agora estamos em uma força-tarefa com nossas equipes de receitas e despesas para, com criatividade — e, sempre que possível, sem onerar o contribuinte — encontrar novas formas de incrementar o caixa.

No relatório do Bird, quais os apontamentos que o governo quer levar para dentro da gestão?

O relatório apresentado é riquíssimo e nos apresenta em números aquilo que já sabemos: é preciso transformar os modelos existentes. Estamos perdendo tempo e dinheiro. Chega a ser absurdo um país com a potência do Brasil não estar no topo de todos os rankings econômicos. De tudo o que vimos e ouvimos, acredito que as principais ações devem estar voltadas à resolução de quatro problemas: gastos ineficazes; rigidez orçamentária, com vinculações excessivas de recursos; governança fraca e fragmentação política. Nossos caminhos devem seguir pela redefinição de competências do Estado. Precisamos fazer escolhas constitucionais mais compatíveis com a realidade para então dar velocidade às soluções que os cidadãos precisam. Já temos essa filosofia dentro do Estado. A questão é que mudar é uma arte difícil, quando a grande maioria não quer abrir mão de interesses próprios. O tempo necessário para amadurecer e permitir as mudanças atrasa as soluções.

O que diferencia Santa Catarina dos outros Estados?

Santa Catarina segue uma receita de disciplina fiscal que nos permite manter o Estado como um porto seguro para investimentos privados.

É possível afirmar que, no aspecto financeiro, estamos com dois anos de vantagem em relação à maioria dos demais Estados. Em paralelo, os investimentos seguem em andamento graças ao Pacto por Santa Catarina e ao Fundam, que repassou mais de R$ 600 milhões, concedendo apoio que se revelou fundamental aos 295 municípios do Estado. Durante 20 meses consecutivos, mantivemos a menor taxa de desemprego do País, resultado da nossa política de atração de investimentos. Ainda temos condições de enfrentar a crise sem aumentar impostos, e isso é um diferencial competitivo importante. Outros 21 Estados elevaram a carga tributária para tentar enfrentar a crise. Apesar de todos os prognósticos, acredito na força da nossa economia e na tão aguardada guinada na economia, que certamente virá.

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