Quando se fala em cometa, todos lembram rapidamente do Halley, cuja última passagem pelas proximidades da Terra foi em 1986. Mas o fato é que cometas são bastante numerosos no Sistema Solar e costumam ser descobertos novos astros desse tipo corriqueiramente, a partir de diferentes telescópios que vasculham o céu, noite após noite. É o caso do cometa “C/2022 E3 (ZTF)”, descoberto em março de 2022 por um telescópio na Califórnia, nos Estados Unidos.

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Estudando as características de movimento, os astrônomos determinaram que ele passou próximo do nosso planeta há 50 mil anos, e, agora, deve fazer a última passagem, uma vez que os dados indicam que ele deverá seguir para os confins do Sistema Solar, sem novos retornos. Quando esteve por aqui da última vez, curiosamente ainda havia neandertais caminhando sobre a Terra, uma espécie do gênero Homo que já está extinta há cerca de 30 mil anos.

Vídeo: Chuva de meteoros do cometa Halley é registrada no Planalto Norte de SC

Cometas são astros com tamanhos entre dezenas e centenas de quilômetros, compostos tipicamente por rochas e materiais congelados (como amônia, nitrogênio, metano etc). Quando se aproximam do Sol, o aumento da temperatura faz com que as substâncias na forma de gelo passem para o estado gasoso, e é isso que forma o que se chama de “cabeleira” e de “cauda” do cometa, conforme mostra o infográfico.

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Como os cometas têm comportamento de ejeção de material bastante dinâmico, não é possível prever com certeza se ele atingirá um brilho suficiente para ser visto a olho nu a partir da Terra. No entanto, há chances de este cometa alcançar a façanha e chegar próximo ao limite da capacidade de observação desarmada. Isso ao longo dos dias que avizinham o momento da maior proximidade com a Terra, chamado de “perigeu”, entre os dias 2 e 3 de fevereiro.

Em Santa Catarina, as melhores condições astronômicas para tentar visualizar o cometa ocorrem a partir do dia 4 de fevereiro. Deve-se buscar um ambiente escuro, longe das luzes da cidade (como praias e sítios mais retirados), sem elementos meteorológicos que diminuam a visibilidade, como nevoeiro, e livre de obstáculos significativos no horizonte Norte, como morros e cobertura de nuvens.

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Quem não é familiarizado com o céu, pode se orientar com aplicativos gratuitos para celular que funcionam como mapas celestes virtuais, como Stellarium e Sky Map.

*Texto de Marcelo Girardi Schappo, doutor em Física, coordenador do projeto Astro&Física (IFSC São José), e autor de livros de divulgação científica sobre Ciência e Astronomia.

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