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    Beatificação

    Como era a relação de Padre Léo com Santa Catarina 

    Líder religioso que fundou comunidade para dependentes químicos em São João Batista vai passar por processo de beatificação a partir de março de 2020 

    10/12/2019 - 20h36 - Atualizada em: 11/12/2019 - 08h30

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    Por Jean Laurindo
    Padre Léo
    (Foto: )

    O padre Léo Tarcísio Gonçalves Pereira nasceu na pequena cidade de Delfim Moreira, no Sul de Minas Gerais, mas foi em Santa Catarina que ele começou um trabalho que agora pode ser reconhecido na Igreja Católica com um processo de beatificação no Vaticano.

    O sinal verde da Santa Sé para iniciar o processo que pode transformar Padre Léo em beato e, posteriormente, até mesmo em santo foi confirmado no último domingo.

    A abertura dos trabalhos de pesquisa para conduzir a beatificação vai ocorrer em uma missa no dia 7 de março de 2020, celebrada pelo arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönck, da Diocese de Florianópolis, na Comunidade Bethânia, em São João Batista, na Grande Florianópolis.

    A Comunidade Bethânia foi um dos principais legados de Padre Léo. A instituição foi fundada em 1995 e por meio da religiosidade atua na recuperação de dependentes químicos, uma das principais causas do religioso ao longo da vida.

    Padre Léo fundou a instituição quando atuava era diretor de um tradicional colégio de Brusque, no Vale do Itajaí, onde também atuou como sacerdote após ser ordenado padre, em 1990.

    Em entrevista ao Programa do Jô em 2005, Padre Léo contou que a ideia da instituição surgiu pela necessidade de acolher pessoas em situação de dependência química que o religioso buscava nas ruas da região para ajudar. A preocupação cresceu à medida que o padre observava o crescimento do número de dependentes químicos e de pessoas com Aids na década de 1990.

    O sacerdote foi transferido para Curitiba (PR), onde também auxiliou na fundação de uma escola de Marketing, e trabalhou também em outros Estados como São Paulo. A Comunidade Bethânia ganhou mais sete unidades pelo país. Nos últimos anos de vida, voltou a morar na comunidade em São João Batista. Hoje, a instituição acolhe cerca de 40 pessoas na unidade de SC. Em 24 anos, mais de 6,5 mil pessoas foram atendidas pela comunidade Bethânia.

    Padre Léo também ficou famoso pelas transmissões feitas na emissora da comunidade Canção Nova, que veicula até hoje programas com pregações do religioso. A simplicidade, a irreverência e o bom humor com que o sacerdote passava as mensagens religiosas eram as principais características das falas de Padre Léo.

    O padre Lúcio Tardivo, que é o autor do pedido de beatificação e vai participar da análise dos registros a partir de março, morou oito anos com Padre Léo e não esconde a satisfação com a autorização do Vaticano.

    – Para nós é uma grande alegria. Na verdade, não é a comunidade que quer fazer santo, é o povo. Já tínhamos pedidos e só os levamos adiante – conta.

    Trajetória de Padre Léo

    Padre Léo entrou para o seminário em 1982 e foi ordenado padre em 1990, depois de trabalhar como torneiro mecânico e também em uma fábrica de armas, ainda em Minas Gerais.

    Padre Léo morreu em 4 de janeiro de 2007, aos 45 anos, vítima de infecção generalizada por causa de um câncer no sistema linfático. Os restos mortais estão depositados na Comunidade Bethânia de São João Batista.

    Testemunhos e arrecadação para processo

    Os religiosos que lideram o processo de beatificação fundaram o Instituto Padre Léo, para arrecadar recursos para custear as etapas do processo. Uma conta já foi aberta para a captação de doações. O órgão também será responsável pela coleta dos testemunhos de pessoas que conviveram com o religioso e que podem ajudar a compor o processo, com relatos de pessoas que conviveram com o religioso e até mesmo possíveis milagres atribuídos ao padre. Interessados podem fazer contato pelo e-mail testemunhos@padreleo.com.br.

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