As famílias que já estavam estabelecidas na região da Colônia Dona Francisca, antes da chegada dos imigrantes europeus, se dedicavam à agricultura, plantando mandioca, cana e construindo engenhos. De acordo com o historiador e coordenador do Arquivo Histórico de Joinville Dilney Cunha, foram eles que repassaram muitos conhecimentos aos imigrantes.

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Os primeiros trabalhos se relacionaram à exploração do ambiente, com a construção de caminhos e drenagem. A pesquisadora Brigitte Brandenburg explica que, por mais que tenha sido feito levantamento prévio das terras, a divisão dos lotes era feita na hora.

– Calcula-se que as oito léguas correspondam a 12.700 hectares. Também sabemos que se chegou a nove léguas de ocupação, o equivalente a 14.500 hectares – descreve.

As propagandas realizadas na Europa, inclusive em jornais voltados para isso, desenhavam uma região perfeita, em que era possível colher e plantar facilmente, além de se viver uma vida plena e feliz. Mas a realidade era diferente.

– O Brasil era pintado como um paraíso, em que imigrantes poderiam recomeçar – diz Dilney.

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O contrato firmado entre os príncipes e a Sociedade Colonizadora de Hamburgo previa a vinda de 1.500 imigrantes em um período de cinco anos. Além disso, o senador Mathias Schroeder se comprometia a fornecer, nos primeiros dois anos, alojamento e itens de primeira necessidade aos recém-chegados.

Como nem a medição dos lotes estava feita, os colonos começaram a abrir clareiras. Três grupos iniciaram a exploração. Suíços pela região Oeste, seguindo a picada Jurapé ou rua do Meio, hoje rua 15 de Novembro, a partir da rua João Colin. Alemães pela região Sul-Oeste, acompanhando o ribeirão Matias, hoje rua Visconde de Taunay. E Noruegueses pela região Norte, a partir da rua João Colin.

Após cinco anos, em 1856, onde os primeiros colonos atolavam até os joelhos, já passavam carroças carregadas. O trânsito era movimentado: 35 carroças de quatro rodas circulavam pela cidade. A colônia tinha 68 casas na sede e 147 na área rural. Uma igreja protestante, uma escola oficial do governo e uma da colônia.

Existiam também cinco casas comerciais no Centro e outras três na área rural; uma farmácia; três hospedarias com cancha de bolão e bilhar; três padarias; quatro açougues; um subdelegado; um juiz de paz e um fiscal para manter a ordem pública; duas lojas maçônicas; uma caixa de previdência e assistência em caso de doença, no modelo suíço. Na colônia também havia bailes, festas, uma sociedade de atiradores, uma associação de canto coral e uma banda de música.

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* Textos: Letícia Caroline Jensen, especial para o AN

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