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A Barca Colon

Como foi o início da vida dos imigrantes na Colônia Dona Francisca, hoje Joinville 

Em cinco anos, o local se desenvolveu e já havia 68 casas na sede e 147 na área rural, além de 35 carroças circulando na cidade 

08/03/2019 - 21h38 - Atualizada em: 12/03/2019 - 11h11

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Redação
Por Redação AN
Retrato da Colônia Dona Francisca nos primeiros anos de colonização
Retrato da Colônia Dona Francisca nos primeiros anos de colonização
(Foto: )

As famílias que já estavam estabelecidas na região da Colônia Dona Francisca, antes da chegada dos imigrantes europeus, se dedicavam à agricultura, plantando mandioca, cana e construindo engenhos. De acordo com o historiador e coordenador do Arquivo Histórico de Joinville Dilney Cunha, foram eles que repassaram muitos conhecimentos aos imigrantes.

Os primeiros trabalhos se relacionaram à exploração do ambiente, com a construção de caminhos e drenagem. A pesquisadora Brigitte Brandenburg explica que, por mais que tenha sido feito levantamento prévio das terras, a divisão dos lotes era feita na hora.

– Calcula-se que as oito léguas correspondam a 12.700 hectares. Também sabemos que se chegou a nove léguas de ocupação, o equivalente a 14.500 hectares – descreve.

Pesquisadora Brigitte Brandenburg explica que divisão dos lotes era feita na hora que chegavam as famílias
Pesquisadora Brigitte Brandenburg explica que divisão dos lotes era feita na hora que chegavam as famílias
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As propagandas realizadas na Europa, inclusive em jornais voltados para isso, desenhavam uma região perfeita, em que era possível colher e plantar facilmente, além de se viver uma vida plena e feliz. Mas a realidade era diferente.

– O Brasil era pintado como um paraíso, em que imigrantes poderiam recomeçar – diz Dilney.

O contrato firmado entre os príncipes e a Sociedade Colonizadora de Hamburgo previa a vinda de 1.500 imigrantes em um período de cinco anos. Além disso, o senador Mathias Schroeder se comprometia a fornecer, nos primeiros dois anos, alojamento e itens de primeira necessidade aos recém-chegados.

Como nem a medição dos lotes estava feita, os colonos começaram a abrir clareiras. Três grupos iniciaram a exploração. Suíços pela região Oeste, seguindo a picada Jurapé ou rua do Meio, hoje rua 15 de Novembro, a partir da rua João Colin. Alemães pela região Sul-Oeste, acompanhando o ribeirão Matias, hoje rua Visconde de Taunay. E Noruegueses pela região Norte, a partir da rua João Colin.

O Brasil era pintado como um paraíso, conta o historiador e coordenador do Arquivo Histórico de Joinville Dilney Cunha
O Brasil era pintado como um paraíso, conta o historiador e coordenador do Arquivo Histórico de Joinville Dilney Cunha
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Após cinco anos, em 1856, onde os primeiros colonos atolavam até os joelhos, já passavam carroças carregadas. O trânsito era movimentado: 35 carroças de quatro rodas circulavam pela cidade. A colônia tinha 68 casas na sede e 147 na área rural. Uma igreja protestante, uma escola oficial do governo e uma da colônia.

Existiam também cinco casas comerciais no Centro e outras três na área rural; uma farmácia; três hospedarias com cancha de bolão e bilhar; três padarias; quatro açougues; um subdelegado; um juiz de paz e um fiscal para manter a ordem pública; duas lojas maçônicas; uma caixa de previdência e assistência em caso de doença, no modelo suíço. Na colônia também havia bailes, festas, uma sociedade de atiradores, uma associação de canto coral e uma banda de música.

* Textos: Letícia Caroline Jensen, especial para o AN

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