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Campanha quer aumentar o número de doadores de medula óssea em SC

Além da pequena quantidade, taxa de compatibilidade é de um doador para cada 100 mil receptores

29/03/2017 - 09h01

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Por Redação CBN Diário

Imagine uma loteria em que a chance de ganhar é de uma a cada 100 mil. Parece bom, levando em consideração concursos mais disputados, da ordem de um para 50 milhões. Mas se o prêmio desse concurso for o direito de viver, a situação fica mais séria e dramática.

Essa é a angústia de quem precisa de um transplante de medula óssea para se recuperar de um quadro de leucemia ou de outras doenças que atingem o sangue, por exemplo. Além de ter que lutar contra a doença, o paciente tem que contar com a solidariedade e com a sorte para encontrar, entre os poucos voluntários disponíveis, alguém que seja compatível e possa lhe doar as células extraídas do interior dos ossos.

O universo de possibilidades é relativamente reduzido em Santa Catarina. O Hemosc, hemocentro do Estado que administra o cadastro dos doadores e faz coletas, tem registrados pouco mais de 150 mil voluntários aptos a doarem medula óssea para quem precisa. Acontece que 30% deles costumam não ser localizados ou negarem se submeter ao procedimento de coleta quando são contactados. "Muita gente até se coloca à disposição, geralmente movido por uma questão pessoal, para doar para um parente ou amigo próximo. Mas quando ligamos em outra oportunidade para que ele possa doar para outros, se recusam", diz a gerente do Hemosc, Denise Gerent.

Alguns dos casos de recusa são fundamentados no medo que muitos sentem do procedimento, o que é desnecessário segundo os médicos. Ao se cadastrar, o voluntário terá 5 ml de sangue extraídos de forma simples, como num exame de rotina. Os dados físicos, pessoas, biológicos e genéticos serão armazenados num cadastro, e disponibilizados para consulta pelos operadores do Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (Redome). Quando alguém precisar de uma transfusão de medula, a base será consultada e quem for compatível, será contactado.

É só a partir deste momento que outros exames serão feitos, para comprovar que o voluntário poderá doar medula a outra pessoa. Se for aprovado, ele será submetido a um procedimento médico para a coleta das células dos ossos da bacia. A liberação para que o doador retorne à rotina normal acontece em cerca de sete dias.

"A gente nunca sabe quando vai precisar. Temos que pensar nisso como um bem pra sociedade, não apenas para as pessoas que conhecemos ou que amamos", diz o vice-presidente da Associação dos Pacientes Renais de Santa Catarina (Apar), Juarez Nunes. A entidade lançou nesta quarta-feira mais uma edição da campanha de conscientização para aumentar o número de voluntários doadores.

As peças, produzidas por meio de uma parceria com a agência de publicidade Propague e com a produtora 30 por segundo, ambas de Florianópolis, têm a participação do ator Reinaldo Gianechini e serão veiculadas no rádio, na televisão e em busdoors a partir desta semana.

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