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    Cai número de assassinatos no primeiro trimestre de 2020 em Blumenau

    É o menor dado desde 2014 e 36% a menos em comparação ao mesmo período no ano passado   

    09/04/2020 - 14h51

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    Bianca
    Por Bianca Bertoli
    Das sete mortes, uma ocorreu dentro da penitenciária e outra em confronto com a polícia
    Das sete mortes, uma ocorreu dentro da penitenciária e outra em confronto com a polícia
    (Foto: )

    Sete pessoas foram mortas de forma violenta em Blumenau no primeiro trimestre deste ano. É o menor número desde 2014 e, em comparação com o mesmo período do ano passado, a queda é de 36%. Todas as vítimas eram homens e tinham entre 30 e 59 anos. Um dos casos de maior repercussão foi o homicídio de Luiz Carlos Henn, aposentado assassinado a tiros em uma rua da região da Vila Itoupava.

    Conforme o delegado responsável pelas investigações dos homicídios em Blumenau, Egídio Ferrari, a diminuição está atrelada às diversas prisões de integrantes de organizações criminosas. Além disso, o combate ao tráfico de drogas também é tido como uma das explicações, já que muitas mortes têm ligação com dívidas por substâncias ilícitas.

    O comandante do batalhão da Polícia Militar de Blumenau, Jefferson Schmidt, concorda com a análise de Ferrari. Ele complementa que o trabalho da PM em cima de informações repassadas pela comunidade - muitas vezes anonimamente - somado ao uso de tecnologias também contribuem para a queda.

    No primeiro trimestre do ano passado e retrasado, 11 pessoas foram assassinadas em Blumenau. Em 2017, 15, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP). Em 2016 e 2015 foram dez e sete mortes, respectivamente. Apenas 2014 superou este ano, com dois homicídios nos primeiros três meses daquele ano.

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    O delegado acredita que o período de isolamento no novo coronavírus também influencia a estatística:

    — Tem casos que ocorrem em saídas de boates, por exemplo. Os estabelecimentos fechados de alguma forma ajudam a diminuir esses casos. As pessoas estão subindo menos os morros em busca de drogas, porque a circulação na rua está menor — conclui Ferrari.

    Mortos no primeiro trimestre de 2020

    A primeira morte violenta do ano foi a de Júlio Cesar Youngblood, 37, esfaqueado dentro de casa, no bairro Itoupava Central, por uma desavença com o enteado e a companheira. Ele tinha passagens criminais e os envolvidos no crime foram identificados.

    Braz Victor do Carmo, 32, não tinha passagens policiais, mas uma dívida por drogas teria motivado o brutal assassinato. Ele foi espancado até a morte e os cinco envolvidos tentaram se desfazer do corpo no bairro Itoupavazinha. Todos foram encontrados.

    Luiz Carlos Henn, 59, foi vítima de um suposto assalto. O aposentado foi levado à Vila Itoupava e executado a tiros. A motivação ainda não está muito clara para a polícia, mas os três suspeitos foram presos.

    Ismael Batista de Liz, 37, era taxista e foi encontrado morto na garagem de casa, no bairro Velha Central, em fevereiro. A polícia procura pelo suspeito.

    Cleiton Leonardo Kintope, 30, foi morto em março dentro da penitenciária de Blumenau. O companheiro de cela responsável pelo assassinato usou um objeto perfurante para cometer o crime. A motivação não foi esclarecida.

    Edilson Gonçalves, 40, foi morto em um confronto com a polícia no bairro Testo Salto, em março. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) fazia uma investigação sobre os assaltos a bancos na região quando a perseguição começou. Fuzis foram apreendidos. A morte configurou como legítima defesa.

    Paulo Cesar Rosa Soveral, 47, estava em situação de rua e foi morto a facadas no dia 29 de março durante uma discussão com outro morador. O autor do crime foi identificado e preso em flagrante.

    Queda da criminalidade

    A quarentena pelo coronavírus em Santa Catarina, que deixou as pessoas em casa e fechou a maior parte dos comércios, tem derrubado as taxas de criminalidade em todas as cidades. Conforme relatório da SSP, os números de furtos, roubos e mortes violentas seguem em queda no Estado desde o dia 18 de março, quando começou o estado de emergência pelo coronavírus.

    A queda das últimas semanas já faz com que o início de 2020 (dados até o dia 6 de abril) tenha menos feminicídios e latrocínios (roubo seguido de morte) do que o mesmo período de 2019. Os latrocínios reduziram mais do que a metade, de nove para quatro, enquanto os feminicídios - que estavam em alta em janeiro e fevereiro - caíram de 18 para 16 na comparação com o ano passado.

    Os casos de furtos e roubos, desde o início das medidas restritivas mantêm uma média de pouco mais de 100 casos por dia em todo o território catarinense. Antes da quarentena eram mais de 300 registros por dia.

    Os números da SSP mostram também uma queda de até 65% nas denúncias de violência doméstica em Santa Catarina. Em Blumenau, no entanto, as ligações à PM por este motivo aumentaram. A diminuição geral acende também um alerta para a possibilidade de subnotificação durante a quarentena. Por isso, novos canais de denúncia foram abertos para as vítimas que deixaram de buscar auxílio nas delegacias, como ocorria antes da quarentena.

    Além do 190, número emergencial da Polícia Militar, a vítima ou qualquer pessoa que tenha notado a violência pode acessar o site da Polícia Civil neste link e informar o fato na delegacia virtual, ligar para o canal de denúncias sugerido pela delegada –181-, acionar o disque 100 ou mandar uma mensagem através do WhatsApp para o número (48) 98844-0011.

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