Para chegar à casa de Zanaína Aparecida de Oliveira no bairro Vorstadt são cerca de 200 degraus. O único acesso à residência de madeira fica no alto de um morro e, por lá, o ar gelado não costuma dar trégua nos dias frios. Para piorar, frestas na parede de madeira fazem com que o vento entre sem ser convidado, o que torna o ambiente ainda mais gélido.

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A situação que antes era uma angústia à família durante o inverno agora melhorou. Tudo graças ao projeto de uma empresa de Blumenau que transforma caixas de leite vazias em revestimento para casas de pessoas de baixa renda. É como se o material reciclado funcionasse como um isolante térmico, garantindo um lar mais aquecido nos dias frios e mais fresco no verão.

Três semanas após a obra, Zanaína diz que já sentiu a diferença, principalmente no quarto das crianças.

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Com ela moram os quatro filhos, o marido e uma irmã. A necessidade de uma casa mais quente para a família da auxiliar de serviços gerais foi percebida através de uma ONG em que os filhos participam. O projeto é liderado pela blumenauense Bella Janela.

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O local onde a mulher mora há 20 anos foi reformado no dia 20 de maio. No dia, cerca de 20 pessoas se movimentavam para todos os lados da pequena casa de madeira no bairro Vorstadt. A mãe de quatro filhos se emocionou ao ver o trabalho de pintura, reforma elétrica e revestimento térmico que foi feito.

— Meu menino entrou no quarto dele e saiu de lá com os olhos cheios de lágrimas. Ele disse “mãe, tá ficando tão lindo!” — conta.

As crianças acordam cedo para ir à ONG, onde almoçam e, depois, vão para a Escola Básica Municipal Vidal Ramos. Os invernos são difíceis e eles reclamam do frio, explica Zanaína.

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Apesar da escadaria que é a única forma de acessar a residência, ela diz que gosta de morar no lugar.

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— O bom é que aqui no morro todos os vizinhos se ajudam. Eles veem que a gente chegou com compras do mercado e já vêm lá de baixo para trazer aqui em cima — comenta.

A coordenadora do projeto, Érica Pires Stolaruk, conta que o trabalho é gratificante.

— Sempre brinco que a gente fica mais feliz do que quem recebe a casa. Para nós é uma sensação que perdura semanas. Faz um bem danado — afirma.

O trabalho foi fruto de uma parceria com a Construcolor, que doou as tintas para a pintura externa da residência, com a W8 Têxtil, que doou roupas para as crianças, com a DBR que fez a renovação da parte elétrica e a Hedrons que doou edredons para a família.

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Como contribuir

O projeto é tocado pela empresa nas cidades em que tem sede — em Blumenau, Lages e Anita Garibaldi. A ideia é multiplicar a ação para que mais pessoas tenham autonomia para fazer em casa.

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A campanha, que foi lançada em 2021, durante a pandemia, também é uma maneira de dar um novo uso às caixas de leite, que levam em torno de 100 anos para se decompor na natureza.

Para cada casa revitalizada são usadas em média de 3,5 mil a 5 mil caixas de leite. As pessoas podem contribuir doando as embalagens vazias higienizadas para a empresa, diretamente na sede em uma das três cidades. Para a doação, as peças têm que estar totalmente desmontadas e secas.

A arrecadação ocorre durante o ano inteiro.

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* Sob supervisão de Augusto Ittner

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