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Meio ambiente

Bombeiros relatam exaustão e dificuldades no combate ao incêndio na Serra do Tabuleiro 

Equipes ficaram por horas na mata em combate direto aos focos de incêndio durante o auge do fogo, na quarta-feira 

12/09/2019 - 11h31 - Atualizada em: 12/09/2019 - 16h07

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Lucas
Por Lucas Paraizo
Aspirante a oficial Marco Timmermann integrou equipe que atuou na Serra do Tabuleiro
Aspirante a oficial Marco Timmermann integrou equipe que atuou na Serra do Tabuleiro
(Foto: )

O combate ao incêndio que devastou ao menos 1 mil hectares do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, na Grande Florianópolis, contou com o trabalho exaustivo de cerca de 70 bombeiros de várias cidades durante o auge das chamas, entre o começo da tarde e a noite desta quarta-feira.

Por conta das dificuldades do terreno e o vento que espalhava o fogo muito rápido, o combate em grande parte do parque ficou por conta dos helicópteros e caminhões, mas diversas equipes também entraram na mata para atacar diretamente os focos com abafadores e batedores.

O aspirante a oficial Marco Timmermann, 29, estava com uma das equipes de bombeiros que trabalhou diretamente no incêndio florestal. Ele conta que permaneceram mais de três horas dentro da mata em contato direto com o fogo, calor e fumaça:

– O fogo era bastante alto, mesmo em 12 pessoas a gente não conseguiu fazer o combate direto. O terreno era uma dificuldade, com locais alagadiços, vegetação densa e alta, e a fumaça incomoda bastante — conta o bombeiro de São José.

Na equipe de Timmermann havia outros bombeiros com experiência em casos como de Brumadinho, no começo do ano. A situação extrema no incêndio da Serra do Tabuleiro, no entanto, fez com que eles precisassem retornar aos pontos seguros.

— Depois de mais de três horas na mata a equipe já tinha ficado sem água, sem comida, e o cansaço começou a ficar bem forte. Nesse momento o comando decidiu que a gente deveria retornar para a base e traçar novas estratégias.

"Parece que foi coisa de Deus", diz moradora

A pintora Sonia Ribeiro, 45, viu o fogo estar perto de chegar na casa dela. Moradora da região de Morretes, em Palhoça, ao lado do parque, ela acompanhou dos fundos de casa o fogo avançando na direção e sendo combatido pelos bombeiros.

— Pareceu coisa de Deus, o vento mudou bem na hora que estava chegando aqui e os bombeiros conseguiram impedir. Quando eu vi aquela chama enorme tinha apagado. Eles estavam muito preocupados com a gente, estou muito agradecida mesmo.

Incêndio atinge mil hectares

O fogo começou na manhã de terça-feira (10), avançou na quarta (11), o dia mais crítico do incêndio, e destruiu uma área de aproximadamente mil hectares, segundo o IMA. A extensão equivale a aproximadamente 1.400 campos de futebol.

No total, o parque tem 84 mil hectares e é a maior unidade de conservação ambiental de proteção integral de Santa Catarina, estendendo-se por oito cidades: Florianópolis, Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, São Bonifácio, Palhoça, Paulo Lopes e Garopaba, na Grande Florianópolis, e Imaruí, no Sul do Estado.

O Instituto do Meio Ambiente (IMA), órgão responsável pela unidade de conservação, afirmou que serão planejadas ações para recuperar a área atingida. É a segunda unidade de conservação ambiental atingida por incêndio na Grande Florianópolis em um intervalo de 18 dias.

Segundo os bombeiros, não há indício de causa espontânea para o fogo no local - ou seja, as causas foram humanas, criminais ou acidentais. De acordo com o coordenador do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Carlos Cassini, a principal suspeita é que o incêndio tenha sido criminoso. Ele ponderou que é necessário aguardar as investigações, mas ressaltou que a dinâmica do fogo indica que ele teve origem intencional devido à quantidade de focos e à rapidez com que as chamas se espalharam.

O Instituto Geral de Perícias (IGP) elabora um laudo para encaminhar à Polícia Civil, que comandará as

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