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Região Norte

Casas afetadas por deslizamento na SC-108 são desinterditadas em Guaramirim

Seis meses depois, moradias atingidas por deslizamento de terra são desinterditadas, mas moradores têm dúvidas sobre consertos 

06/09/2019 - 09h29 - Atualizada em: 06/09/2019 - 13h44

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Redação
Por Redação AN
Arlei Lopes é um dos que teve a moradia afetada e não sabe se terá ajuda para reconstruir
Arlei Lopes é um dos que teve a moradia afetada e não sabe se terá ajuda para reconstruir
(Foto: )

* Por Sabrina Quariniri, Especial para o "AN"

Após quase seis meses, moradores próximos da rodovia SC-108, que foram atingidos por um deslizamento de terra durante as chuvas de fevereiro, começaram a ter suas casas desinterditadas. Segundo o diretor da Defesa Civil Municipal de Guaramirim, Ezequiel Souza, na semana passada foram realizados voos com drones, quando foi constatado que os riscos de novos deslizamentos passaram de alto para baixo. Também foram feitas sondagens e drenagem no local que permitiram a liberação dos imóveis aos proprietários.

— Já começamos a desinterdição ontem. No máximo até segunda-feira serão entregues todos os laudos aos moradores.

As 68 casas interditadas na Vila Freitas, conforme Souza, devem ser liberadas e, a princípio, nenhuma terá indicação para demolição. Mas a decisão final cabe à Defesa Civil Estadual, ressalta ele. Até ontem, o município ainda não tinha a informação final de quantas casas vão precisar ser demolidas.

Arlei Pereira Lopes é um dos moradores que teve a moradia atingida pelo desmoronamento de terra. Uma das paredes laterais da casa foi destruída. O homem, de 51 anos, teve de ir morar com a mulher e dois filhos, de 18 e nove anos, na casa da cunhada, no Bananal do Sul, cerca de três quilômetros dali, onde atualmente paga aluguel.

— Além da parede, o poste de luz quebrou ao meio e o encanamento de água arrebentou.

Lopes ainda espera uma resposta se receberá ajuda para arcar com as despesas decorrentes do deslizamento. Segundo ele, por enquanto, ninguém deixa claro esse tipo de informação. Além da casa onde morava com a família, Lopes possuía outros três imóveis alugados, que foram engolidos pela terra.

— Chegamos até a ir atrás de recursos com a prefeitura (de Guaramirim), que indicou procurar um advogado. Mas até agora não tivemos resposta.

Defesa Civil explica situação

Sandra Freitas, 34, duas irmãs e a mãe, tiveram de desocupar o local onde moravam com as mesmas incertezas de Arlei: com as casas sem luz, água, telefone e internet, não sabem se precisarão tirar dinheiro do próprio bolso para arcar com os prejuízos causados.

— Além dessas despesas com as instalações que teremos de fazer novamente, com as mudanças perdemos muitos móveis também. Precisamos de uma resposta o mais urgente possível.

Sandra está morando a dois quilômetros e meio acima de sua antiga residência, de aluguel, pago pela prefeitura. Ela lamenta que, no local dos deslizamentos, muitas casas estão sendo alvo de furtos. Segundo Sandra, a polícia chegou a fazer patrulhas na região, mas apenas na primeira semana.

— Estavam roubando até o forro das casas — diz a moradora.

Em nota, a Defesa Civil informa que, em consonância com as informações e tratativas com a Defesa Civil Municipal de Guaramirim, serão entregues seis casas para os moradores que tiveram as residências totalmente destruídas durante a ocorrência registrada no município.

As famílias, no total de 62 que tiveram as casas interditadas, 60 poderão retornar aos imóveis após o término da obra ou pela liberação da Defesa Civil Municipal de Guaramirim que fará a análise de cada caso e que apontou a necessidade da continuidade da interdição de duas (02) residências.

"A ordem de serviço para a obra foi emitida no dia 14 de agosto de 2019, data que iniciou a mobilização para o inicio dos trabalhos. Até o momento foi realizado o trabalho de limpeza da vegetação na parte superior com o objetivo de verificar o sistema de drenagem, realizar o dimensionamento do projeto e instalação do muro de contenção que fará a estabilização do talude superior", explica o órgão.

Na nota diz ainda que na parte inferior, foram retirados os escombros e o material que cedeu durante o deslizamento de terra. Que esta atividade é realizada para preparar o terreno que vai receber o muro de contenção que fará a estabilização do talude inferior e da pista de rolamento da SC 108 que permanece interditada

"O andamento da obra está conforme o cronograma previsto. Caso não ocorram situações que atrapalhem as atividades, a exemplo de fortes chuvas, a previsão de conclusão é de aproximadamente 75 dias", finalizou.

SC-108 está em recuperação

Na metade de agosto, foram iniciadas as obras de recuperação da SC-108, que estava fechada para o trânsito desde 18 de fevereiro, também por causa do deslizamento que destruiu parte da pista. Por enquanto, foram realizadas drenagem e limpeza do solo, com retirada de entulhos da encosta à esquerda.

Além disso, a empresa responsável pelas obras, de Palhoça, já montou o canteiro de obras, entre os quilômetros 34 e 35. São dois contêineres que serão usados como almoxarifado e escritório pela equipe que, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para a recuperação, produz o projeto técnico. Ele deverá ser apresentado até 15 de setembro, com todas as especificações.

A Defesa Civil fez um plano de trabalho, especificando que deveria ter um muro tipo gabião e uma crib wall, além da realização da drenagem. O gabião será colocado na encosta com pedras britadas e amarradas por telas flexíveis, drenantes e de grande durabilidade e resistência. A ideia é que evitem novos deslizamentos. Em cima, terá a contenção em crib wall, com peças modulares que formarão um grande muro. A empresa montará a frente de trabalho e produzirá as peças no local, já que o prazo é curto: as obras devem ficar prontas em 90 dias.

O investimento total é de R$ 2,1 milhões, em recursos federais. A SC-108 é uma das principais vias de ligação entre Guaramirim e Blumenau. De acordo com estimativa da prefeitura, cerca 15 mil veículos passam pela estrada diariamente.

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