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    Paralisação Nacional 

    Centenas de pessoas se mobilizam em Joinville contra cortes na educação

    Professores e estudantes fizeram protestos na Praça das Bandeiras e andaram pelas ruas do Centro na tarde desta quarta-feira (15)

    15/05/2019 - 18h04 - Atualizada em: 15/05/2019 - 18h13

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    Redação
    Por Redação AN
    Estudantes caminharam pelas ruas do Centro de Joinville
    (Foto: )

    Instituições de ensino de Joinville aderiram à paralisação nacional contra o corte de verbas para educação, que foi anunciado pelo MEC. Representantes de universidades, escolas estaduais, Centros de Educação Infantil (CEIs) e sindicatos realizaram o manifesto pela manhã e tarde da última quarta-feira (15) em Joinville.

    Recursos para todas as etapas de ensino, da educação infantil à pós-graduação, foram reduzidos ou congelados. A medida inclui verbas para construção de escolas, ensino técnico, bolsas de pesquisa e transporte escolar. Os protestos acontecem em todo o país e são organizados por sindicatos de professores e servidores das universidades, além da adesão de estudantes e de trabalhadores da educação das redes pública e privada de ensino fundamental e médio.

    Centenas de pessoas andaram pelas ruas de Joinville em protesto
    Centenas de pessoas andaram pelas ruas de Joinville em protesto
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    Segundo a Polícia Militar, cerca de 400 pessoas se concentraram na Praça das Bandeiras, região central da cidade, para a manifestação que iniciou às 15h. Por volta das 16h30, os manifestantes percorreram as ruas Dona Francisca, Princesa Izabel, do Príncipe, Dr. Marinho Lobo e Rio Branco até retornarem à Praça das Bandeiras onde concluíram a manifestação.

    Estudantes durante a mobilização, no Centro de Joinville
    Estudantes durante a mobilização, no Centro de Joinville
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    Maria Gisele Pires é professora de História do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e, ela e os colegas de trabalho, presenciaram a manifestação contra os cortes das verbas.

    — Estão jogando a ponta da crise que eles tanto falam para um setor que, na verdade, é um dos mais importantes do país. Sem a educação, sem a formação que é dada, e a gente pode falar do IFSC, vamos ter um comprometimento tanto na formação desses alunos quanto em relação à pesquisa, porque é nas universidades e institutos públicos que são realizados a maior percentagem de pesquisas do país — diz.

    Segundo ela, é importante comparecer a movimentos como esse para evitar a desinformação.

    — É muito importante “mostrar a cara”, mostrar quem somos nós. É muito colocado que (investir em educação) não é importante, ou que se gasta muito, mas, pelo contrário, a gente já está trabalhando com o mínimo — afirma.

    Segundo a colega de trabalho de Maria, a professora Lukese Rosa Meneguessi, os trabalhos de 2019 também podem ser comprometidos a partir dos cortes de verbas.

    — Se a gente continuar nesse ritmo, a gente não teria, por exemplo, como terminar o ano devido à redução. Educação é investimento. Há outras áreas do governo para que sejam cortadas — pontua Lukese que também é coordenadora de área do IFSC.

    Docentes do IFSC durante a mobilização
    Docentes do IFSC durante a mobilização
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    A estudante Ana Beatriz Gonçalves Vieira, de 20 anos, estuda engenharia naval na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e desenvolve um projeto de extensão no laboratório da universidade. Por meio do projeto, ela torna mais viáveis e acessíveis os conteúdos massivos da área de transporte. Para ela, o corte nas verbas vai impactar o desenvolvimento do Brasil.

    — Têm muitas pessoas que dependem de bolsa para ingressar na universidade. São elas quem desempenham papeis importantes e fazem grandes pesquisas em todas as universidades do país. Se um país não tem pesquisa, não tem extensão, ele não tem como se desenvolver. O Brasil ainda é um país em desenvolvimento. Todos os outros desenvolvidos precisaram de investimento na educação bruta para conseguir evoluir e se tornarem quem são hoje — destaca a estudante.

    Estudante da UFSC, Ana Beatriz protesta contra corte de verbas
    Estudante Ana Beatriz protesta contra corte de verbas
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    Assim como para quem continua vivenciando a rotina de universidades e institutos, também há quem já passou pelos corredores há anos e decidiu comparecer à paralisação, como é o caso da professora aposentada Terezinha Bissoli, de 72 anos.

    — Na UFSC eu abri os meus olhos para perceber como tem gente que nos engana. E comecei a lembrar das minhas aulas de filosofia lá do ensino médio, como os filósofos questionadores que diziam como é preciso pensar os seus ensinos e sua relação com os outros. Isso eu passei aos meus alunos e, agora, eu estou aqui para compartilhar com essa juventude. Eles estão entendendo o valor disso aqui. Vim de casa, de propósito, para sentir a minha cidade que eu amo tanto — relata.

    Da esquerda para a direita: as professoras aposentadas, Maruise da Silva (67) e Terezinha Bissoli (72)
    Da esquerda para a direita: as professoras aposentadas, Maruise da Silva (67) e Terezinha Bissoli (72)
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    Registros nas universidades

    No campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) de Joinville, a maioria dos 1.600 estudantes trocou as salas de aula pela mobilização contra os cortes na educação. Já na Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências Tecnológicas (Udesc), professores e alunos aproveitaram a visita dos estudantes do ensino médio de outra instituição para se mobilizar. Os laços pretos amarrados nos braços foi o sinal de luto contra os cortes na educação.

    Na Udesc, cerca de 20 professores que aderiram à mobilização não foram para a instituição e aproximadamente 500 alunos ficaram sem aulas. A unidade estadual também pode perder verba no próximo ano. O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias, enviado no início deste mês para a assembleia legislativa, prevê um corte de 10% no orçamento de 2020 da instituição. O que corresponde a cerca de R$ 40 milhões.

    De acordo com a Prefeitura de Joinville, foram registradas 859 faltas de um total de 5700 servidores e 11.411 alunos não compareceram às aulas. Segundo a Secretaria de Educação, as 86 escolas e os 70 CEIs mantiveram atendimento. Em casos pontuais de falta de professores, a equipe pedagógica realizou atendimento aos alunos.

    No campus de São Francisco do Sul do Instituto Federal Catarinense (IFC) também houve atos contra o corte de recursos na educação.

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