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Clima de tensão 

Comandante do Exército não considera que houve invasão venezuelana em território brasileiro 

Escaramuça entre civis e militares da Venezuela ocorreu em zona neutra da fronteira com o Brasil, diz general Edson Leal Pujol 

24/02/2019 - 07h39 - Atualizada em: 24/02/2019 - 07h42

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Por GaúchaZH
(Foto: )

* Por Humberto Trezi

Apesar de militares brasileiros considerarem que integrantes da Guarda Nacional venezuelana perseguiram opositores em pleno território brasileiro, o episódio não é confirmado pelo comandante do Exército Brasileiro, general Edson Leal Pujol. Ele considerou que a área onde ocorreu o confronto entre soldados leais ao presidente venezuelano Nicolás Maduro e adeptos do oposicionista Juan Guaidó — em Pacaraima, Roraima — é uma "zona neutra" entre os dois países.

Conforme relato do coronel do Exército brasileiro José Jacaúna de Souza, que comanda operações em Pacaraima, soldados venezuelanos avançaram sobre a fronteira ao se deslocarem até o último marco físico e revidarem as pedradas dos oposicionistas, além de terem disparado bombas de gás contra o território nacional. Até tiros de munição real teriam sido disparados.

Os integrantes da oposição, por sua vez, incendiaram um alojamento de militares venezuelanos. Jacaúna considera todo o episódio uma "agressão" e pediu que o Brasil tome providências diplomáticas.

Já o comandante do Exército, general Pujol, não considera o episódio uma grande anormalidade. Ele analisa que o local é como que "terra de ninguém", um trecho em que brasileiros e venezuelanos costumam transitar livremente. No episódio deste sábado, essa liberdade resultou em confronto entre venezuelanos contra e a favor do governo do seu país.

— Sabemos que os militares venezuelanos não entraram deliberadamente em nosso território e se limitaram a ficar nessa faixa difusa. O caminhão de entrega de ajuda humanitária à Venezuela também ficou parado ali. Pelos relatos que recebi, não dá para considerar um incidente que envolva o Brasil ou brasileiros. Os nervos lá estão à flor da pele — resume o general Pujol.

Itamaraty condena confrontos na fronteira com Venezuela e chama governo Maduro de "criminoso"'

Na madrugada deste domingo (24), a página oficial do Itamaraty no Twitter publicou uma nota a respeito dos confrontos na fronteira com a Venezuela. Em quatro posts, o ministério das Relações Exteriores do Brasil condena os conflitos e diz que os ataques são "um brutal atentado aos direitos humanos".

"O uso da força contra o povo venezuelano, que anseia por receber a ajuda humanitária internacional, caracteriza, de forma definitiva, o caráter criminoso do regime Maduro", diz um trecho da nota. Além disso, a publicação faz um apelo à comunidade internacional, pedindo para "somarem-se ao esforço de libertação da Venezuela".

Neste sábado, três pessoas morreram em decorrência dos confrontos na divisa entre o país de Maduro e o Brasil. Além disso, 285 pessoas ficaram feridas.

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