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Clube de Xadrez de Blumenau completa um século de história unindo passado e futuro

Fundado em 1917, o CXB comemora aniversário nesta quinta-feira

09/03/2017 - 06h01

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Por Redação NSC
Regina e Gustavo representam duas gerações diferentes do xadrez de Blumenau.
Regina e Gustavo representam duas gerações diferentes do xadrez de Blumenau.
(Foto: )

O PASSADO

O lugar hoje está abandonado. Entregue aos moradores de rua, o local onde funcionava o Grande Hotel Blumenau tem história com o esporte da cidade. Foi ali, em 26 de março de 1911 que ocorreu o primeiro jogo de futebol em solo blumenauense. Também no mês de março, só que seis anos depois, uma cafeteria que normalmente atendia os alemães que queriam comer kuchen e apreciar um kaffee, recebeu um grupo de 18 homens com sobrenomes germânicos - do Glasmacher ao Herweg - para jogar xadrez. Peças para lá e para cá, naquele 9 de março de 1917, foi fundado o Clube de Xadrez de Blumenau (CXB) que, cem anos depois, mantém as atividades em um prédio no coração da cidade.

Local onde antigamente funcionava o Clube de Xadrez de Blumenau. (Arquivo CXB)

Atualmente, o clube é o segundo mais antigo em atividade no Brasil - perde apenas para o Clube de Xadrez São Paulo, fundado em 1902 - e direciona os trabalhos para crianças e adolescentes. Tanto é que colocar os pés na sede, localizada no oitavo andar do Edifício Catarinense, é dar de cara com os pequenos aprendendo ou se aperfeiçoando na modalidade. Um exemplo é o professor Wilson Barth. Com a voz calma, leve, ele pega um quadro em que cuidadosamente foram moldadas as peças de xadrez em espuma vinílica acetinada para ensinar a três crianças, de quatro, seis e 10 anos, os detalhes e regras do jogo. É um trabalho feito de forma gradativa, para que os envolvidos se desenvolvam e, mais do que isso, tenham interesse em se manter no esporte.

O PRESENTE

Embora receba em média 50 jogadores por semana, o clube blumenauense tem apenas 60 sócios e luta, mês a mês, para manter as atividades. Desde contas básicas como condomínio, água, luz, até a organização de torneios são algumas das despesas fixas que o CXB tem e que precisam ser contornadas com um ou outro apoio e com a força de vontade de pais voluntários, que garantem a manutenção da estrutura. Sem investimentos mais sólidos e constantes da iniciativa privada - apesar de abranger milhares de estudantes na rede pública e particular na cidade - o clube se vira nos 30 para manter o trabalho e garantir a continuidade da história que hoje completa uma centena de anos.

Professor Wilson Barth ensina o básico do xadrez para crianças. (Patrick Rodrigues)

- A gente se vira do jeito que dá, sempre com o apoio dos pais. Seja com uma pastelada ou qualquer outro evento, encontramos formas para seguir o projeto - conta Janice Dobuchak, mãe de atleta e integrante da comissão de pais que gere o clube.

Sete vezes campeã brasileira e principal nome do xadrez em Santa Catarina, Regina Ribeiro é a referência para os jovens de Blumenau. Sentada à frente de Gustavo Flesch, a mestre internacional feminina, além de jogar, ensina aos mais novos a arte do esporte e suas estratégias. Mesmo 34 anos depois de ter deixado sua terra natal, Regina não consegue deixar de lado os resquícios do puxado sotaque carioca. São mais de três décadas dedicadas ao jogo na cidade, o que a fez receber até mesmo o título de cidadã blumenauense. Parte importante do século de história do clube, a enxadrista não esconde o seu sonho daqui para frente:

- Quero ver o xadrez melhor estruturado em escolas particulares e cada vez mais difundido entre os colégios públicos, para que nós possamos selecionar os talentos e trazê-los para o clube. São muitos os jovens jogadores com potencial em Blumenau e não podemos perdê-los - argumenta Regina.

O FUTURO

Empolgado, animado e com um punhado considerável de energia, Gustavo Flesch é um dos novos nomes da geração do xadrez blumenauense. Em um jogo contra Regina, o garoto de nove anos foi derrotado, é claro, mas já mostra habilidades e estratégias que o potencializam como um grande jogador em um futuro próximo. Conduzindo a entrevista como gente grande, ele conta que entre os vários esportes que pratica, o que ele quer se dedicar mesmo daqui para frente é o de tabuleiro.

- Treino futebol, basquete, tênis de mesa, ginástica olímpica, judô, mas onde mais me dedico, estudo e leio é no xadrez. Quero no futuro me tornar um grande mestre internacional - projeta o menino.

Regina e Gustavo, duas gerações diferentes do xadrez de Blumenau lado a lado. (Patrick Rodrigues)

Com 34 professores integrantes do projeto na escola e mais de 1 mil crianças envolvidas, Blumenau tenta fortalecer o trabalho que envolve o xadrez. Na opinião de Regina, mesmo que um praticante acabe deixando o jogo de lado, sempre levará consigo os seus benefícios, como as consequências da tomada de decisão, o raciocínio lógico e as estratégias que precisam ser colocadas em práticas para poder triunfar. Se isso tiver continuidade, a cidade seguirá como a principal polo do xadrez por longos e longos anos.

- Não podemos ficar para trás e perder espaço para outras cidades, por isso a continuidade desse nosso trabalho é essencial - pontua a mestre internacional Regina Ribeiro, que participou de oito Olimpíadas de Xadrez entre 1982 e 2014, e conquistou um bronze em 1992.

DE CUBA PARA BLUMENAU

Há três anos e meio em Blumenau, o cubano Neuris Delgado Ramirez desembarcou na cidade para ajudar a aperfeiçoar o xadrez. Após passar por Equador, Paraguai e Colômbia, ele se estabeleceu na cidade - e por aqui pretende ficar - com a ideia de melhorar o desenvolvimento de crianças e adolescentes com talento.

- O xadrez de Blumenau sempre teve um ótimo nível e com muitos talentos, tudo isso graças ao trabalho que é feito nas escolas - relata o grande mestre, que tem o objetivo de qualificar os atletas e incentivá-los a seguir na modalidade. Neuris integra o top 200 do mundo e é outra peça fundamental na revelação de futuros enxadristas.

TORNEIOS MARCAM CENTENÁRIO DO CLUBE

Para comemorar os 100 anos, comemorados hoje, o Clube de Xadrez de Blumenau prepara uma série de competições para 2017 e o primeiro deles ocorre já neste fim de semana, na sede da Fundação Pró-Família. Nos dias 11 e 12, vai rolar na cidade o Festival Catarinense da Criança (Fescri), nas categorias Sub-8, Sub-10, Sub-12, Sub-14, Absoluto e Feminino.

Grupo que se reunia para a jogar entre as décadas de 1940 e 1950. (Arquivo CXB)

Além desse, ocorrerão outros quatro torneios: o Aberto de Blumenau, entre 14 e 19 de julho - torneio internacional que contará com a presença de enxadristas internacionais -, o Campeonato Brasileiro Escolar, de 7 a 10 de setembro, o tradicional Circuito dos Reis, além da final do Campeonato Catarinense Absoluto, estes dois últimos ainda sem data confirmada.

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