nsc

publicidade

Análise

Como as queimadas na Amazônia podem afetar a economia brasileira 

Devido aos incêndios, França e Irlanda se manifestaram contra o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia 

24/08/2019 - 07h50 - Atualizada em: 24/08/2019 - 13h12

Compartilhe

Por GaúchaZH
Focos de incêndio se intensificaram na floresta na última segunda-feira
Focos de incêndio se intensificaram na floresta na última segunda-feira
(Foto: )

A repercussão internacional das queimadas na Amazônia espalha preocupação entre segmentos exportadores da economia brasileira. Parte da situação está relacionada ao temor de que o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) seja abalado após a pressão de países como a França, que convocou mobilização contra os incêndios na floresta brasileira. Anunciado no fim de junho, o acerto entre os blocos resultou de 20 anos de negociações, mas ainda precisa da aprovação dos parlamentos das nações envolvidas.

— Do ponto de vista econômico, a repercussão das queimadas pode provocar impactos no acordo comercial. O governo francês, por exemplo, já havia sinalizado que não estava pronto para o acerto. A questão ambiental é o novo álibi para tentar postergar ou até mesmo reverter o acordo — observa o economista Robson Gonçalves, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

De janeiro a julho, as exportações brasileiras à União Europeia caíram 14,6% ante igual período do ano passado, para US$ 20,4 bilhões, segundo o Ministério da Economia.

A quantia correspondeu a 15,7% de todas as vendas externas do país nos sete primeiros meses de 2019.

Os europeus buscam, sobretudo, mercadorias da agropecuária. Farelo de soja (US$ 1,8 bilhão), soja triturada (US$ 1,6 bilhão) e celulose (US$ 1,4 bilhão) foram os principais produtos comprados pelo bloco.

Não há dúvida. O risco ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia existe Robson Gonçalves, Economista e professor da FGV

— O agronegócio está em momento muito bom. Não vejo grande impacto para as exportações, já que a maior parte vai para a China. O que preocupa é o risco ao acordo com a União Europeia — diz o presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Rio Grande do Sul (Acergs), Vicente Barbiero. — Não adianta polemizar agora. É preciso resolver o problema da Amazônia, sem discutir tanto se os dados sobre o tema são verídicos ou não —acrescenta.

Dados do Ministério da Economia
Dados do Ministério da Economia
(Foto: )

Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro afirma que o país "perdeu a batalha da comunicação" relacionada aos incêndios na floresta. Para o dirigente, a turbulência tende a causar "impactos pontuais" nas exportações.

— O recomendável seria o governo parar de falar e deixar a diplomacia entrar em campo. A França e a Irlanda estão à frente dos protestos porque são concorrentes do Brasil em mercados como o de carnes. Querem cancelar o acordo comercial. Infelizmente, a comunicação do Brasil é ruim. Isso dá espaço para o mundo vender a imagem de que o país abandonou a Amazônia — analisa.

Para Castro, por enquanto, as queimadas não devem interromper o avanço do acordo comercial com a UE. Frisa, entretanto, que "riscos sempre existem". O presidente da AEB ainda aponta para a existência de possíveis interesses dos Estados Unidos no assunto.

— Os americanos são muito atingidos pelo acordo comercial. Podem ficar isolados no agronegócio. Com o acerto, a União Europeia teria mais facilidade para buscar soja no Brasil. Agora, se países do bloco comprarem menos aqui por causa da Amazônia, podem recorrer aos Estados Unidos — argumenta.

A exemplo de Castro, Gonçalves também avalia que o governo brasileiro deveria evitar novos "confrontos" para não provocar prejuízos econômicos.

— Quem mais tem a perder com essa situação é o Brasil. O país precisa de uma postura mais conciliadora para reverter o quadro e não procurar nas ONGs (organizações não governamentais) um bode expiatório para as queimadas. É importante destacar que existe muita desinformação relacionada ao assunto — pontua o professor da FGV.

 Dados do Ministério da Economia
Dados do Ministério da Economia
(Foto: )
 Dados do Ministério da Economia
Dados do Ministério da Economia
(Foto: )

Leia as últimas notícias do NSC Total

Ainda não é assinante? Assine e tenha acesso ilimitado ao NSC Total, leia as edições digitais dos jornais e aproveite os descontos do Clube NSC.​

Deixe seu comentário:

publicidade