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Cervejarias do Vale projetam investir R$ 12,5 milhões para ampliar mercado

Valores serão injetados para ampliar mercado de cervejas artesanais

25/05/2016 - 08h02 - Atualizada em: 25/05/2016 - 10h01

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Por Redação NSC
Os planos variam desde a abertura de fábricas ao aumento da capacidade de produção
Os planos variam desde a abertura de fábricas ao aumento da capacidade de produção
(Foto: )

Seria exagero afirmar que o mercado de cervejas especiais passa ao largo da crise econômica, mas a julgar pelos planos de expansão das cervejarias do Vale do Itajaí dá para dizer que é mais ou menos isso que acontece - pelo menos com a maior parte delas. O Santa levantou informações de 19 fabricantes da bebida na região e constatou que, juntas, elas projetam injetar R$ 12,5 milhões entre o segundo semestre deste ano e 2017.

Enquanto algumas pregam cautela diante da turbulência enfrentada pelo país, outras já bateram o martelo e aceleram o passo para transformar os investimentos literalmente em resultados líquidos.

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Os planos variam desde a abertura de fábricas ao aumento da capacidade de produção, passando por ações de marketing e merchandising (saiba mais na tabela ao lado). É claro que o momento de retração atrapalha e impede que o crescimento seja maior do que o imaginado, mas o setor busca se apoiar no potencial do produto: as cervejas especiais ainda representam uma fatia irrisória do mercado nacional, algo entre 1% e 1,5%.

- O restante consome cerveja de massa, então tem bastante espaço para crescer. Isso influencia bastante nessa perspectiva positiva do segmento - avalia Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação das Microcervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc).

Muito além do tamanho do mercado que pode ser abocanhado, uma série de acontecimentos nos últimos anos contribuiu para fortalecer o segmento. A Oktoberfest, por exemplo, foi um trampolim para as cervejarias artesanais: ao dar mais espaço para elas, a festa abriu as portas para que fabricantes locais impulsionassem a divulgação de suas marcas Brasil afora.

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O Festival Brasileiro da Cerveja, com o concurso de receitas e a feira de negócios, se consolidou como principal encontro do gênero da América do Sul, os eventos gastronômicos da região sempre trazem as cervejas da casa e a Escola Superior de Cerveja e Malte capacita centenas de pessoas todos os anos na produção da bebida.

Além disso, foi criada em Blumenau a primeira malteria especial do país. Sem falar que, recentemente, a cidade foi reconhecida como Capital Nacional da Cerveja por meio de um projeto de lei da Câmara dos Deputados. Tudo isso, avaliam lideranças do trade turístico, foi possível graças a uma soma de empreendedorismo e união de forças e associativismo da cadeia produtiva.

- Temos uma associação catarinense que funciona muito bem e as entidades estão organizadas. Há outras regiões com cervejarias se desenvolvendo, mas talvez elas não tenham a mobilização que temos aqui. Esse é o diferencial - diz Valmir Zanetti, presidente da Instância de Governança do Vale Europeu.

A bebida como produto turístico

Lançada em março em meio ao Festival Brasileiro da Cerveja, a rota Vale da Cerveja, uma iniciativa conjunta de diversas entidades e que conta com apoio do poder público, é uma das principais apostas para impulsionar o setor e atrair amantes da cerveja durante os chamados meses "frios" do ano - não necessariamente no inverno, mas nos períodos em que não há eventos relacionados à bebida programados para a região, como as festas de outubro.

O presidente da Associação das Microcervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc), Carlo Giovanni Lapolli, diz que as primeiras semanas foram importantes para identificar pontos a serem melhorados nos roteiros, que incluem visitas a cervejarias e comércios que englobam a cadeia produtiva da bebida.

Já há um consenso que é preciso aprimorar equipamentos turísticos - como hospedagem e restaurantes - e qualificar prestadores de serviços, a exemplo de taxistas e recepcionistas de hotéis. A ideia é que esses profissionais, que são os primeiros a terem contato com turistas, "vendam" o segmento aos visitantes.

O selo de qualidade da cerveja produzida na região é outro grande diferencial. Frequentemente as cervejarias do Vale são premiadas nos mais importantes concursos internacionais da bebida. Diante desses fatores, o secretário de Turismo de Blumenau e presidente do Conselho Estadual de Turismo, Ricardo Stodieck, já visualiza a cerveja como o principal produto turístico da região num futuro não muito distante.

- Vai haver uma transformação no turismo da região do Vale a exemplo do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul. As operadoras já estão vendendo muito a região e a aceitação é grande - diz.

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