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    Desigualdade no campo

    "Crédito rural para mulheres é instrumento de mudança da sociedade"

    Diretor da Secretaria Especial de Agricultura Familiar, do governo federal, fala da importância da igualdade de gênero no acesso ao crédito rural

    10/03/2017 - 02h01 - Atualizada em: 21/06/2019 - 21h59

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    Por Redação NSC
    (Foto: )

    José Carlos Zukowski, diretor substituto do Departamento de Financiamento e Proteção da Produção da Secretaria Especial de Agricultura Familiar, do governo federal, falou ao DC sobre os desafios e a importância do crédito rural para mulheres.

    O que faz com que alguns Estados tenham um desempenho bom em relação à concessão de crédito do Pronaf para mulheres, e outros, um desempenho ruim?

    Um fator que diferencia algumas regiões de outras em relação à acessibilidade de crédito rural Pronaf pelas mulheres é se há organizações produtivas, tais como cooperativas e associações, especificamente constituídas por agricultoras familiares. Também cabe lembrar que em locais mais desenvolvidos a mulher encontra boas oportunidades de trabalho fora do campo, que podem lhe parecer mais atrativas, considerando seu perfil e seus objetivos profissionais.

    2. Quais são os principais obstáculos para aumentar a participação das mulheres no volume de crédito rural concedido? Como é possível melhorar o cenário?

    Os principais obstáculos estão associados a fatores culturais da sociedade, tanto na cidade como no campo. É preciso avançar na difusão de valores culturais que fortaleçam a figura da mulher como protagonista nos diversos espaços da sociedade, particularmente na formação profissional e nas atividades econômicas, inclusive na gestão de empreendimentos. Isso envolve um amplo leque de campos de ação para a sociedade civil e o governo. No meio rural, é de grande importância o papel da ATER (Assistência Técnica e Extensão Rural).

    3. Quais as consequências da desigualdade de gênero no acesso ao crédito? Como isso impacta socialmente e economicamente?

    As agricultoras familiares que, via de regra, dividem as tarefas relacionadas à produção agropecuária nas propriedades, pouco são consultadas sobre as decisões de investimento e costumam não ter autonomia para tocar projetos próprios. A não valorização do trabalho feminino na composição da renda e reprodução familiar, desse modo, impacta significativamente o acesso ao crédito pelas mulheres rurais. Além da falta de apoio nas famílias, há falta de entendimento por parte dos operadores do crédito e da assistência técnica sobre as especificidades do trabalho feminino, como a sua relação com o espaço doméstico, por exemplo, pois a política, apesar de contemplar o enfoque de gênero, como é o caso da linha Pronaf Mulher, muitas vezes não dá conta, sozinha, de alterar a concepção cultural sobre as estruturas tradicionais de produção.

    4. Quais os benefícios do acesso das mulheres ao crédito rural?

    O acesso ao crédito possibilita às mulheres investir em atividades produtivas geradoras de renda o que, além de incrementar a renda e melhorar as condições de vida das famílias através de melhoria na segurança alimentar, por exemplo, lhes garante mais autonomia e empoderamento, alterando a correlação de forças entre homens e mulheres, tanto no seio da família quanto no contexto comunitário. Assim, o crédito rural acessado pelas agricultoras familiares pode ser um instrumento fundamental para democratizar o Estado e a sociedade.

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