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Cães e tutores da equipe do Corpo de Bombeiros de SC retornam de missão de Brumadinho

Bombeiros têm atuado no local em sistema de revezamento desde o fim do mês de janeiro

21/03/2019 - 13h11 - Atualizada em: 22/03/2019 - 09h35

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Karollayne
Por Karollayne Rosa
Cães e tutores da equipe do Corpo de Bombeiros de SC retornam de missão de Brumadinho
Cães e tutores têm se revezado na missão que teve início no fim do mês de janeiro
(Foto: )

Dezessete vítimas fatais e outros cem restos mortais de pessoas que perderam a vida na tragédia de Brumadinho (MG) foram localizados pelas equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. Desde janeiro, os catarinenses têm atuado em meio à lama que devastou o município mineiro.

Os cães Iron e Chewbacca foram alguns dos que trabalharam no resgate às vítimas junto aos seus tutores, formando a dupla conhecida como binômio.

Capitão BM Michels é tutor do Chewbacca — ou somente Bacca, com ele carinhosamente chama o cão. Ele conta que apesar dos cães serem preparados para atuar em missões assim, no cotidiano em Brumadinho cada condutor sentia quando era necessário dar uma pausa nas atividades.

— Teve um dia que eu achei que ele precisava descansar, então ele passou a manhã sem trabalhar por opção minha. O bem-estar deles é fundamental, não dá para exceder o limite — explica.

Ao total, foram 20 dias de atuação do soldado BM Josclei, tutor do cão Iron, no município mineiro. Entre tantas dificuldades encontradas durante a missão, o fato de ser um local aberto foi um fator que dificultou as buscas no local.

— Era muito calor e tinha muito sol. Choveu só no quarto dia que estávamos lá. Por ser um terreno aberto, também tinha risco de raio — conta.

Apesar de ambos terem três anos de idade, Iron, em referência à banda de heavy metal, é tio-avô de Chewbacca, que faz juz ao jeito companheiro do woonkie que inspirou o nome.

Os dois labradores estão entre os setes cães, que fazem parte da mesma família, e integram as missões de busca no Estado, com atuação nos batalhões dos municípios de Maravilha, Xanxerê, Lages, Canoinhas, Curitibanos, Blumenau e Brusque. Todos da mesma raça e pertencentes à mesma linhagem.

Atuação dos bombeiros em MG tem sido revezada

Desde o fim de janeiro, quatro equipes tem atuado em revezamento na missão, que deve continuar com o envio de outros três bombeiros e um cão ao solo mineiro, já que 96 pessoas continuam desaparecidas. A alternância das equipes é importante para assegurar o bom desempenho nas buscas, pois se trata de uma tarefa extenuante tanto para o tutor quanto para o cão.

A estrutura para atuar em missões de grande impacto natural nasceu a partir da enchente de 2008 de acordo com o tenente-coronel Walter Parizotto, coordenador da Força-Tarefa de Cães do CBMSC. Na época, helicópteros Arcanjo do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais vierem ao estado catarinense para ajudar nas missões — o Arcanjo catarinense foi dado em homenagem aos veículos mineiros.

— Não desejamos aplicar em Santa Catarina isso, mas o Estado tem se preparando tanto preventivamente quanto tecnicamente — afirmou o tenente-coronel Parizotto.

Drones de SC foram os primeiros a atuar em Brumadinho

A utilização de drones foi fundamental na atuação dos binômios — nome dado à dupla de cão e seu respectivo tutor - nas buscas pelas vítimas em meio à lama.

O soldado Bombeiro Militar Valmir, lotado 3º Batalhão de Bombeiro Militar em Blumenau, é um dos pilotos capacitados para operar o drone. Ele conta que o equipamento foi utilizado para mapear a área e definir as estratégias de busca no solo.

— O primeiro drone a sobrevoar Brumadinho na missão foi o de Santa Catarina — contou o piloto.

Cães e tutores da equipe do Corpo de Bombeiros de SC retornam de missão de Brumadinho
Drones catarinenses foram os primeiros a atuar na missão de busca em Brumadinho (MG)
(Foto: )

Toda a operação com drone foi coordenada pelo Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros Militar de acordo com ele. Por ser uma aeronave não tripulada, para operar o equipamento é preciso ter uma capacitação e obter o título de piloto junto à Anac.

— É importante destacar que o drone não é um brinquedo, ele pode causar acidentes, inclusive prejudicando aviões e helicópteros. É preciso garantir a segurança de voo — conta.

Em Santa Catarina, os drones passaram a ser utilizados em 2014, ação que tem se aprimorado. Desde então, a capacitação foi ampliada para atuar junto a outras instituições, como a Marinha e a Polícia Militar Ambiental.

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