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Literatura

Centenário de Clarice Lispector é celebrado com lançamentos e eventos virtuais

Em 2020, livros da autora ganharam novas capas e conteúdo extra inédito

07/12/2020 - 07h24

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Marina
Por Marina Martini Lopes
Clarice Lispector se consagrou como uma das maiores escritoras de língua portuguesa de todos os tempos
Clarice Lispector se consagrou como uma das maiores escritoras de língua portuguesa de todos os tempos
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A data de 10 de dezembro de 2020 marca o centenário de Clarice Lispector: com seu estilo inimitável, a autora se consagrou como uma das maiores escritoras de língua portuguesa de todos os tempos. Em comemoração aos seus cem anos, novas edições de sua obra vem sendo lançadas desde o ano passado, com capas e conteúdo extra inéditos - os relançamentos serão encerrados pela publicação de A Hora da Estrela, pela editora Rocco, neste mês. A reedição tem posfácio de Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice.

"O leitor não deve imaginar que ao escritor compete apenas criar situações e personagens como se fossem enigmas a serem decifrados pelo leitor", escreve Paulo na nova edição. "No caso de A Hora da Estrela, há um sentido claro e direto, sem mistérios: a vida é cruel, injusta e dramática para os excluídos do progresso na metrópole brasileira. Dito isso, o romance estaria pronto. No entanto, há muitos outros recursos - acredito que mais inconscientes do que propositais - usados pelo autor."

Assinado pelo designer Victor Burton, o novo projeto gráfico dos livros traz nas capas recortes de telas feitas por Clarice, que pintou 22 quadros ao longo da vida. Na orelha dos títulos, o leitor encontra a íntegra da tela retratada na capa; como a obra Sem título, que ilustra o romance de estreia Perto do Coração Selvagem e pertence ao acervo da escritora Nélida Piñon, e o quadro Escuridão e Luz: centro da vida, que aparece na reedição de O Lustre. Na contracapa, a foto de Clarice corresponde sempre à década em que cada livro foi originalmente publicado.

Os posfácios são escritos por grandes especialistas da literatura "clariceana", como Nádia Battella Gotlib, Clarisse Fukelman, Benjamin Moser, Aparecida Maria Nunes, Ricardo Iannace, Marina Colasanti, Eucanaã Ferraz, Teresa Montero e Arnaldo Franco Junior. O cineasta Luiz Fernando Carvalho, diretor da adaptação para o cinema de A Paixão Segundo G.H., também assina um dos textos finais.

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Somando os livros póstumos, Clarice Lispector tem 18 obras publicadas. Seus títulos foram traduzidos para 32 idiomas e estão presentes em 40 países. A Hora da Estrela, sozinho, já vendeu mais de um milhão de exemplares dede 1998, quando foi publicado pela primeira vez.

A comemoração do centenário vai contar também com uma programação especial online. A quinta-feira, dia 10, começa com uma live promovida pela editora Rocco, às 11h, com a biógrafa de Clarice, Teresa Montero: Teresa está preparando o relançamento de Eu sou uma pergunta: uma biografia sobre Clarice Lispector em edição revisada e ampliada.

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Logo depois, será exibido um vídeo de Zélia Duncan fazendo uma leitura do livro Todas as Cartas, lançado em setembro deste ano. O editor da obra da autora na Rocco, Pedro Vasquez, também faz uma live, às 14h, sobre o trabalho de editar a literatura clariceana. Às 15h, no Facebook, será retransmitido o debate de Guiomar de Grammont com Nélida Piñon no Fórum das Letras de Ouro Preto.

Ainda no 10 de dezembro, a editora lança um podcast inédito sobre A Hora da Estrela, com André Paes Leme e Laila Garin, diretor e atriz do musical. Às 19h, será exibido um mini documentário com Victor Burton sobre o novo projeto gráfico dos livros. Para fechar o dia, a vigília Clarice 100 Anos vai promover um sarau virtual com a participação do público, começando às 22h e seguindo madrugada adentro, com coordenação de João do Corujão.

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