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    Como um ônibus quebrado é capaz de parar o trânsito de Florianópolis 

    Problema em veículo na subida da SC-401 causou congestionamentos por mais de quatro horas em ruas dos bairros Centro, Agronômica e Trindade 

    12/12/2019 - 19h59 - Atualizada em: 12/12/2019 - 21h16

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    Por Jean Laurindo
    Ocorrência com ônibus causou filas em toda a cidade
    Ocorrência com ônibus causou filas em toda a cidade
    (Foto: )

    Florianópolis viveu mais um dia de trânsito completamente parado nesta quinta-feira. O dia, que já registrava filas na entrada da Ilha no início da manhã, parou de vez na cidade no fim da tarde, após as 16h.

    O motivo foi um micro-ônibus que estragou na subida da rodovia SC-401, próximo ao acesso ao bairro João Paulo. O incidente interrompeu uma das duas pistas da rodovia estadual, o principal acesso ao Norte da Ilha. A rodovia é considerada a mais movimentada do Estado, com fluxo de cerca de 70 mil veículos por dia.

    O resultado disso foram congestionamentos em toda a Avenida Beira-Mar, Avenida da Saudade e nas principais ruas dos bairros Centro, Agronômica e Trindade. As longas filas se espalharam até para rotas alternativas, como as vias do entorno do Morro da Cruz. Para fechar o dia, um carro ainda pegou fogo na Avenida Beira-Mar, próximo ao elevado do CIC.

    Um ônibus quebrado em uma rodovia é capaz de parar uma cidade como Florianópolis? A experiência desta quinta-feira e os especialistas ouvidos pela reportagem apontam que sim.

    O doutor em Engenharia de Transportes José Leles de Souza explica que as filas se devem ao chamado efeito cascata. Quando os motoristas precisam passar pelo trecho onde há um veículo parado, com apenas uma pista liberada, essa mudança de faixa ocorre em velocidade menor.

    – Se a velocidade normal naquele ponto é de 60 quilômetros por hora, ela cai para 10, 15 quilômetros por hora. Quando chega no elevado do CIC, por exemplo, o trânsito para 100% porque o volume de carros que chega àquele local é muito maior do que a capacidade de vazão do ponto do acidente. É literalmente um efeito cascata, que ocorre por ser o único acesso ao Norte da Ilha – explica.

    Para Leles, a solução para que um veículo quebrado não provoque tantos transtornos em toda a cidade é só uma: intervenção rápida.

    – A retirada do veículo tem que ocorrer em 10, 15 minutos e é preciso a ação de agentes para fazer com que os veículos não reduzam tanto a velocidade ao passar por aquele ponto. Cidades como São Paulo adotam muito isso, com monitores em locais estratégicos para que qualquer problema por ali seja resolvido o mais rápido possível – argumenta.

    O arquiteto e urbanista Ângelo Marcos Arruda, coordenador do grupo de trabalho (GT) de Mobilidade do Comitê Metropolitano para o Desenvolvimento da Grande Florianópolis, também assegura que intervenção e retirada rápida dos veículos danificados das vias deve ser a primeira preocupação após um acidente sem vítimas ou um problema mecânico. Ele cita o exemplo das pontes de entrada e saída da Ilha, onde um caminhão-guincho fica de prontidão para o caso de carros apresentarem problemas.

    – No caso de Florianópolis, como é algo recorrente e a cidade tem esse problema gigantesco, isso deve ser colocado numa pauta de necessidades. Locais estratégicos da rodovia em que existam veículos ou autoridade policial para remover imediatamente veículos quando houver problemas – orienta.

    Tempo para retirada do ônibus danificado gera discussões

    Uma das discussões após o problema no micro-ônibus que parou a cidade nesta quinta-feira foi o tempo levado para a retirada do veículo.

    O incidente foi registrado por volta das 15h50min. Ouvintes da CBN Diário relataram ter visto o micro-ônibus com problema antes mesmo desse horário, por volta das 15h.

    Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), que atendeu a ocorrência, o veículo foi retirado da pista por volta das 18h.

    A Guarda Municipal de Florianópolis (GMF) alega que só foi chamada para ajudar no atendimento à ocorrência às 16h40min. Nesse horário, a PMRv teria solicitado que o caminhão-guincho que fica na cabeceira das pontes de entrada e saída da Ilha fosse deslocado para a SC-401 e fizesse a retirada do micro-ônibus.

    A Guarda então escoltou o guincho, mas o comandante da GMF, Ivan Couto, conta que àquela altura o trânsito que há havia se formado na Avenida Beira-Mar e, mesmo com a escolta, o deslocamento do guincho acaba levando mais tempo.

    O comandante da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), tenente-coronel Evaldo Hoffmann, alega que o tempo entre o início da ocorrência e o pedido de apoio à Guarda diz respeito ao intervalo necessário para atender a ocorrência.

    – Primeiro a equipe vai intervir no local e ver se consegue tirar o veículo. Se for possível movimentar, eu vou tirar o guincho da ponte, sendo que nesse tempo pode ocorrer outro problema com carro na ponte e causar um colapso ainda maior? – questiona o comandante.

    Segundo ele, a atuação da PMRv começa com a tentativa de retirar o veículo e, se não for possível, os policiais tentam acionar o guincho licitado pelo governo do Estado. Só que esse serviço possui um raio de atuação restrito nas rodovias da Ilha e tem base em Palhoça. Por isso, em alguns horários o tempo até a chegada no local do problema acaba sendo alto.

    O problema é semelhante ao que ocorria nas pontes de entrada e saída da Ilha até a prefeitura decidir custear um guincho de sobreaviso na cabeceira das pontes para retirar com mais rapidez veículos que apresentem problemas sobre a estrutura.

    Por conta dessa situação, em alguns casos a PMRv também solicita à Guarda Municipal o deslocamento desse guincho da ponte para retirar veículos que tenham problemas na SC-401. Foi o que ocorreu nesta quinta-feira. O tempo entre o início do atendimento e o pedido de apoio ao guincho da ponte, segundo o comandante, é o necessário para prestar atendimento e tentar a retirada de outras maneiras sem precisar recorrer ao reboque municipal.

    – O procedimento padrão é ir ao local e ver a solução mais adequada. Às vezes é mais fácil retirar o veículo em manobra do que chamar o guincho – reforça Hoffmann. (Colaborou Clarissa Battistella)

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