nsc

publicidade

QUEIMADAS 

Bolsonaro contraria dados do governo e diz que fogo na Amazônia é restrito a regiões desmatadas 

Somente nesta semana, houve 68 ocorrências dentro de terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federal 

25/08/2019 - 09h05

Compartilhe

Por Folhapress
Imagem aérea mostra um trecho de uma área de cerca de dois quilômetros que está pegando fogo na Amazônia nesta sexta-feira
Imagem aérea mostra um trecho de uma área de cerca de dois quilômetros que está pegando fogo na Amazônia nesta sexta-feira

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado (24) que os incêndios na Amazônia não acontecem na floresta e estão restritos a pontos de desmatamento. A declaração contraria dados oficiais do governo, que mostram que o fogo já atingiu áreas protegidas.

— Agora, a floresta não está pegando fogo como o pessoal está dizendo. O fogo é onde o pessoal desmata — disse o presidente ao deixar o Palácio da Alvorada.

Vestindo uma camisa de clube de futebol, Bolsonaro parou para cumprimentar apoiadores na porta de casa e fez uma breve declaração à imprensa. Ele foi ao Palácio do Jaburu, a poucos metros do Alvorada, para almoçar com o vice-presidente, general Hamilton Mourão.

— A média das queimadas está abaixo dos últimos anos e está indo para a normalidade esta questão — afirmou.

A declaração confronta dados divulgados recentemente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), elaborados a partir de imagens de satélite.

De acordo com o órgão, com 72.843 focos de incêndio do início de janeiro até segunda-feira (19), o Brasil já registra um aumento de 83% em relação ao mesmo período do ano passado.

Descontrolado, o fogo também avança sobre áreas protegidas. Somente nesta semana, houve 68 ocorrências dentro de terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federal.

Entre as áreas protegidas mais afetadas neste ano está o Parque Nacional de Ilha Grande (PR). Somente até a última quinta-feira (19), o fogo destruiu 32,5 mil hectares, o equivalente a 206 Parques Ibirapuera, segundo nota do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Em Mato Grosso, o Parque Nacional Chapada dos Guimarães (MT), que perdeu 12% de sua vegetação, e a Terra Indígena Parque do Araguaia (TO), na ilha do Bananal, com 1.127 focos registrados desde o ano passado. Já a Nasa, que divulgou imagens dos incêndios, disse que apenas com o passar do tempo será possível analisar se as queimadas são recordes.

Bolsonaro modificou o discurso que vinha fazendo ao longo da semana sobre a autoria do fogo. Ele antes falava em queimadas criminosas e chegou a lançar suspeitas de autoria das ONGs sem apontar dados.

Agora, falou que alguns incêndios podem ser espontâneos.

— É lamentável o que acontece. Alguns incêndios são espontâneos, outros parecem criminosos. Geralmente começam na beira da pista, bituca de cigarro — disse.

Um dos apoiadores então interrompeu a fala do presidente e disse que o agronegócio tem como prática a realização de queimadas entre as safras. Ele endossou o comentário.

— O pessoal mesmo faz essa queimada. É quase uma tradição. Não é apenas educar, não é fácil, lá são 20 milhões de habitantes. Depende em parte do incentivo do estado nesse sentido — afirmou.

Bolsonaro disse não ter planos de viajar para a região.

— Tive na Amazônia há poucas semanas, se quiser eu retorno para lá — disse.

Questionado se não estuda ir para ver o trabalho das Forças Armadas, afirmou que isso dependeria do que estiver acontecendo lá.

O decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), assinado na sexta (23) por Bolsonaro, entrou em vigor neste sábado (24), autorizando o início do trabalho das Forças Armadas.

Leia as últimas notícias do NSC Total

Deixe seu comentário:

publicidade