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Como ficará o abastecimento de água na temporada de verão na Grande Florianópolis

Região convive há quatro meses com estiagem, mas Casan afirma que melhora na condição de chuva e ocupação maior das regiões de praia deve garantir o serviço

09/10/2019 - 06h15 - Atualizada em: 09/10/2019 - 09h37

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Jean
Por Jean Laurindo
Rio Vargem do Braço integra o Sistema Integrado da Grande Florianópolis e atravessa estiagem
Rio Vargem do Braço integra o Sistema Integrado da Grande Florianópolis e atravessa estiagem
(Foto: )

Há mais de quatro meses, a Grande Florianópolis convive com o problema da estiagem, que já é considerada pela Casan a pior da história na região. A chuva registrada nos primeiros dias de outubro foi insuficiente para elevar significativamente o nível do Rio Vargem do Braço, em Santo Amaro da Imperatriz, principal manancial local. Com isso, há áreas das cidades que ainda enfrentam desabastecimentos em alguns horários do dia.

Mas a situação também suscita dúvidas sobre como ficará o abastecimento de água durante a temporada de verão, quando Florianópolis recebe milhares de turistas em férias. A Casan explica que a situação tende a melhorar nos próximos meses.

Primeiro, porque o verão é uma época mais chuvosa, com calor e tempestades ao final do dia, o que favorece os reservatórios, como o do Rio Vargem do Braço, em Santo Amaro da Imperatriz. Situação bem diferente da vivida pela região no último inverno, estação que historicamente registra os menores volumes de chuva.

Além disso, segundo a autarquia responsável pela captação e distribuição de água na região, a própria dinâmica da cidade muda na temporada de verão. A maior parte da população passa a ocupar as praias do Sul e do Norte da Ilha de SC, em Florianópolis, onde há sistemas independentes de abastecimento.

Com isso, o chamado Sistema Integrado da Grande Florianópolis passa a ser menos exigido. Esse sistema tem como principal reservatório o rio Vargem do Braço e é o que mais vem sentindo os efeitos da estiagem. Ele atende a área continental de Florianópolis, Centro, Bacia do Itacorubi, além de São José, Biguaçu, Santo Amaro da Imperatriz e Palhoça – esta última apenas compra água da Casan.

Ainda segundo a companhia, nos meses de férias costuma haver redução da população nos bairros da região central da Capital e em cidades vizinhas. Com isso, a água desse sistema pode ser direcionada aos bairros de praias, mais habitados no verão.

No Norte e no Sul da Ilha, os reservatórios vivem situação mais controlada do que o Sistema Integrado da Grande Florianópolis. No Sul da Ilha, fotos feitas pela reportagem do NSC Total nesta terça-feira mostram o reservatório natural da Lagoa do Peri também em nível baixo. O local é utilizado para abastecer o Sul, as praias do Leste e a região da Lagoa da Conceição. Apesar disso, o volume existente na lagoa e em poços da região ainda garantem o abastecimento na região sem impactos no abastecimento.

Já no Norte da Ilha, a situação agora durante a estiagem é considerada sob controle, mas o aumento de população que a região recebe durante a temporada de verão exige reforço no abastecimento. Apenas o bairro Ingleses, segundo a Casan, chega a ter uma população de 350 mil pessoas.

Para isso, são previstos investimentos como o aumento de 10% na captação de água com três novos poços e também bombas-reservas para esses poços.

Investimento estimado em R$ 16 milhões

Além de torcer para que a melhora no volume de chuva se confirme até o verão e estudar possíveis estratégias como redirecionamento da água captada no sistema integrado para os bairros de praias, a Casan também projeta investimentos que são vistos como forma de melhorar o serviço na temporada.

Em quatro anos, o órgão calcula que já foram investidos mais de R$ 100 milhões em obras de captação, tratamento, reserva e distribuição. Para este ano, os investimentos da Operação Verão são calculados em R$ 16 milhões (confira abaixo as obras informadas pelo órgão).

Chuva deve aumentar ao longo da primavera

Para entender como ficará o fornecimento de água durante a temporada, uma variável importante é o volume de chuva esperado para os próximos meses no Estado. Segundo o setor de meteorologia da Epagri/Ciram, órgão estadual que faz análises climáticas, os próximos três meses devem ter chuva ligeiramente abaixo da média.

Em outubro, o Estado deve ter condição de mais nebulosidade e chuvas mais frequentes, o que surge como uma boa notícia após meses de tempo seco que prejudicaram o abastecimento de água.

No entanto, a precipitação ainda deve ser mal distribuída e pouco significativa em algumas localidades.

– A chuva abaixo da média e mal distribuída, em geral, acaba não sendo tão benéfica (para reverter um quadro de estiagem). O ideal seria uma chuva mais volumosa e bem distribuída ao longo do mês – explica o meteorologista da Epagri/Ciram, Marcelo Martins.

O meteorologista da NSC, Leandro Puchalski, acrescenta que os períodos longos entre uma chuva e outra que o Estado vivenciou no inverno tendem a ser menos espaçados ao longo de outubro. Ao se aproximar do verão, com manhãs ainda frias e tardes mais quentes, aumenta a condição para temporais, que trazem maior volume de chuva.

– A distribuição de chuva deve ir retornando ao longo da primavera, mas ainda com irregularidade, não necessariamente chegando ao Estado todo – pontua Puchalski.

Com previsão de chuva mal distribuída, não é possível precisar que os maiores volumes vão cair sobre as áreas em que ficam os reservatórios mais prejudicados pela estiagem. Em geral, apenas a previsão de curto e médio prazo é capaz de precisar a distribuição das chuvas e, consequentemente, o impacto que pode ter sobre a capacidade de armazenamento de água.

A situação tende a melhorar nos meses de novembro e dezembro. Nesses meses, mais quentes e próximos do verão, a chuva deve ser mais bem distribuída, com temporais frequentes, o que deve ajudar o Estado a alcançar volumes mais significativos, segundo a Epagri/Ciram.

Investimentos previstos pela Casan

Captação do Rio Cubatão, em Santo Amaro da Imperatriz

O Rio Cubatão, junto com o Rio Vargem do Braço, responde pela captação do Sistema Integrado da Grande Florianópolis.

- 4ª bomba (bomba reserva).

- Dois sistemas complementares usados neste atual período de estiagem permanecerão em operação (+ 450 litros por segundo).

Sul da Ilha, em Florianópolis (reforço ao Sistema Costa Sul-Leste)

- Flotador: novo sistema de tratamento da Estação Lagoa do Peri para garantir qualidade da água, que hoje sofre alterações devido à presença de algas

- Automação da ETA com instalação de válvulas de comando de filtro.

Norte da Ilha, em Florianópolis (reforço ao Sistema Costa Norte)

- Acréscimo de 10% na captação com abertura de três novos poços no Rio Vermelho e Santinho.

- Bombas-reservas para poços Costa Norte e Costa Leste.

Ampliação de redes de distribuição, em Florianópolis:

- Sambaqui: Rodovia Rafael da Rocha Pires

- Canasvieiras: Servidão Manoel Monteiro

- Cacupé: Rodovia Haroldo Soares Galvan

- Campeche

- Rio Tavares

- Córrego Grande

Plano de Emergência

- Locação de geradores e caminhões-pipas

Fonte: Casan

O que a previsão do tempo reserva para a temporada

Média histórica de chuva de outubro a dezembro em SC

Em 2019, a expectativa do órgão é de que o volume fique ligeiramente abaixo das médias históricas desses meses

Outubro

De 210 a 280 milímetros no Oeste e Meio-Oeste

De 140 a 180 milímetros no Planalto ao Litoral

Novembro

De 130 a 180 milímetros em média

Dezembro

De 150 a 190 milímetros na Grande Florianópolis e do Oeste ao Litoral Norte

De 130 a 150 milímetros nas demais regiões.

Fonte: Epagri/Ciram

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