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Bolsonaro usa declaração falsa atribuída a jornalista para atacar imprensa, diz jornal

Segundo O Estado de S.Paulo, com base nas informações deturpadas publicadas por site, grupos governistas promoveram no Twitter campanha para acusar o jornal de "mentir" na cobertura do caso envolvendo ex-assessor de Flávio Bolsonaro

11/03/2019 - 16h06

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Por GaúchaZH
Jair Bolsonaro
(Foto: )

O Estado de S.Paulo afirma que é falsa a declaração atribuída a uma repórter do jornal citada pelo site Terça Livre, que reúne ativistas conservadores e simpatizantes de Jair Bolsonaro, e que foi repercutida pelo próprio presidente da República. O site publicou na tarde deste domingo (10) um texto que atribui à jornalista Constança Rezende a declaração "a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo", ao tratar da cobertura jornalística das movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador e filho do presidente.

Com base nas falsas informações publicadas pelo Terça Livre, diz o jornal, grupos governistas promoveram no Twitter uma série de postagens nas quais acusam O Estado de S.Paulo de "mentir" na cobertura do caso Flávio Bolsonaro.

Às 20h51min, o próprio presidente Jair Bolsonaro insuflou seus seguidores contra a imprensa ao publicar o seguinte texto no Twitter:

"Constança Rezende, do 'O Estado de SP' diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Ela é filha de Chico Otavio, profissional do 'O Globo'. Querem derrubar o governo, com chantagens, desinformações e vazamentos".

A suposta declaração de Constança Rezende, que aparece entre aspas no título do texto do Terça Livre, teria sido dada, segundo "denúncia" de um jornalista francês, em uma conversa gravada. Na gravação do diálogo, porém, Constança não fala em "intenção" de arruinar o governo ou o presidente.

A conversa, em inglês, tem frases truncadas e com pausas. Apenas trechos selecionados foram divulgados. Em determinado momento, a repórter avalia que "o caso pode comprometer" e "está arruinando Bolsonaro", mas não relaciona seu trabalho a nenhuma intenção nesse sentido.

O Terça Livre, com base na "denúncia" de Jawad Rhalib, que se apresenta como jornalista francês, também falsamente atribui à repórter a publicação da primeira reportagem sobre as investigações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. O autor da primeira reportagem foi Fabio Serapião, também do Estado.

"Desde que Constança iniciou a temporada de caça aos Bolsonaro no 'Estadão', emissoras como a Rede Globo e jornais como Folha de São Paulo seguiram o mesmo caminho", diz o texto do Terça Livre. "Uma enxurrada de acusações em horário nobre, capas de revistas e nas primeiras páginas de jornais colocaram a integridade moral do filho do presidente em xeque."

No Twitter, o editor do Terça Livre, Allan dos Santos, acusou a jornalista do Estado de "confessar" a intenção de prejudicar o filho de Bolsonaro e o governo.

Constança Rezende não deu entrevista nem dialogou com o jornalista francês citado pelo Terça Livre. As frases da gravação foram retiradas de uma conversa que ela teve em 23 de janeiro com uma pessoa que se apresentou como Alex MacAllister, suposto estudante interessado em fazer um estudo comparativo entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro.

O Estado de S.Paulo acrescenta que as informações reveladas pelo jornal sobre o caso Queiroz se baseiam em fatos e documentos oficiais. O Ministério Público do Rio de Janeiro investiga se o ex-motorista de Flávio Bolsonaro recebeu indevidamente depósitos de funcionários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

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