nsc
    santa

    Comércio

    Cai pela metade o número de lojas fechadas na Rua XV de Novembro, em Blumenau 

    Levantamento do Santa indica que a quantidade de imóveis para locação na principal via do Centro passou de 29 para 17 em dois anos

    29/07/2019 - 06h16

    Compartilhe

    Talita
    Por Talita Catie
    Comércios fechados na Rua XV de Novembro
    Queda no preço dos aluguéis está entre os motivos que diminuiu o número de lojas fechadas.
    (Foto: )

    A quantidade de estabelecimentos comerciais fechados na Rua XV de Novembro, no Centro de Blumenau, é a menor desde 2015. Segundo levantamento feito pelo Jornal de Santa Catarina, este ano são 14. O número é bem diferente do registrado em 2017 – pior período desde o início do monitoramento -, quando chegou a 29.

    Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas), Emílio Schramm, dois fatores levaram à mudança de cenário. O primeiro é porque a economia não piorou, na visão dele. E também pela queda nos preços dos aluguéis.

    – Como muitas lojas fecharam, o valor para locação caiu. E quando ficou mais barato, quem pensava em abrir um negócio viu que dava para pagar. Acredito que até mesmo essas salas que estão vazias já baixaram o preço do aluguel – diz Schramm.

    A afirmação vai ao encontro do que tem sentido o Sindicato da Habitação de Blumenau (Secovi). Segundo o diretor de locação da entidade, Rogério Isnar Patrício, houve a ocupação de espaços que estavam vazios há algum tempo, como o imóvel entre o Colégio Bom Jesus e o INSS, exemplifica. Ele conta que nos contratos ativos de que tem conhecimento, ocorreu renegociação nos valores praticados, como é costume em períodos de crise.

    – A negociação faz parte do negócio, porém, não é possível informar o percentual (de quanto foi a queda nos preços), porque cada contrato tem suas particularidades e, tratando-se da Rua XV de Novembro, a localização também influencia – explica Patrício.

    Nayara Mantoanelli Schmidt, 25 anos, abriu um negócio na Rua XV em setembro do ano passado. Filha de comerciante, ela esperou os pais sentirem a volta dos clientes à principal via da região central antes de investir na empresa. Mas não foi só isso: precisou adequar a proposta à realidade dos consumidores.

    – Decidimos por uma loja de preço único porque só tinha uma aqui na rua e ficava lá em baixo. Em uma época que a economia não está tão boa, o público quer uma coisa barata, mas com qualidade – afirma a empreendedora entusiasmada com os resultados obtidos nos primeiros meses de negócio.

    A queda do poder aquisitivo do blumenauense não influenciou apenas a decisão de Nayara. Embora não se tenha um levantamento oficial, Secovi e Sindilojas são unânimes ao dizer que atualmente há um novo perfil nos negócios abertos na área central de Blumenau.

    – O comerciante foi se adaptando ao público que frequenta onde ele tem loja. Nós temos na XV de Novembro estabelecimentos que atendem uma classe não tão popular, mas é uma coisa mais dirigida, o cliente não circula pelo Centro. A grosso modo, hoje é comércio popular, reflexo da renda que caiu – afirma Schramm.

    Apesar da queda nos últimos anos, Günter Vollrath está otimista com o futuro.
    Apesar da queda nos últimos anos, Günter Vollrath está otimista com o futuro.
    (Foto: )

    Günter Vollrath mantém o comércio da família

    Com menos dinheiro na carteira, a loja da família de Günter Vollrath foi impactada. Quando abriram as portas, há 58 anos, vendiam livros evangélicos e LPs. Aos poucos foram mudando para acompanhar o avanço da tecnologia e hoje as paredes estão lotadas de CDs e DVDs, além das quase desaparecidas revistas. Pode parecer que são itens fora de moda, mas mesmo em meio a tantas tecnologias e opções (principalmente na internet), eles têm clientela garantida.

    – É difícil sobreviver na Rua XV atualmente porque já não tem muita gente circulando, poder aquisitivo está muito baixo. Nosso produto é considerado supérfluo e com dificuldade financeira isso piora, mas eu estou otimista que vai melhorar – garante Günter.

    Essa expectativa se justifica. Não é a primeira vez que o comerciante enfrentou desafios. Quando o comércio nos bairros perdeu força e os shoppings centers cresceram na cidade, foi um sufoco, nas palavras de Günter. Agora, o Secovi acredita que a cidade vive o movimento contrário, impulsionado principalmente pelo encarecimento de pontos nos centros comerciais.

    – Talvez os elevados custos para manter lojas em shoppings podem ter ajudado na ocupação dos espaços que estavam para locação na Rua XV de Novembro – supõe Patrício, diretor de locação da entidade.

    O Sindicato da Habitação de Blumenau (Secovi) diz que o valor da locação de um imóvel na Rua XV de Novembro é bastante variável. Além do tamanho da loja, a localização é um fator primordial. A área mais valorizada, segundo a entidade, é entre o Shopping H e o Castelinho da Havan.

    Na sequência aparece o trecho desde a Rua Nereu Ramos e até a Rua Floriano Peixoto. Nessa região, a negociação dos preços é pautada no problema com as enchentes, argumento nas negociações para fazer o valor baixar. Já no chamado alto da Rua XV, que começa no Teatro Carlos Gomes e vai até a Rua Doutor Amadeu da Luz, a pressão para reduzir os valores tem como alegação o menor fluxo de pessoas em relação às outras áreas da mesma rua.

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Economia

    Colunistas