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Natureza

Bióloga vai abrigar macaco abandonado em unidade dos bombeiros de Joinville

Ela acompanhará o primata para saber se há condições de reintroduzi-lo na natureza

18/04/2019 - 19h28

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
Macaco foi deixado em uma gaiola na unidade dos bombeiros
Macaco foi deixado em uma gaiola na unidade dos bombeiros
(Foto: )

Na quarta-feira à tarde, os bombeiros voluntários da unidade Boa Vista, na zona Leste de Joinville, foram surpreendidos com uma entrega inusitada: um macaco dentro de uma gaiola foi deixado no local, sob a argumentação de que teria sido encontrado em uma área de mata e imediatamente levado para os bombeiros. A emissora da notícia e da entrega não se identificou e foi embora, dando início a outra movimentação ainda mais inusitada: por 24 horas, o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville permaneceu com o bichinho por não ter para onde encaminhá-lo.

A primeira tentativa foi por meio da Polícia Militar Ambiental, que informou que não recebe animais a não ser em caso de crime ambiental. Segundo o comandante Vitor Hugo da Silva, não há estrutura para estes animais na unidade regional.

— A Polícia Militar Ambiental me disse que era responsabilidade do IMA (Instituto do Meio Ambiente), mas que o centro onde esses animais eram recebidos não estava aceitando primatas há dois meses — contou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Joinville, Carlos Kelme.

Em Santa Catarina, a destinação correta para animais silvestres é o encaminhamento para o Centro Estadual de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Florianópolis. A administração do local é feita pelo Instituto do Meio Ambiente, pela Polícia Militar Ambiental e por uma ONG. Até o fechamento desta edição, a reportagem não conseguiu um posicionamento oficial do órgão se a unidade está recebendo animais ou não.

A solução encontrada pelo órgão regional do IMA foi encaminhar o primata para uma bióloga voluntária que tem parceria com a Polícia Militar Ambiental. Por volta das 16 horas, o macaco foi levado para uma propriedade na Estrada da Tromba, na zona rural de Joinville. Lá, ficará em um espaço cercado maior do que a gaiola onde foi abandonado e será monitorado pela bióloga Gillian Rose da Silva. Um documento foi emitido pelo IMA para que ela seja a fiel depositária do macaco nas próximas semanas.

— Vamos acompanhá-lo para verificar se ele tem condições de ser reintroduzido na natureza. Às vezes, leva anos para que o animal se adapte novamente. Além disso, em uma primeira análise, ele não aparenta ser do nosso habitat. Se for o caso, não poderá ser solto aqui na região — explicou a bióloga.

A Vigilância Ambiental de Joinville havia colocado um veterinário à disposição para examinar o animal e, entre outros testes, verificar a contaminação pela febre amarela. No entanto, como a consulta não ocorreu até as 16 horas de horas de ontem, o macaco foi encaminhado para a propriedade da bióloga. Como, à primeira vista, ele aparenta estar saudável, a Vigilância só realizará exames se houver alguma mudança no comportamento do animal. Na semana, a bióloga responsável também deve levá-lo para consultas.

Crime ambiental

Ainda não há informações sobre a identidade da mulher que abandonou o macaco na unidade dos bombeiros. Apesar de ela ter afirmado que acabara de encontrar o animal, ele é dócil e não estranha o contato humano. Na gaiola, havia cobertor e brinquedos. Por isso, a principal hipótese é que ele passou por uma tentativa de domesticação.

Segundo Gilian, é comum que esse tipo de situação ocorra em Joinville. Um dos motivos é a presença de áreas de preservação ambiental em área urbana, onde há muitos animais silvestres. O principal, no entanto, é o comércio ilegal de animais silvestres.

— Muita gente adquire animais silvestres e depois desiste de cuidar deles. Então, os solta na mata. Hoje, temos uma superpopulação de saguis em Joinville e eles não fazem parte do nosso habitat, estão competindo com animais da nossa fauna — relata a bióloga.

É possível possuir um animal um animal silvestre legalizado, mas este deve ser adquirido em um criadouro autorizado pelo Ibama. Retirar um animal de seu habitat ou comprá-lo por meios ilícitos é considerado crime ambiental e há uma multa que varia de R$ 500 a R$ 5 mil por animal e detenção de seis meses a um ano.

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