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Alerta 

Bombeiros atenderam sete casos de engasgamento de bebês neste ano em Blumenau

Número alerta para a necessidade de orientar os pais sobre primeiros-socorros

28/05/2019 - 12h23

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Talita
Por Talita Catie
(Foto: )

Larissa e Priscilla têm em comum a maternidade. A forma como se preparam para a chegada dos bebês, porém, foi diferente. Uma fez o pré-natal na rede pública e a outra no sistema particular. A primeira afirma não ter recebido nenhum tipo de orientação dentro do posto de saúde sobre o que fazer caso a criança se engasgasse. A outra até ouviu a respeito do tema no curso de gestantes, mas garante que não o bastante para se sentir segura diante de um episódio do gênero.

Na última semana comentei com a médica sobre engasgamento. Daí ela me disse que havia esquecido. Que eram tantas pacientes, que não lembrou. Procurei ajuda no Banco de Leite e lá tive várias dicas, me alertaram sobre fazer arrotar, deixar o bebê inclinado em um travesseiro mais alto, para evitar que vomitasse e deixar sempre de lado. Cuidar meia hora depois de mamar – conta Larissa Jung Borges, 23 anos.

O alerta para a necessidade de pais bem preparados para atuar em situações de engasgamento vem do Corpo de Bombeiros. Dados da corporação de Blumenau apontam sete ocorrências envolvendo bebês em amamentação somente este ano. Duas dessas acabaram em óbito na noite do último domingo.

É comum que crianças em fase de amamentação sofram com refluxo, em algum grau, em virtude da imaturidade do sistema digestivo, diz o capitão Felipe Daminelli. Isso torna mais frequentes os casos de engasgamento, o que nem sempre evolui para uma situação grave, mas todas precisam de ação correta e rápida.

No caso de Larissa, a experiência na rede pública só melhorou depois que a mãe de primeira viagem mudou de unidade de saúde. Na nova unidade ela foi informada sobre como cuidar para não dar leite demais – pois poderia fazer com que o bebê regurgite e vomite –, sempre alertando para evitar o engasgamento.

– O médico até hoje alerta para deixar ela (a bebê) sempre com o travesseiro alto. Senti uma grande diferença de conhecimento sobre o recém-nascido – afirma a mãe da pequena Julia, de um ano e dois meses.

Priscilla Barbosa Spredemann, 33 anos, fez o pré-natal e o parto das duas filhas na rede particular. Ouviu falar de cuidados com engasgamento no momento da amamentação no curso para gestantes.

No curso é feito uma demonstração bem rápida com boneca. Mas não nos pediram para tentar em seguida para corrigir ou ajustar possíveis erros, ninguém avalia se aprendemos mesmo. Ganhei as duas meninas em hospital particular e em nenhuma das vezes não foi nem sequer mencionado essa possibilidade. Não sei como isso é abordado pelo SUS, mas na rede particular é muito carente a rede de treinamento e instrução – lamenta a mãe de Liah e Sarah.

Recomendação da especialista

De acordo com a pediatra Rosana Fialho, os pais devem tomar alguns cuidados. Após cada mamada, seja no peito ou na mamadeira, a orientação é não deixar o bebê sozinho. Ele precisa ficar no colo, de pé. O “tapinha” nas costas, para o bebê arrotar, não é necessário, segundo a médica. Essa ação pode, na verdade, provocar o vômito.

Ainda de acordo com a especialista, os bebês costumam engasgar com mais frequência quando tomam leite na mamadeira. Se mesmo com esses cuidados a criança passar mal, a recomendação é pedir ajuda ao Corpo de Bombeiros (193) ou Samu (192).

Recomendação dos bombeiros

O subtenente do Corpo de Bombeiros de Blumenau, Dirceu Rodrigues, destaca que a primeira ação diante de uma criança engasgada é acionar o socorro. Isso porque enquanto uma viatura é enviada ao local da ocorrência, socorristas irão orientar a família sobre como proceder as manobras de primeiros-socorros.

Nesse momento, calma é fundamental, sobretudo porque engasgamento de bebês recém-nascidos é recorrente. Abaixo, o bombeiro mostra o passo a passo indicado em casos de engasgamento.

Engasgamento

Recomendações bombeiros

Contraponto prefeitura

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Promoção da Saúde, não existe obrigatoriedade de tratar sobre o tema engasgamento infantil durante o pré-natal ou após o nascimento do bebê. Ainda assim, diz que o assunto é abordado em alguns grupos, bem como pelo médicos, mas não configura um treinamento às futuras mães. Uma cartilha entregue às grávidas aborda práticas seguras de amamentação e pode oferecer uma noção em relação ao aleitamento adequado.

Confira a caderneta de saúde do Governo Federal com orientações às gestantes

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