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Entrevista exclusiva

Carlos Burle indica que SC deve receber evento mundial de surfe de ondas grandes

Praia do Cardoso deve ser chancelada pela WSL para receber um QS, evento de acesso, para o Circuito Mundial de Ondas Grandes

23/04/2016 - 12h59 - Atualizada em: 21/06/2019 - 23h05

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Por Redação NSC
Carlos Burle chegou em Santa Catarina neste sábado  para evento na Mormaii
Carlos Burle chegou em Santa Catarina neste sábado  para evento na Mormaii
(Foto: )

O big rider Carlos Burle pousou no aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, às 11h deste sábado e depois de conversar em exclusividade com a reportagem do Diário Catarinense, seguiu de helicóptero para Garopaba, onde participa de um evento na Mormaii para o lançamento da temporada de inverno. Na conversa que durou 40 minutos no saguão do aeroporto, Burle falou do prazer que tem com o litoral catarinense e revelou que está praticamente certo a realização de um evento Qualifying Series (QS) pela Wolrd Surf League (WSL), que pode classificar para o Circuito Mundial de Ondas Grandes.

— A WSL tem interesse em chancelar isso ainda este ano e teremos uma reunião nesta semana para tratar disso. Queremos transformar a competição que já ocorreu ano passado em um campeonato de surfe qualifyng para o Circuito Mundial de Ondas Grandes — explica Burle.

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A intenção de colocar Santa Catarina no calendário mundial do surfe de ondas grandes, ainda que seja em evento classificatório, é resultado do trabalho realizado na região sul do Estado com surfistas locais como Thiago Jacaré, e das conversas com diretores da WSL, que entenderam o argumento de inserir o Brasil de modo mais incisivo no mapa das grandes ondas do mundo. Burle argumenta que o país não tem ondas de tamanho expressivo, mas tem um grande número de atletas com performances relevantes e novos talentos, que podem ganhar chances melhores a partir de um campeonato como esse.

— Nós todos sabemos que o Brasil não tem as ondas grandes ou gigantes que gostaríamos. Mas é importante deixar mais claro ainda que o brasileiro surfa ondas grandes no mundo inteiro e cada vez mais brasileiros tem buscado esse tipo de surfe. Deixar o Brasil de fora só porque não tempos as ondas como Circuito Mundial trabalha, não entendo que seja justo. Pensamos dessa forma, e diretores da WSL também — contextualiza o surfista.

O campeonato seria uma reedição do Desafio Mormaii de Ondas Grandes, realizado em 2015 com a presença dos principais big riders brasileiros, mas com o apoio novos patrocinadores e chancela da WSL. O evento seria realizado na Praia do Cardoso, em Laguna, ao lado do Farol de Santa Marta, ainda sem data definida. No evento de 2015, que ocorreu em setembro, as ondas atingiram 3,5 metros e o título ficou por conta do surfista Lapo Coutinho.

O Circuito Mundial de Ondas Grandes é composto por 8 etapas com 24 atletas por etapa, sendo muitos desses convidados locais ou premiados por filmagens. Atualmente Carlos Burle o único brasileiro presente e a expectativa e que Pedro Calado conquiste vaga para 2016/2017. A competição na Praia do Cardoso seria ideia de proporcionar uma oportunidade a mais e mais próxima do surfista brasileiro para se inserir nesse circuito de elite.

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Como está o Brasil nesse mercado? Além de bons surfistas temos boa tecnologia?

O Brasil e a Mormaii tem um papel até pioneiro no desenvolvimento nesse material de segurança dentro da água. Juntos a gente já passou por várias fazes de desenvolvimentos nesses produtos. Até mesmo a ideia de que as roupas ajudem a flutuação e proteção das áreas que mais sofrem impactos. Estamos em crescimento.

E isso tem ajudado a surfar melhor e arriscar mais?

Se olharmos a história recente do surfe percebe-se uma evolução clara de prancha, para começar. Mas a evolução está na qualidade dos materiais para as roupas, o uso de jet-skis. Toda essa estrutura ajuda a surfar ondas maiores porque o surfista se sente mais seguro. Hoje é possível fazer um primeiro resgate dentro da própria água, no jet-ski. Tudo isso é importante assim como o maior conhecimento dos surfistas sobre cursos, técnicas de segurança e salvamento. Os bigriders surfam ondas maiores, antes inimagináveis, com segurança.

Além desse aspecto profissional, qual tu ligação com Santa Catarina e o surfe local?

A história do surfe, com certeza. Eu, que sou de Recife, e tive que deixar minha terra para crescer no surfe, sempre soube que o surfe profissional passava por Santa Catarina. Entrei em muito ônibus a caminho de SC para competir em Florianópolis. Lembro que comecei a me destacar aqui na Joaquina. Depois, comecei a voltar para conhecer as ondas de Garopaba, e gostei muito das praias e da cidade. As pessoas em Garopaba tem um perfil de qualidade de vida muito bom que eu gosto muito. Tem esse relação de carinho e gratidão com o Estado. E só não vim morar aqui, porque é meio "parado" em relação à mídia. No Rio de Janeiro isso tudo aconteceu com mais facilidade.

Em Garopaba, o que te chamou mais atenção?

A Praia da Silveira. No Brasil não tem muitas praias de fundo de pedra, com uma onda mais perfeita. A Silveira me chamou muito atenção por causa disso. Hoje sabemos que existem outras, e até mesmo lajes.

E a Laje da Jágua. Tens pensado e se organizado algo para surfar por lá?

A Laje de Jaguaruna é uma onda muito importante no Brasil para quem gosta de ondas grandes porque nos dá condições para remar em uma onda grande, de até 6 metros. Tem até condições de town in. Eu tenho como planos fazer uma sessão de surfe lá e colocar a Laje da Jaguá no meu programa Desejar Profundo, no Canal Off. Tenho boa relação com amigos surfistas daqui e sabemos que o Estado tem essa relação especial com o surfe e queremos que ela se estenda para ondas grandes. Por isso o Campeonato de Ondas Grande na Praia do Cardoso, em Laguna. Que esse ano trabalhamos para fazer parte do QS Mundial de Ondas Grandes da WSL.

É real essa possibilidade para a Praia do Cardoso ainda este ano?

Sim. A WSL tem interesse em chancelar isso ainda para esse ano e teremos uma reunião nesta semana para tratar disso. Em transformar a competição que já ocorre em um campeonato de surfe qualifyng para o Circuito Mundial de Ondas Grandes.

Mas o ponto tem as condições, ou mesmo uma janela de tempo, com as condições ideias para um evento mundial de grandes ondas?

Nós todos sabemos que o Brasil não tem as ondas grandes ou gigantes que gostaríamos. Mas é importante deixar mais claro ainda que o brasileiro surfa ondas grandes no mundo inteiro e cada vez mais brasileiro tem buscado esse tipo de surfe. Deixar o Brasil de fora só porque não tempos as ondas como Circuito Mundial trabalha, não entendo que seja justo. Pensamos dessa forma, e diretores da WSL também. Vamos trabalhar para esse QS dê acesso ao novas gerações ao surfe de ondas grande, mesmo que isso nos traga questionamentos em relação ao tamanho das ondas. Mas ressalto, o mais importante é que o evento aconteça.

Claro que torcemos que seja aqui. Mas por que aqui e não em outro lugar do Brasil?

Pela iniciativa das pessoas que trabalham com surfe na região. Por inciativa dos locais, de pessoas como o Thiago Jacaré. Saquarema, no Rio de Janeiro, poderia segurar. Itacoatiara também poderia ser. Mas está acontecendo aqui, e aqui é mais viável. A história se constrói por empenho também, e méritos do Jacaré que sempre trabalhou por isso. Estou feliz de ver isso pode se concretizar neste ano. Queremos que isso se torne parte do calendário.

O que falta para isso acontecer?

Está muito bem encaminhado. Vamos ver questão de patrocínio e outros detalhes para tratar essa semana. Pessoal daqui já está sabendo. Todo mundo está querendo que aconteça.

Por que isso é tão importante para o Brasil?

Qual o caminho que um surfista brasileiro deve fazer para crescer no surfe de ondas grandes? Não tão claro e um campeonato assim coloca mais gente em contato e mais talentos para se desenvolverem. Queremos que a nova geração de ondas grande do Brasil, tendo acesso ao Circuito Mundial de Ondas Grandes. Esse campeonato pode oportunizar isso.

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