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    Câmara de Florianópolis arquiva projeto para conceder título de cidadã à Dilma Rousseff

    Texto foi apresentado por vereadora suplente, que ficou no cargo por apenas 30 dias

    26/06/2019 - 20h21 - Atualizada em: 27/06/2019 - 19h46

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    Por Samuel Nunes
    Justificativa do projeto copiou parte da biografia de Dilma, disponível na internet
    Justificativa do projeto copiou parte da biografia de Dilma, disponível na internet
    (Foto: )

    O vereador Lino Peres (PT) pediu nesta quarta-feira (26) o arquivamento de um projeto de resolução que poderia conceder o título de cidadã honorária à ex-presidente Dilma Rousseff. A proposta tinha sido apresentada pela vereadora suplente Carla Ayres (PT), que ficou no cargo durante 30 dias, em 2018. Na ocasião, ela substituiu o próprio Lino.

    O projeto de resolução de Ayres estava na pauta de votações do plenário. Por não conter nenhum item inconstitucional, o texto foi aprovado sem problemas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

    O vereador Miltinho Barcelos (DEM) foi o relator que analisou a proposta na CCJ. Embora o partido dele seja contrário aos ideais petistas e tenha se mantido na oposição durante o governo de Dilma Rousseff, o parlamentar disse que não tinha motivos para barrar a proposição.

    "Em que pese, mesmo este vereador não concordando com a demanda, considerando que a pessoa não mereça tal honraria, não encontro óbices de natureza legal ou constitucional que impeçam a normal tramitação da matéria, motivo pelo qual manifesto-me pela admissibilidade da proposição", escreveu Barcelos no voto apresentado à CCJ.

    Texto de internet

    Quando qualquer projeto é apresentado numa casa legislativa, o autor deve anexar junto uma justificativa para que aquela proposta seja analisada. Isso, no entanto, não aconteceu no caso da iniciativa de conceder o título de cidadã para Dilma Rousseff. Em vez de explicar aos colegas as razões pelas quais a ex-presidente mereceria o título, a então vereadora Carla Ayres apenas copiou parte da biografia de Dilma, disponível no site Wikipedia.

    Embora alguns trechos tenham sido suprimidos — como os que tratam das controvérsias envolvendo a gestão —, a parte em que trata do impeachment de Dilma é citada sem cortes. Tal como no site de pesquisas, não há adjetivos que possam denegrir ou vitimizar a ex-presidente.

    O site Wikipedia é colaborativo e tem como proposta ser um banco de dados sobre diversas áreas do conhecimento. Por não ter um controle rigoroso do ponto de vista acadêmico, ele não costuma ser utilizado como fonte oficial, já que qualquer usuário pode alterar as informações de acordo com o próprio desejo.

    No caso do texto sobre Dilma Rousseff, os usuários listaram 421 fontes de pesquisa para construir a narrativa sobre a vida da ex-presidente. Também são citados oito páginas externas oficiais, ligadas à petista ou ao Partido dos Trabalhadores, ao qual é filiada.

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