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    Combater o coronavírus no ambiente de trabalho: uma oportunidade multibilionária

    À medida que as empresas trabalham para descobrir como reabrir seus escritórios de maneira segura, os fabricantes de produtos se desdobram para transformar produtos e serviços em soluções

    10/07/2020 - 13h16 - Atualizada em: 10/07/2020 - 13h36

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    Por The New York Times
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    As empresas que contratam o sistema de gestão do coronavírus oferecido pela Kastle Systems.
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    *Por Natasha Singer e Julie Creswell

    A Truework, uma startup de verificação de renda, desenvolveu recentemente um software que ajuda os empregadores a acompanhar a condição de saúde de seus funcionários.

    Já a Gensler, uma empresa de arquitetura e design, criou um aplicativo de planejamento de ambientes de trabalho que distribui as mesas e outros móveis de escritório de acordo com as regras de distanciamento social.

    Enquanto isso, a empresa de serviços profissionais PwC começou a usar uma tecnologia desenvolvida originalmente para acompanhar estoques de mercadorias em um novo sistema que registra os contatos e as interações entre os trabalhadores, para que estes possam ser notificados em caso de exposição ao coronavírus.

    À medida que as empresas trabalham para descobrir como reabrir seus escritórios de maneira segura, os fabricantes de produtos que vão de móveis de escritório a sistemas de ventilação inteligentes se desdobram para transformar produtos e serviços em soluções. Algumas empresas, como as fabricantes de câmaras térmicas, apresentam seus produtos como equipamentos que servem para conter o vírus e medir a temperatura dos trabalhadores. Outras empresas estão preferindo criar serviços completamente novos.

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    E todas estão diante de um mercado cativo. Para proteger os funcionários e reduzir a responsabilidade sobre surtos do vírus no ambiente de trabalho, as empresas correm para cumprir as diretrizes de saúde pública que envolvem a avaliação de funcionários e o distanciamento social. Nos EUA, o mercado de tecnologias de rastreamento epidemiológico para trabalhadores em breve poderá valer em US$ 4 bilhões ao ano, de acordo com estimativas da International Data Corp (IDC), uma empresa que faz pesquisas de mercado.

    Mas as ferramentas preventivas e as regras no ambiente de trabalho durante a pandemia são uma novidade tão grande – assim como os estudos sobre o vírus – que é muito cedo para dizer se vão funcionar.

    "Até o momento, estamos diante de teorias e métodos que ainda não foram testados. Qual será o componente mais eficaz dessas estratégias de retorno ao trabalho? Não sabemos", disse Laura Becker, gerente de pesquisa centrada na experiência de funcionários na IDC.

    O saguão

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    Quando voltam ao escritório, os trabalhadores podem descobrir que o saguão de entrada se parece mais com a área de segurança de um aeroporto. Pelo menos é isso que a Kastle Systems imagina. A empresa criada há 48 anos, com sede em Falls Church, na Virgínia, projeta, instala e monitora sistemas de segurança em milhares de prédios comerciais e, recentemente, começou a oferecer essa opção aos clientes.

    As empresas que contratam o sistema de gestão do coronavírus oferecido pela Kastle Systems, o "KastleSafeSpaces", podem pedir aos funcionários que baixem um aplicativo que abre automaticamente as portas do escritório para pessoas autorizadas. Os trabalhadores que preenchem um questionário de avaliação de saúde com antecedência podem se dirigir ao saguão na fila rápida para medir a temperatura corporal. Aqueles que foram orientados a ficar em casa após um resultado positivo no exame da Covid-19 entram na lista de funcionários cuja entrada é proibida, e as portas ficarão automaticamente fechadas para eles.

    "A ideia é criar um perfil que identifique quem é seguro, quem não é seguro e quem precisa ser examinado ao entrar. É como nos aeroportos, onde você pode ser liberado previamente ou ser avaliado presencialmente, dependendo do perfil de cada um", comentou Mark D. Ein, presidente da Kastle.

    A Clear, uma empresa de identificação biométrica conhecida por seu serviço de identificação de viajantes aéreos, estreou recentemente um sistema chamado Health Pass, para prédios de escritórios, restaurantes, varejistas, navios de cruzeiro e arenas esportivas. O serviço usará um sistema de reconhecimento facial para confirmar a identidade dos funcionários e avaliar as informações de saúde fornecidas pelos trabalhadores – como dados de sintomas e resultados de exames –, para que sejam autorizados a entrar no local de trabalho. Caryn Seidman-Becker, a executiva-chefe da Clear, explicou que esse tipo de abordagem mista para permitir a entrada pode ajudar a reduzir os riscos para os funcionários, além de criar um ambiente de trabalho mais seguro.

    Os elevadores

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    Uma vez que as partículas do coronavírus podem continuar ativas por horas, ou mesmo por dias, muitas empresas começam a reaproveitar tecnologias para reduzir a dispersão de gotículas. A Kastle afirmou que está modificando um aplicativo que abre automaticamente as portas de escritórios, para permitir que funcionários chamem o elevador e indiquem em que andar querem descer sem a necessidade de tocar nos botões.

    Jennifer Burns, vice-presidente sênior de operações e gestão de imóveis da Monday Properties, uma operadora, incorporadora e proprietária de imóveis comerciais, disse que a empresa limitou a capacidade dos elevadores a quatro pessoas por vez e orientou os funcionários que vão aos andares mais altos a ficar no fundo do elevador durante o trajeto. Também foi demarcada a área onde as pessoas devem ficar. Segundo ela, para aumentar a proteção, a Monday Properties instalou provisoriamente nos botões dos elevadores coberturas antimicrobianas autolimpantes, feitas por uma empresa da Virgínia chamada NanoTouch. A Kastus, uma empresa com sede em Dublin, também está produzindo coberturas antimicrobianas para combater a disseminação do coronavírus.

    Os espaços de trabalho

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    Há muito tempo, a Steelcase, uma das maiores fabricantes de móveis para escritório dos EUA, cria e instala escritórios abertos – sistemas em que as mesas de trabalho são projetadas para fomentar a colaboração entre os funcionários, aproximando-os uns dos outros e diminuindo a altura da repartição dos cubículos.

    Agora, as empresas se apressam para reverter essa tendência de maneira barata e flexível. A ideia é remover mesas e cadeiras e, no lugar delas, instalar telas e outros divisores, explicou Allan Smith, vice-presidente de marketing global da Steelcase.

    Os armários para escritórios são campeões de venda, disse Lori Gee, vice-presidente de desempenho em ambientes de trabalho da empresa de design de móveis Herman Miller, que trabalha com muitas companhias da Fortune 100. Os funcionários terão seus próprios armários, nos quais poderão deixar boa parte – ou a totalidade – de seus pertences pessoais, além de coletar seu equipamento de proteção individual.

    Pausa para o café

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    Diga adeus às aglomerações em torno da máquina de café toda manhã para conversar sobre as últimas séries viciantes da Netflix.

    Será difícil respeitar as exigências de distanciamento social em qualquer espaço onde as pessoas possam parar para conversar, comentou David Bailey, diretor executivo de serviços corporativos da gigante francesa de serviços alimentares Sodexo.

    Em vez disso, a Sodexo desenvolveu um aplicativo chamado Twelve, que permite que os funcionários peçam e paguem com antecedência o café e as rosquinhas matinais. "Não é preciso buscar na lanchonete. As empresas estão criando pontos de coleta em três ou quatro áreas do prédio. O aplicativo conta com um algoritmo que faz a gestão do tempo e impede aglomerações", explicou Bailey.

    Rastreamento de funcionários e de contato

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    Muitas empresas estão correndo para disponibilizar aplicativos de celular, pulseiras e crachás que registrem automaticamente o contato entre os funcionários no ambiente de trabalho, com o objetivo de se preparar para possíveis surtos do coronavírus.

    "O processo de rastreamento do contato entre os funcionários é terrivelmente laborioso: é basicamente como uma ligação pré-gravada, e esse era o ponto em que a tecnologia se encontrava quando se começou a falar nisso. Porém agora chegamos à modernidade", disse Rob Mesirow, parceiro de soluções conectadas da PwC.

    Em maio, a PwC criou um aplicativo de celular que usa sinais de Bluetooth, Wi-Fi e GPS, assim como outros dados, para rastrear os funcionários que se deslocam pelo escritório, incluindo as pessoas com quem entram em contato e por quanto tempo. A ideia é permitir que o departamento de recursos humanos e os gestores de segurança corporativa avaliem rapidamente os dados, caso ocorra um surto no escritório, e notifiquem os funcionários que possam ter sido expostos ao vírus.

    A Microshare, uma empresa de software, com sede na Filadélfia, que utiliza sensores para monitorar fatores ambientais – como a qualidade do ar e o total de pessoas presentes – em escritórios e fábricas, começou a oferecer um novo sistema de rastreamento epidemiológico. Para rastrear os funcionários, a empresa adaptou uma tecnologia por Bluetooth originalmente desenvolvida para registrar a localização de cadeiras de rodas e leitos em hospitais.

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    Os funcionários usam pulseiras ou carregam crachás do tamanho de cartões de crédito que registram sinais sobre a localização e a proximidade entre os funcionários; os dados são enviados a aparelhos que fazem upload para a nuvem. A Microshare declarou que os empregadores também podem usar o sistema para identificar pontos onde os trabalhadores infectados possam ter se reunido recentemente, permitindo que a empresa feche apenas certas áreas, em vez do prédio todo, para realizar uma limpeza profunda.

    Os crachás são uma boa ideia em locais com entrada controlada ou em fábricas nas quais os funcionários não podem entrar com telefone pessoal, ou para pessoas que não gostariam de ter seu celular monitorado pelo empregador.

    "Pedir que eu instale algo em meu telefone é uma medida muito questionável", observou Ron Rock, executivo-chefe da Microshare. Mas, segundo ele, até mesmo pulseiras ou crachás que acompanham a movimentação dos funcionários levantam questões sobre o crescente controle exercido por empregadores. "Em pouco tempo, começam a questionar se alguém vai muitas vezes ao banheiro, se faz muitas pausas para tomar café ou para fumar, ou mesmo se frequenta áreas do prédio onde não deveria estar."

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