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    Insegurança

    Coronavírus afeta cinemas da Grande Florianópolis e movimento chega a cair pela metade

    Confirmação dos primeiros casos na região deixou usuários mais inseguros

    14/03/2020 - 13h51 - Atualizada em: 14/03/2020 - 17h16

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    Redação
    Por Redação Hora

    *Andrey Lehnemann

    Num dia normal dentro de um dos principais cinemas da Grande Florianópolis, o Cinesystem, o movimento é intenso. No hall de entrada, pode-se observar centenas de pessoas com ingressos em mãos, comprando suas pipocas, seus refrigerantes, conversando com atendentes e entre si, de mãos dadas e se dirigindo às salas do filme do momento.

    Na última quinta-feira, 12, após a confirmação de dois casos em Florianópolis pelo Secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino, o multiplex parecia deserto.

    — No próprio shopping. A circulação despencou, com a apreensão em evitar aglomerações. Dá uma certa preocupação, você vê o shopping vazio, as pessoas naturalmente ficam receosas—, refletiu um funcionário do cinema localizado no Iguatemi, do bairro Santa Mônica, na Capital.

    A Rede não quis divulgar os números, mas se especula uma queda considerável de mais de 60%. No Paradigma Cine Arte, situado em Santo Antônio de Lisboa, o Diretor Felipe Campos Didoné também registrou uma queda de 50% no público do local durante a semana, testemunhando:

    — Grande parte do nosso público é mais velho, afinal. Há uma inquietação.

    Essa aflição tem tomado a indústria cinematográfica, igualmente. Nesta semana, as distribuidoras adiaram filmes que estreariam nos próximos meses, como a nova sequência de Velozes e Furiosos, o terror Um Lugar Silencioso 2 e 007 – Sem Tempo Para Morrer. Outros filmes foram interrompidos. A cinegrafia de Elvis Presley com o ator Tom Hanks foi imediatamente suspensa, depois do ator se pronunciar nas redes sociais declarando ter sido diagnosticado com o vírus COVID-19.

    Para o gestor do CineMulti, o primeiro cinema do Sul da Ilha, no Rio Tavares, o adiamento das estreias, sim, colaborará ainda mais para a diminuição do público nas salas, ainda que não reconheça uma afetação direta pelo Coronavírus.

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    — Os meses com menos movimentos geralmente são o de março, abril e maio, principalmente março. Nós temos baixa significativas neste período pelo começo do ano escolar, não tem lançamentos de sucesso, reta final dos que mais têm audiência; 'começa o ano'. É nacional, a queda do público nos cinemas, em março. Não sei dizer se é por causa do vírus essa diminuição. Mas na questão do vírus e dos adiamentos, eu acho que daqui a um mês a maioria dos cinemas estarão fechados. Até por determinação governamental — pensa Fernando Moura Costa, que realiza a gestão do cinema do Multi Open Shopping. Costa indicou que algumas saídas encontradas por gestores foi a limitação de ingressos por sessão.

    A prefeitura de Florianópolis se pronunciou oficialmente nesta sexta-feira, 13, onde o Prefeito afirmou que indicará a lugares com público que recebam mais de 100 pessoas a fechar/adiar seus eventos. No caso de locais com grande circulação de pessoas, conforme artigo 4 do Decreto Nº 21.340, estipulou-se que no mínimo deverão ser tomadas medidas de higienização de superfície e álcool gel 70% para os usuários em local sinalizado – medidas que as redes de cinema já tomaram. Ezequiel Silva, que é cinéfilo de carteirinha, confessou que passou a evitar aglomerações e repensou idas ao shopping e cinemas nos últimos dias:

    — Até confirmarem os primeiros casos de Santa Catarina aqui em Florianópolis, eu ainda não tinha receio, freqüentava cineclubes e cinemas menores. Hoje, eu já repenso até isso. Shopping, então, nem pensar, neste momento.

    Através de nota, a Assessoria de Imprensa do Cinesystem indicou que continuará seguindo as orientações da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas e informou estar atenta aos comunicados do Ministério da Saúde e das Secretarias Estaduais. Diz a nota:

    As equipes de profissionais que atuam nas salas de cinema estão recebendo informações sobre como realizar a manutenção e a higiene para garantir que o ambiente esteja seguro. No momento, não há orientação do Ministério da Saúde para alterações e restrições no funcionamento das salas e as sessões estão confirmadas. Como é um quadro de mudanças constantes, seguiremos respeitando as orientações das autoridades de saúde”.

    No Rio de Janeiro, no entanto, a rede declarou suspensas as sessões, a partir deste sábado, 14 de março, durante 15 dias. A Rede Cine Show, do Beira-Mar Shopping, também cancelou suas sessões no Rio de Janeiro a partir deste sábado, mas permanece em funcionamento em Florianópolis.

    A expectativa é que os números sejam ainda menores nos próximos dias, inclusive com possibilidade futura de paralisação e fechamentos de cinemas até segunda ordem. No Centro Integrado de Cultura (CIC), a Mostra de Cinema Infantil cancelou a programação prevista para março e o Cineclube Cinema Unisul também suspendeu as exibições por duas semanas. A assessoria do Cinépolis não se pronunciou oficialmente até a publicação desta matéria e, com novidades, ela será atualizada.

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