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Claudio Loetz: Presidente da Mexichem (Amanco) fala de planos e apoia CPMF

Colunista de "AN" entrevista joinvilense Maurício Harger explica como companhia vai atuar em ano de crise

15/02/2016 - 05h32

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Por Redação NSC
Maurício Harger é presidente da Mexichem Brasil há quatro anos
Maurício Harger é presidente da Mexichem Brasil há quatro anos
(Foto: )

O executivo joinvilense Maurício Harger ocupa a presidência da Mexichem Brasil (dona de marcas Amanco, Plastubos e Bidim) há quatro anos. Está há 11 anos na empresa. Nesta entrevista exclusiva, concedida no último dia 5, na unidade joinvilense do bairro Floresta, ele conta como a companhia reagiu à crise em 2015, fala de planos e aponta os principais desafios a serem enfrentados em meio à recessão. Neste ambiente complexo, Harger não se furta a dizer que é favorável à recriação da CPMF. Neste assunto, é uma voz praticamente isolada no meio empresarial brasileiro.

Que ajustes a Mexichem fez em suas unidades?

Harger - O principal movimento ocorreu em duas unidades menores. Deslocamos a produção de Maceió para Recife e a de Uberaba para Ribeirão das Neves (MG). Começamos 2015 congelando contratações. Ao longo do ano desligamos alguns funcionários em Joinville.

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Qual foi o desempenho do grupo em 2015?

Harger - Decrescemos nas vendas, mas muito menos do que a média do mercado.

Empresários e analistas têm dito que a crise se estenderá até 2017, com início de retomada só em 2018.

Harger - Não adianta acelerar agora. A tendência para 2016 é de um ano bastante desafiador. Ações contundentes de retomada mais agressiva da economia são esperadas só para 2018.

O governo quer recriar a CPMF. Sempre busca mais receitas via impostos.

Harger - Vamos, a sociedade, ter de pagar uma parte da conta. Não tem como fugir da CPMF. Não há como. É um tributo eficiente, e pega a todos, indistintamente. Será preciso dois anos assim, para o Brasil ganhar, adiante, no longo prazo, dez ou mais anos.

E o mercado para a baixa renda?

Harger - O programa Minha Casa, Minha Vida é importante. Ainda há déficit habitacional expressivo.

Como ficam os negócios em infraestrutura?

Harger - Na área de infraestrutura tem muito a acontecer. No longo prazo, não há como parar a expansão de negócios relacionados à infraestrutura.

Como a Mexichem está no ramo de dutos de fibra óptica?

Harger - A Mexichem passou a atuar no segmento de telecomunicações em 2015, por meio da Dura-Line, marca adquirida em 2014, e se tornando líder mundial no segmento de dutos e microdutos para fibra óptica.

Em quais novos segmentos o grupo deve entrar?

Harger - É importante complementar o portfólio da Mexichem para compensar a retração do mercado. A companhia trabalha no desenvolvimento de novas tecnologias e inovação que agreguem valor aos produtos e levem facilidade e praticidade para o cotidiano dos clientes e consumidores. A empresa pretende iniciar neste ano as atividades em novos segmentos de mercado, porém as informações ainda são confidenciais.

Qual é a participação de mercado da companhia no Brasil?

Harger - Evoluímos bastante. Em 2006 tínhamos 16%; dez anos depois, em 2015, atingimos 34% de participação, mais do que dobrando no período.

A Mexichem investirá neste ano?

Harger - Temos o plano de investimento para o triênio 2014-2016, que se encerra em dezembro. São R$ 100 milhões para os três anos.Os investimentos para este ano são de R$ 25 milhões. Investir não é somente aumentar a capacidade de produção. O propósito é ter diferenciais competitivos. Lançamos vários produtos no ano passado.

Que importância tem as unidades de Joinville?

Harger - As duas fábricas são estratégicas e eficientes, com plantas consolidadas que empregam 1,2 mil trabalhadores.

O grupo ainda vai demitir?

Harger - Nossa produção é voltada ao mercado nacional. Fazemos o melhor esforço para evitar redução de quadro.

O que tira o sono do presidente da Mexichem Brasil?

Harger - Do ponto de vista do executivo, o dólar, pois compramos matéria-prima do exterior. A falta de previsibilidade retarda investimentos. E do ponto de vista da empresa, o desemprego, a queda de renda da população e a dificuldade de crédito.

Como os acionistas enxergam o Brasil?

Harger - A imagem do Brasil não é a mesma de antes. Conseguir aprovar investimentos é mais complicado.

Qual é a mais significativa oportunidade para crescer no país?

Harger - A maior oportunidade é termos 204 milhões de pessoas. O investidor sabe que este é um grande mercado. O Brasil continua sendo prioridade para se investir.

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