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DE OLHO NELAS! 

Copa do Mundo de futebol feminino evidencia prática da modalidade   

Mundial que começa nesta sexta-feira traz esperança de mais visibilidade para jogadoras que sonham com o profissionalismo no futebol feminino 

07/06/2019 - 09h15 - Atualizada em: 07/06/2019 - 09h37

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Nathan
Por Nathan Neumann
(Foto: )

O que é preciso para fazer a felicidade das mulheres? A pergunta pode ser respondida através do impulso em pensar que jóias, roupas, sapatos e flores são os itens que compõem a resposta certa, mas no caso de algumas mulheres, isso não se encaixa perfeitamente. A afirmação correta então seria a que uma bola, duas traves e amigas para jogar futebol já basta.

Entrar de salto alto em campo não faz parte do jogo delas. Nem no sentido figurado, nem no sentido literal da frase. O que existe é um amor incondicional pelo futebol, capaz de esquecer as dificuldades como preconceito e a discriminação. Semanalmente elas se reúnem para praticar tal paixão.

Durante o dia elas são vendedoras, autônomas, promotoras de eventos e consultora de se. Mas a noite é que a magia do esporte acontece e elas acabam se tornando jogadoras de futebol. Semanalmente elas se reúnem para praticar tal paixão.

Para cada uma, essa paixão começou de um jeito diferente, em muitos casos puxados por uma referência masculina: um pai, um irmão, ou até mesmo um jogador de futebol que encheu os olhos quando visto pela televisão.

No caso de Julia Gaitolini, o futebol começou chamar a atenção quando em 1994 viu pela TV um cidadão baixinho e marrento levar a Seleção Brasileira ao tetra campeonato mundial, nos Estados Unidos.

– Quando eu vi o Romário jogando tudo mudou. Foi aí que eu me apaixonei pelo futebol, começou a mudar minha vida. Daí pra frente e só pensava em futebol e só queria saber de jogar bola – revela.

Mas como jogar futebol se a menina não ganhou e não tinha uma bola em casa para brincar como os meninos da idade dela? A solução pulou muro a dentro, como se caísse do céu.

– Eu morava atrás de uma escola, aí um dia uma bola acabou caindo na minha casa. Fique com aquela bola e comecei a brincar, chutando ela contra a parede. A partir daí eu não devolvi mais ela e foi assim que comecei a jogar – lembra.

Apesar de tudo ter parecido sido fácil para ela, contando com um pouco de sorte, as dificuldades também aparecerem.

– Demorou um tempo pra eu entender que eu poderia jogar futebol sem culpa. As vezes ouvi comentários das pessoas dizendo que “isso não é coisa pra menina” ou “isso é coisa pra macho”, sendo uma criança, eu achava que estava fazendo algo de errado quando simplesmente jogava bola – afirma.

Para as companheiras de patota, as mesmas dificuldades também fizeram marcação serrada. Mas assim como Julia, tudo isso foi deixado de lado, pois a paixão pelo esporte bretão sempre pareceu maior.

A promotora de vendas, Fernanda Stedile, sonhava em ser jogadora profissional, sonho esse que foi barrado pelas dificuldades habituais que os postulantes a atletas enfrentam.

– É complicado. A gente sabe que acontece com todo mundo que tenta jogar futebol, com os homens também. Trabalhar, estudar e ainda assim se dedicar aos treinos não é fácil. Ainda mais pra nós que além de tudo isso temos que se sobressair com a falta de oportunidades e preconceito – afirma.

Quando o assunto passa a ser inspiração para jogar. A reposta de todas elas é unânime e sem precisar pensar duas vezes: Marta!

– A Marta é sem dúvida nenhuma a maior inspiração para as meninas que querem jogar e para quem joga por tudo que ela representa e pelo o que ela pode ainda representar com conquistas dentro e fora de campo. E se ela tivesse parado? Desistisse? Nós talvez não teríamos os avanços que temos hoje – aponta Fernanda.

Nesta sexta-feira começam as emoções da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será transmitido pela TV pela primeira vez. Com isso, surge uma nova expectativa para elas.

– Eu espero que com Copa do Mundo sendo transmitida agora pela primeira vez, as empresas e o próprio governo passem a levar mais em consideração o futebol feminino e as próprias mulheres começam a acreditar mais em si e formar mais times e patotas – afirma Daiana Wackernagel.

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