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Pandemia

Coronavírus: “Espero que não ocorra o mesmo que aqui”, diz brasileira na Itália sobre volta de atividades em SC 

Para Gisele Rosa da Silva, o retorno do convívio social vai expor as pessoas ao risco de contágio.

28/03/2020 - 06h40 - Atualizada em: 28/03/2020 - 09h32

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Juliana
Por Juliana Gomes
Gisele está em quarentena depois de ser diagnosticada com o covid-19
Gisele está em quarentena depois de ser diagnosticada com o covid-19
(Foto: )

Diagnosticada com o covid-19, a enfermeira Gisele Rosa da Silva mora na Itália desde 2005. Formada em Santa Catarina, vive na Lombardia, região mais afetada pelo coronavírus. Para ela, a demora do governo para adotar o isolamento social pode ter contribuído para tornar a Itália o país mais prejudicado pela pandemia, 9.134 mortes até essa sexta-feira (27). Ela avalia que a retomada das atividades econômicas vai expor Santa Catarina ao risco de novas contaminações.

Natural de Pato Branco (PR), Gisele, 44 anos, fez a graduação na Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e ainda tem parte da família em Luiz Alves, no Vale. Hoje, ela reside em Boltiere, cidade da província de Bérgamo, e trabalha no município vizinho de Ponte San Pietro, no Policlínico San Pietro.

Diagnóstico

No fim de fevereiro, começou a ter dificuldade para respirar, tosse seca e dor de cabeça, depois de ter tido contato com pacientes sem sintomas de covid-19. Dias depois, eles receberam a confirmação de que estavam com a doença.

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Na sequência, ela precisou se afastar do trabalho e, com o teste positivo para coronavírus, está em quarentena desde 10 de março, isolada da família.

- Meu marido está em outro quarto, a roupa que visto, assim como toalhas e lençóis que uso lavo todos os dias separadamente das demais roupas da casa. Meu prato e talher não podem ser usados por mais ninguém, são lavados separados. Mesmo dentro de casa, uso máscara para evitar contato – contou.

- É difícil, porque as crianças estão em casa desde o final de fevereiro e sigo tentando fazer com que elas estudem, estamos tendo videoconferências com as professoras e assim tá indo – relatou.

Os filhos fizeram até um desenho para alegrá-la com a frase: "Vai ficar tudo bem".

Os filhos fizeram um desenho para Giseles, dizendo: "vai ficar tudo bem"
Os filhos fizeram um desenho para Giseles, dizendo: "vai ficar tudo bem"
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Agravamento

O hospital onde Gisele trabalha, na área cardiológica, é conveniado com o serviço público, mas tem gestão privada. Considerado de pequeno a médio porte, no momento, está com muitos dos profissionais infectados.

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que no início da crise tinha quatro pacientes, atualmente tem 10 internados. Para Gisele, as medidas de isolamento social foram adotadas muito tarde na Itália e a demora impactou no aumento do número de casos confirmados.

- Não se imaginava a grandeza que isso tudo ia tomar, porque eu acredito que se alguém soubesse que seria tão agressivo, obviamente, as medidas seriam tomadas muito antes. A primeira manifestação do vírus foi em 30 de janeiro. No dia 21 de fevereiro, foram confirmados 16 casos e no dia seguinte, 60, com a primeira morte - afirmou.

Restrições

Progressivamente, o país aumentou as medidas de restrição e, no momento, as pessoas só saem de casa com uma autodeclaração de que estão sem sintomas e a caminho do mercado ou da farmácia perto de casa.

Para ela, a retomada das atividades econômicas em meio à pandemia em Santa Catarina e em outros estados do Brasil é um grande risco para a população.

- É um perigo o que está acontecendo no Brasil. Não é possível que o Brasil seja livre disso, quando o mundo inteiro está contaminado. É estranho que o mundo inteiro esteja lutando contra o Covid-19 e o país (Brasil) esteja entrando em contato social novamente, espero que não aconteça o mesmo que aqui - declarou.

Na próxima semana, começa o plano gradual de retomada das atividades em Santa Catarina. Até esta sexta, o governo confirmou 163 casos confirmados. Florianópolis prorrogou a quarentena até 8 de abril para evitar o avanço do novo coronavírus.

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