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    Bolsonaro chama de fake livro que fala em demissão de Moro cogitada em 2019

    Presidente encerrou a entrevista ao ser questionado sobre o livro

    14/01/2020 - 17h38

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    Por Folhapress
    Presidente Jair Bolsonaro
    Presidente Jair Bolsonaro
    (Foto: )

    *Gustavo Uribe

    O presidente Jair Bolsonaro se irritou nesta terça-feira (14) e encerrou entrevista à imprensa ao ser questionado sobre informações de um livro que será lançado na próxima semana, segundo o qual ele cogitou demitir o ministro da Justiça, Sergio Moro, em 2019.

    — Vocês têm uma colega de vocês que fez um livro que leu meu pensamento. Acho que não tenho que conversar com vocês, é só escrever o que você achar — disse na entrada do Palácio da Alvorada. — O livro é fake news, mentiroso e não vou responder sobre o livro — acrescentou.

    O livro "Tormenta", da jornalista Thaís Oyama, que será publicado pela Companhia das Letras, diz que Bolsonaro cogitou a demissão de Moro no segundo semestre do ano passado, mas foi demovido da ideia pelo general Augusto Heleno, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

    Conforme noticiado na época, Moro enfrentou um processo de fritura de Bolsonaro em meio à crise com a Polícia Federal e à interferência do presidente no órgão. À época, Bolsonaro afirmou: "Se eu não posso trocar o superintendente, eu vou trocar o diretor-geral". E completou: "Se eu trocar hoje, qual o problema? Está na lei que eu que indico e não o Sergio Moro. E ponto-final".

    "Àquela altura", diz o livro de Oyama, "o ex-juiz da Lava-Jato já havia percorrido um longo corredor polonês de humilhações, mas nunca chegou a pedir demissão. Diante das declarações do presidente, porém, o general Augusto Heleno achou por bem procurar o colega para pedir-lhe paciência. 'O compromisso do senhor não é com o governo Bolsonaro, é com o Brasil', disse o militar a Moro".

    Ainda segundo o livro: "Na última semana de agosto, a despeito dos conselhos de auxiliares, Bolsonaro decidiu que iria mesmo demitir Moro. 'Vou pagar para ver', disse. O general Heleno, que já tinha gastado seu arsenal de argumentos em defesa do ministro, ao notar a determinação do presidente, descarregou a última bala: 'Se demitir o Moro, o seu governo acaba', disse".

    Heleno negou à revista Crusoé ter atuado para demover Bolsonaro da ideia de demitir Moro em agosto do ano passado.

    O presidente também foi questionado nesta terça-feira se pediu para que Fabrício Queiroz faltasse a depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro, informação presente em trecho da publicação divulgado pela imprensa.

    — Acabou a entrevista — disse o presidente, retirando-se do local.

    O ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) na época em que ele era deputado estadual é pivô de uma investigação contra o filho do presidente de um esquema conhecido como "rachadinha".

    Nas redes sociais, Bolsonaro também fez criticas ao livro sobre os bastidores do seu primeiro ano à frente do Palácio do Planalto.

    — Essa imprensa é uma vergonha. Lê meus pensamentos e ministros se convencem a não demitirem a si próprios — escreveu.

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