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Confira as dez bandas catarinenses que encabeçam a nova safra de discos de rock'n'roll

Colunistas do Grupo RBS Marcos Espíndola, Rubens Herbst e Vinicius Batista apontam o Top 10

23/06/2014 - 05h56 - Atualizada em: 23/06/2014 - 07h07

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Por Redação NSC
Rascal Experience
Rascal Experience
(Foto: )

Aninhadas em seus cantos, bandas de rock e afins suam para subsistir com o miúdo público que presta atenção em quem se dá ao trabalho (e prazer) de compor, gravar, lançar e fazer shows em Santa Catarina. É tarefa para os fortes fazer música autoral no Estado. Porém, muitos desses artistas se deleitam com um, por assim dizer, sucesso regional, o que lhes dá fôlego - além da própria necessidade de criar, claro - para entrar no estúdio e passar horas registrando canções.

O presente ano mostra que os músicos ainda não cansaram, já que uma nova e interessante safra de álbuns vem para abastecer a já rica discografia do rock barriga-verde. Os colunistas do Grupo RBS Marcos Espíndola ("DC"), Rubens Herbst ("A Notícia") e Vinicius Batista ("Jornal de Santa Catarina") cavoucaram as áreas de Florianópolis, Joinville e Blumenau atrás de nomes que entregaram, ou estão em vias de lançar, trabalhos que merecem uma audição atenta por parte do público. Mas lembram que isso é apenas uma amostra superficial - há muita gente produzindo bons sons nos demais "cantões" do Estado.

POR MARCOS ESPÍNDOLA, colunista do "Diário Catarinense"

Rascal Experience

Quem é: Banda indie-alternativa de Florianópolis formada por Victor Fabri (vocal e guitarra), Renie dos Santos (baixo), Leonardo Gindri (guitarra) e Hédy Gabriel.

Por que ouvir: Em 2013 eu recebi uma mensagem de um leitor apelando para adotar um grupo. Junto, um CD, com um gato preto na capa. Era uma cópia do EP Bad Luck Experience, o primeiro e ruidoso registro do quarteto que logo de cara impressionou pela fórmula de rock arrojado e cru, letras reflexivas e irônicas (todas em inglês). Tamanha personalidade da molecada os levou à condição de destaque entre alguns dos votantes da Uplist dos melhores trabalhos de 2013 da coluna Contracapa. Fake Interest, uma das faixas do EP, ganhou um clipe neste ano.

Preste atenção: O EP de 2013 foi apenas um aceno sobre o arsenal de canções que o grupo produziu de maneira efusiva. O pé na porta estará no primeiro álbum com previsão de lançamento para este ano.

Skrotes (foto acima)

Quem é: Trio instrumental de Florianópolis formado por Igor De Patta (teclados e synths) Chico Abreu (baixo) e Guilherme Ledoux.

Por que ouvir: Pense em um caminhão de gás atropelando a Lady Gaga. Nada se perde e tudo se transgride no "melê" instrumental de jazz, reggae, punk, funk, indie, pop, eletrônico, erudito e música brasileira desta banda que hoje desponta na linha de frente no promissor cenário instrumental do Brasil (onde temos Bixiga 70, Macaco Bong, Hurtmold). Só que o trio em questão agrega arrojo, virtuosismo e uma indelével irreverência, que começa no nome da banda, os títulos das canções (Adogás, Baixa Ajuda, Lei de Gaga, O Estupro dos Cisnes, Murraga Ali, Vinicius Demorasse), até na concepção das impressionantes melodias.

Preste atenção: Eles abriram o ano arrombando os players com o lançamento do seu segundo álbum, o suntuoso Nessun Dorma, gravado e produzido em uma bem-sucedida campanha de financiamento colaborativo (crowdfunding). Som, fúria e ironia em nove faixas, a receita do infalível caldo psicodélico e imprevisível da banda. Faz jus ao título do álbum, emulado da famosa ária de Puccini: Ninguém Dorme.

Cassim & Barbária (foto acima)

Quem é: Banda forjada em Florianópolis em 2007 e composta por um trio primoroso de guitarristas (Eduardo XuXu, Gabriel Orlandi e Cassiano "Cassim" Fagundes), tem dois discos e prepara uma nova alvorada com o terceiro álbum que sairá neste ano.

Por que ouvir: Eles decantam em uma mesma massa folk, blues, rock, pop, kraut, soul, progressivo e noise. Com Cassim & Barbária II, lançado em 2011, surpreenderam com um compêndio demolidor, que já soava superado dentro da urgência vanguardista dos seus integrantes, especialmente o cerebral letrista e vocalista Cassim (ex-Bad Folks). As performances no palco são catárticas.

Preste atenção: Depois de um breve hiato, a banda anunciou o retorno no final de 2013 com o anúncio da produção de um novo disco. O terceiro volume, ainda sem nome, sai ainda em 2014 e pode representar um novo visto para o desembarque dos catarinenses no festival South by Southwest, em Austin (EUA) no próximo ano.

POR RUBENS HERBST, colunista de "A Notícia"

Os Depira (foto acima)

Quem é: Uma das bandas com público mais fiel na região de Joinville, Os Depira se preparam para comemorar 15 anos de estrada. Nuno (vocal), Marcelo Rizzati (guitarra), Parffit Jim Balsanelli (baixo) e Rafael Vieira (bateria) já gravaram duas demos e dois discos - o segundo, registrado em Curitiba, será lançado no segundo semestre com o título Cada Qual com Seu Vício.

Por que ouvir: O quarteto se apropria das melhores referências do rock dos anos 60 e 70 para elaborar canções repletas de riffs e refrões marcantes e com referências a Joinville. A isso se unem lascas de psicodelia, soul e funk. Outro destaque é o vocalista Nuno, um frontman de grande presença no palco e dono de um timbre que lembra Jim Morrison, dos Doors (aliás, influência assumida do moço).

Preste atenção: O disco de estreia, homônimo, já trazia grandes canções, como Piracity e O Trem, mas o novo álbum tem um poderio que vai além da produção esmerada. O cuidado nos arranjos de teclado e sopros ampliou o escopo sonoro da banda e deu maior poder do fogo a faixas que vêm sendo tocadas há tempos nos shows, como Formiga Gigante, Nada Sobrou e Ancestrais. É ouvir para crer.

Miopia (foto acima)

Quem é: Ferns Henke (baixo e voz), Navi Almeida (guitarra, escaleta e voz) e Maurício Sedlak (bateria) estão na estrada desde a década passada, acumulando shows e mais shows em que também apostam no lado visual (via projeções ao vivo). Depois uma série de singles virtuais, o trio finalmente chegou ao primeiro disco, Maniacópolis, que será lançado oficialmente no dia 6 de julho.

Porque ouvir: É difícil encontrar bandas nacionais que pratiquem o mesmo tipo de som que a Miopia, dona de um funk quebradiço com toques de rock, reggae e jazz alegremente invasivos e refrões ganchudos. Aliado a isso, o deboche das letras é corroído por críticas à sociedade, representada por personagens que exercem sem pena a falsidade, a hipocrisia e a mediocridade.

Preste atenção: Maniacópolis é um compêndio de 14 crônicas musicadas sobre uma cidade/país imaginária/real onde vigora, acima de tudo, o caráter dúbio. A abordagem, porém, é humorada para com esses personagens _ dissimulados, sofridos, vingativos até _ presentes em Tratante, Garoto Pequeno Minibol, Sr. Nariz, Pobre Parasita Pobre, Ato Imoral e outras que fazem do disco o retrato peculiar de uma sociedade descendo degrau por degrau.

Somaa (primeira) e Sylverdale (segunda)

Quem é: Rafael Zimath (guitarra e voz), Nedilo Xavier (baixo) e Tiago Pereira (bateria) formam o Somaa, trio de atividade recente mas de atuação incansável, tanto que já acumula dois Eps e alguns singles virtuais. O Sylverdale - Hesséx (guitarra e voz), Juninho (guitarra), Helder (bateria) e Felipe Harger (baixo e voz) - já passa da década de vida, tempo em que empilhou shows e um disco reunindo EPs anteriores a 2008.

Por que ouvir: O Sylverdale é uma cria do rock alternativo dos anos 90. Saltam aos ouvidos influências de Nirvana, Sonic Youth e Smashing Pumpkins, resultando em canções fulminantes à base de melodia e fartas guitarras. O Somaa vai por caminho semelhante, mas agrega referências do hardcore melódico americano e utiliza com cerimônia o dom da palavra, caprichando nas letras cáusticas e, por vezes, filosóficas.

Preste atenção: Alguns dos melhores momentos das duas bandas renderam videoclipes em 2014 - Marionetes, da Somaa, e Só Eu Sei o que Sonhei, da Sylverdale. Mas é bom ficar atento à nova leva de canção dos grupos, que deve vir à tona em setembro, quando sairá o CD em conjunto bancado via financiamento coletivo. O digipack terá quatro faixas inéditas de cada banda e uma troca de "covers".

POR VINICIUS BATISTA, colunsista do "Jornal de Santa Catarina"

Ruca (foto acima)

Quem é: Ex-Café Brasilis, de Itajaí, a cantora e compositora Ruca Souza decidiu seguir carreira solo. Sempre com uma liderança espontânea nos projetos em que esteve envolvida, Ruca assume na guitarra um olhar criativo para o cotidiano. As diversas parcerias que fez nos últimos anos lhe garantem uma boa base na hora de dar vida a suas canções.

Por que ouvir: Ruca é uma defensora ferrenha do rock autoral. Tem dezenas de canções compostas e agora "sozinha" deve encontrar o rumo certo pra crescer.

Preste atenção: Com o site lançado no último mês (rucasouza.com), Ruca reserva para este segundo semestre o lançamento do primeiro disco. Dá pra sentir o gostinho com a versão demo da canção Marte.

Clube dos Corações Partidos (foto acima)

Quem é: Com músicos experientes na formação, o grupo blumenauense vem remando no primeiro disco ao longo do último ano. A intenção sonora é um folk rock despretensioso, com letras em português que misturam uma simplicidade bem-humorada com momentos mais "filosóficos".

Por que ouvir: A experiência dos seus integrantes traz uma mistura de referências sonoras muito interessante. É um som que já nasce maduro, apesar do frescor.

Preste atenção: Em setembro sai o primeiro disco, Manual Prático do Esquecimento, que terá participação do cantor Carlinhos, do Bidê ou Balde. Os arranjos das canções prometem muita criatividade.

Taunting Glaciers (foto acima)

Quem é: Formada de um projeto pessoal do vocalista Roberto Swan em 2013, o Taunting Glaciers traz um som muito bem produzido e que busca referências do rock alternativo e do post-hardcore. Mesmo criada recentemente, a banda surgiu um um profissionalismo que é sentido desde o som, com uma gravação impecável, até o material de divulgação, apostando numa estética, em clipes e camisetas, muito boa.

Porque ouvir: Essa mistura traz um peso muito bom para o som, sem esquecer dos detalhes da melodia. A energia no vocal é outro destaque da banda blumenauense.

Preste atenção: Dentro do catálogo da gravadora paulista Hearts Bleed Blue, o Taunting Glaciers já lançou dois materiais muito bons e preparam um novo EP, Creon's Blight/Antigone's Ordeal, para outubro. Destaque para a canção On Discussing Wolves, que ganhou um clipe no início do ano.

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